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Homem-Aranha , um herói (quase) como a gente

O sucesso do filme Homem-Aranha fez o mundo redescobrir os heróis. Mas quem são eles?

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h47 - Publicado em 31 Maio 2002, 22h00

Leandro Sarmatz

A seqüência toda é deliciosamente sádica: correndo como se tivesse que tirar o pai da forca, Peter Parker persegue o ônibus escolar – um daqueles típicos veículos barulhentos e amarelos que Hollywood eternizou – por uma rua do Queens, em Nova York. Dentro do coletivo, garotas e rapazes caçoam da prosaica odisséia do estudante. Debocham, gritam para o motorista não encostar no meio-fio, fazem o alarido habitual para o loser (perdedor). Então, o ônibus pára. Peter consegue entrar, mas ninguém quer dividir o lugar com ele no assento. É quase compreensível. Ele está com a testa empapada de suor, os olhos esbugalhados por trás dos óculos fundo de garrafa, um fio de baba pode ser entrevisto quando ele se depara com a ruiva (e que ruiva!) Mary Jane, sua secreta paixão.

A cena ocupa os primeiros minutos do filme Homem-Aranha, do diretor Sam Raimi. Pouco depois, Peter será picado por uma aranha geneticamente modificada e se transformará num super-herói, o Homem-Aranha que todos conhecemos dos gibis. Desajeitado como um lavador de pratos com mal de Parkinson, Peter continuará sendo um nerd – o anti-herói clássico da mitologia adolescente americana, o tímido desajustado que costuma levar lambada por todos os lados. Uma pessoa completamente desprovida de charme. Mas que, ao menos na tela do cinema, faz um sucesso tremendo.

E que sucesso. Nos Estados Unidos, Homem-Aranha conseguiu faturar 115 milhões de dólares apenas em seu primeiro final de semana. (Essa bolada formidável corresponde ao faturamento anual da Panasonic brasileira, que, em 2001, contabilizou 118 milhões de dólares.) Cerca de 20 milhões de americanos assistiram ao filme em seus três primeiros dias de exibição, o equivalente à população inteira da Austrália. E o fato de um site como Movie-mistake.com, especializado em garimpar babadas nos filmes, ter contado 123 erros de continuidade, não parece aplacar o apetite cinematográfico dos fãs do herói.

Não foi diferente no Brasil. A fita, estrelada por Tobey Maguire – provavelmente a melhor interpretação de um nerd desde The Freshman (1925), filme-mudo do comediante Harold Lloyd –, Kirsten Dunst – a mais formosa encarnação em celulóide da namorada de um herói – e William Dafoe, que faz um Duende Verde apenas burocrático, foi assistida por nada menos que 1,3 milhão de espectadores em seu primeiro final de semana. É quase o mesmo público que outro filme produzido milimetricamente para fazer sucesso, Parque dos Dinossauros III, conseguiu atrair durante seus vários meses de exibição no Brasil em 2001.

Em termos de mercado, Homem-Aranha é o amadurecimento de uma mudança que vinha sendo gestada desde os anos 70, quando George Lucas transformou Guerra nas Estrelas (1977) num evento extra-cinematográfico: o filme era um trampolim para a venda de bonequinhos, biscoitos, cadernos, jogos e pipoca. Com o mercado de games, CDs e DVDs que explodiu a partir do final da década de 90, grande parte dos filmes saídos de Hollywood atravessou o mesmo e lucrativo percurso. Poucos meses antes da estréia, o mercado é invadido por uma enxurrada de produtos ligados ao filme. Uma agressiva e cara campanha de marketing – a Sony Columbia Tristar gastou 140 milhões de dólares para produzir o filme e nada menos que 50 milhões para promovê-lo –, agora turbinada pela internet, martela em todos os corações e mentes a absoluta necessidade de não ficar de fora de um evento como esse.

Porque antes de ser apenas mais uma obra cinematográfica, o blockbuster (arrasa-quarteirão) da temporada é um lucrativo parque de diversões sediado no multiplex mais próximo de você.

Ok. Mas essa receita milionária dá certo para qualquer tipo de filme de super-herói? É pouco provável. Fosse outra figura da mitologia dos quadrinhos (o Homem de Ferro, por exemplo), o resultado acachapante não seria o mesmo. O que há de incomum com o personagem Homem-Aranha, criado há 40 anos pela legendária trinca da Marvel, Stan Lee, Steve Ditko e Jack Kirby? O que faz de um adolescente que se transforma num aracnídeo justiceiro um dos maiores heróis da cultura pop do século XX? Aliás, o que são e para que servem os heróis?

Antes, à maneira de toda narrativa sobre uma dessas figuras mitológicas que insistem em nos tirar, nós mortais, de apuros, retrocedamos algumas décadas para conhecer suas origens, os primórdios da sua existência e a difusão da sua lenda. Tudo começou no início dos anos 60, quando a Marvel, editora de quadrinhos que praticamente divide o mercado americano com a DC (produtora do Batman e do Super-Homem, entre outros), estava à procura de um herói que fizesse tanto sucesso quanto os da sua arquirrival.

