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Emojis estão virando uma nova linguagem

Quando você troca o "eu te amo" por um ❤ alguma coisa está acontecendo. Não, não é descaso seu: é a língua que está ganhando novos mecanismos na era digital.

Por Helô D'Angelo Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 abr 2016, 17h30 | Atualizado em 4 nov 2016, 19h12
Emojis estão virando uma nova linguagem Priorizar nos meus resultados Google

Epa… Você mandou aquela mensagem para a pessoa errada. E agora? Tá, calma. Mande wink – demonstrando sarcasmo. Se a pessoa entender errado, mande aquele macaquinho tapando a boca, como quem diz “cara, foi mal”. E se as coisas ainda não ficarem ok, mande um ET sem sentido algum e siga a vida.

Se essa situação soa familiar, saiba que você não está sozinho. Para 92% dos usuários das redes sociais, a escolha do emoji perfeito é uma etapa indispensável na comunicação em rede – o que mostra que as carinhas amarelas, os corações e os macaquinhos estão ganhando uma função muito maior do que a mera decoração: os emojis estão, aos poucos, se transformando em uma forma de linguagem popular e quase independente de idiomas.

Nos últimos dois anos, o linguista Tyler Schnoebelen tem estudado o uso dos simbolozinhos em milhões de postagens nas redes sociais, e descobriu algumas coisas interessantes. Para começar, ele percebeu que existe uma “gramática” própria do uso dos ícones – uma série de regras práticas que tornam a mensagem formada por texto e emojis compreensível.

Por exemplo: as pessoas costumam usar os ícones sempre no fim das frases e raramente postam só emojis – eles sempre aparecem em um determinado contexto. Além disso, com o tempo, os ícones ganham significados diferentes, exatamente como acontece com o idioma. Para explicar isso, o linguista cita o emoji de caveirinha, que nos últimos dois anos apareceu 11 vezes mais em postagens sobre telefones sem bateria do que em posts dizendo “estou cansado”. 

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Para Schnoebelen, os emojis não estão apenas se tornando uma forma alternativa de escrever: eles são marcadores de contexto, do tom de voz e do humor do interlocutor, além de ter o importante papel de traduzir para a escrita aquilo que as pessoas estão sentindo ao digitar. Analisando os ícones mais usados nos posts, o linguista percebeu que os 20 principais são os que indicam emoções – carinhas expressivas, mãos dando tchauzinho, corações. Faz sentido: frases como “te vejo mais tarde” ou “depois a gente se fala”, por exemplo, ganham um significado muito diferente quando a pessoa simplesmente coloca uma carinha feliz no final. 

Os emojis são uma linguagem em expansão, mas o especialista não acredita que eles cheguem a substituir o texto. É que conceitos como “solidão”, por exemplo, seriam impossíveis de expressar em carinhas e pixels. Afinal de contas, ninguém vai aprender “emojês” como sua primeira língua (ainda), mas o que é surpreendente para o linguista é como esse novo alfabeto de imagens se combinou com o nosso para melhorar a forma como nos comunicamos – como uma nova gíria ou um novo conjunto de expressões típicos da era digital.

A origem dos emojis
Emojis são uma opção de teclado no seu celular – o que quer dizer que você não precisa mais usar dois pontos e um parêntese fechando para criar um rosto feliz: ele já está lá, é um caractere. Quando o iPhone possibilitou o teclado emoji, em 2011, os ícones viralizaram: hoje quase metade dos posts no Instagram passaram a ter emojis. 

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Mas essas pequenas imagens têm uma história longa antes disso. Elas foram criadas no Japão, em 1995, no auge das vendas de pagers. Percebendo como o idioma japonês dependia do contexto para ser bem compreendido, a empresa de telecomunicações Docomo, fabricante de pagers, disponibilizou um caractere de coração para as pessoas usarem junto com o texto. Foi uma febre – principalmente entre os adolescentes. 

Percebendo o sucesso da coisa, a Docomo começou a desenvolver outros ícones simples para marcar o contexto. E foi aí que, baseados nos kanjis japoneses e em desenhos dos mangás, nasceram os emojis – palavra que significa figura (e) e caractere (moji). Os primeiros emojis foram lançados junto com o i-mode, um primeiro ‘smartphone’ que tinha funções como email, previsão do tempo e SMS. E daí, os emojis ganharam o mundo. yes

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