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E se… Cuba abandonasse o comunismo?

Petróleo, etanol e boom imobiliário seriam combustível de uma revolução capitalista na ilha

Por Alexandre Versignassi e Márcio Orsolini Atualizado em 21 fev 2018, 17h32 - Publicado em 18 fev 2011, 22h00

A ilha teria grandes chances de virar o país que mais cresce no mundo, com uma população até mais rica que a dos EUA.

Não é fantasia: o motor desse milagre econômico, a princípio, já existe. Em outubro de 2008, o país declarou ter descoberto reservas de petróleo equivalentes a 20 bilhões de barris nas águas ao norte do país. Isso dá mais ou menos um quinto da quantidade de óleo da nossa camada pré-sal – mas isso num país com população menor que a da Grande São Paulo (11,5 milhões de habitantes).

Claro que essas reservas também poderiam enriquecer a Cuba comunista. Mas, se a ilha abolisse a ditadura e abraçasse o capitalismo, a bonança viria mais rápido e poderia gerar um efeito cascata na economia.

Primeiro, porque uma mudança no regime acabaria com o bloqueio comercial do EUA. Sem esse obstáculo, os cubanos teriam como importar tecnologia americana para explorar suas reservas. E mais importante: os EUA importam 10 milhões de barris de petróleo por dia, quase tudo do Oriente Médio. Mas Cuba, lembre-se, fica ali ao lado, a 160 quilômetros de distância da Flórida. Bastaria, então, fazer oleodutos ligando a ilha ao território americano para que os EUA pudessem comprar óleo dos cubanos sem gastar quase nada em transporte. Agora junte os bilhões do petróleo a um mercado imobiliário virgem – Fidel, afinal, confiscou a propriedade privada em 1959 e esses imóveis e terras teriam de voltar a seus antigos donos (ou a seus descendentes). Estima-se que o valor de tudo isso seja US$ 50 bilhões.

Mas seria só o começo. Esse monte de imóveis e terras faria nascer um novo mercado. Assim: a grana do petróleo aumentaria o preço dos imóveis, já que vai ter muita gente com dinheiro para comprá-los. Imóveis valorizados fomentam a construção civil, pois novos prédios vão automaticamente dar mais lucro (é o que aconteceu na China e na Índia). E a construção gera empregos. Com mais empregos, mais consumo. Mais consumo, mais produção. Mais produção, mais empregos…. É a roda da economia girando. E, nesse caso, seria um giro azeitado por uma educação de primeiro mundo, coisa que Cuba já tem.

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Cuba libre

Petróleo, etanol e boom imobiliário seriam combustível de uma revolução capitalista na ilha

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1. SHOW DO TRILHÃO
Se for confirmado que Cuba está mesmo cheia de petróleo, como diz, e, além disso, os EUA passarem a comprar de lá uns 30% do óleo que importam hoje, a ilha ganharia por volta de US$ 50 bilhões limpos a cada ano. Isso já dobraria o PIB de Cuba. Sozinho, o petróleo faria entrar mais de US$ 1 trilhão na economia local ao longo dos próximos anos.

2. PAÍS FLEX
Terceiro maior produtor de etanol do mundo (atrás dos EUA e de nós), com 12 bilhões de litros por ano. É a metade da produção do Brasil, que tem um território 70 vezes maior. É isso que Cuba pode se tornar se aproveitar seu potencial como produtora de cana. Agora que os EUA estão aumentando para 15% a quantidade de etanol na gasolina, eles teriam um mercado de US$ 7 bilhões anuais.

3. ATÉ A ÚLTIMA PONTA
Com o fim do embargo, os charutos cubanos ficariam mais baratos nos EUA, e, por extensão, no resto do mundo – o que poderia lançar uma moda um tanto fedorenta. Além disso, o dinheiro extra do petróleo tiraria a agricultura (e o estômago da população) do buraco. Hoje, ela está tão depenada que a produção de alimentos só cai.

4. BOOM IMOBILIÁRIO
A volta da propriedade privada seria a pólvora de uma explosão no preço dos imóveis. E o dinheiro do petróleo e do etanol serviria de pavio. Some isso ao fato de que Cuba tem praias de sonho ao lado dos EUA e veremos Havana se transformar numa Miami – só que bem mais charmosa.

5. DE VOLTA PARA CASA
Uma ilha rica veria um retorno em massa da população cubana que hoje vive exilada nos EUA – são 1,5 milhão de pessoas, o equivalente a 10% da população de Cuba, e que ganham em média US$ 38 mil por ano. Os laços afetivos desses cubanos-americanos com a ilha estimularia a chegada de mais investimentos.

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