Foi então que Stan Lee (“o Homero dos Quadrinhos”, segundo o diretor de cinema italiano Federico Fellini, ele próprio um roteirista de HQs), um nova-iorquino safra 1922, teve a idéia de criar um personagem que se identificasse com seus leitores. E bota identificação nisso: adolescente, com acne despontando no rosto ainda imberbe, inseguro, crivado de dúvidas e – suprema inovação urbanística – vivendo não em Metropolis ou Gothan City, cidades de mentirinha, mas na fervilhante Nova York da década de 60. Gente como a gente. Ou quase.

Foi uma revolução. Era a primeira vez na história dos quadrinhos que um personagem ganhava o coração dos leitores não apenas pelos feitos heróicos – mas por também amargar os mesmos problemas que o público vive todos os dias. “O Homem-Aranha é o primeiro herói a ter a mesma idade do seu fã”, afirma Álvaro de Moya, professor aposentado da Escola de Comunicação e Artes da USP e autor de História das Histórias em Quadrinhos.

E olha que o Homem-Aranha quase foi abortado pela Marvel antes de aparecer no mundo. Quando Lee apresentou o personagem a Martin Goodman, o chefão da companhia na época (e marido da tia do criador de Peter Parker), esse não se entusiasmou muito. “As pessoas detestam aranhas”, teria dito Goodman. Pior: o patrão de Lee ainda disse que super-heróis não poderiam ter problemas pessoais. Mesmo assim, Stan Lee o convenceu a incluir uma história do herói no derradeiro número de Amazing Fantasy. E o resto é lenda.

Mas também história. O fascínio imenso do Homem-Aranha reside em seu caráter humano, demasiado humano. Ele não é um homem extraordinário. Ele não é o Super-Homem (como tia May faz questão de frisar numa seqüência do filme), nem o Batman, protetores imbatíveis da raça humana. Tanto o Homem de Aço quanto o Morcegão são homens feitos, adultos, maduros. O Homem-Aranha não. Ele tem a mesma idade de seus milhões de admiradores adolescentes. O roteiro do filme que está em cartaz nos cinemas apresenta poucas diferenças das histórias dos gibis. Uma coisa – fundamental – que não foi mexida pelos roteiristas e produtores foi o fato de Peter Parker ser um adolescente comum.

A identificação é tão grande que o estudioso americano de cinema Neal Gabler (autor de Vida: O Filme) encontra no sucesso instantâneo de Homem-Aranha uma espécie de catarse adolescente em tempos pós-Columbine (escola em que dois adolescentes considerados “esquisitos” pelos colegas fuzilaram 13 alunos, em 1999, e depois se suicidaram). Para Gabler, Peter Parker seria o exemplo do nerd que não se vinga, mas ajuda.

“Os jovens levam a sério o mundo dos super-heróis, mas não completamente”, diz Bradford Wright, professor de Cultura Americana na Universidade de Maryland, no Estado americano de Baltimore. Wright, que é autor de Comic Book Nation: The Transformation of Youth Culture in America (Nação de gibi: a transformação da cultura jovem na América, sem tradução no Brasil), afirma que o Homem-Aranha é uma das maiores influências na forma menos séria com que os jovens encaram o mundo. “Vivemos numa época de ironia”, diz. E Homem-Aranha é auto-ironia pura.

Já foi bem diferente. Antes da era iniciada por Stan Lee, os super-heróis se levavam a sério demais. Afinal, eram os benfeitores da humanidade. Rebento típico dos anos 60, década da Guerra Fria e da contracultura, da decadência de antigos valores, o Homem-Aranha reflete o seu tempo assim como o Capitão América, também da Marvel, o fez no início dos anos 40, quando os Estados Unidos estavam prestes a entrar na Segunda Guerra Mundial. “Cada super-herói representa a ideologia americana do seu tempo”, diz Waldomiro Vergueiro, coordenador do Núcleo de Pesquisa em História em Quadrinhos da USP.

Essa sintonia entre quadrinhos e história não é acidental. Como toda produção cultural, os quadrinhos estão permeados pelo ar do seu tempo. Nove entre dez personagens do passado eram resultado de alguma mutação nuclear. Sinal de uma época em que Estados Unidos e União Soviética investiam na corrida armamentista. Hoje, a genética é a grande arma. No filme Homem-Aranha, Peter Parker é picado por uma aranha geneticamente modificada. O original de Stan Lee contava outra história: a aranha havia sido exposta a radiações.

A “vida privada” e as lutas dos heróis refletem esse livre-trânsito entre os personagens e o tempo em que foram criados. Batman pode ser um bom exemplo disso. Surgido pouco antes da Segunda Guerra, num período bastante duro da vida americana – a Grande Depressão, iniciada com o crack da Bolsa de Nova York, ainda debilitava a economia dos Estados Unidos –, o personagem é fruto de tempos sombrios. Daí a origem do herói: Bruce Wayne, revoltado com o assassinato dos pais, torna-se um vingador impiedoso. Bem diferente do Homem-Aranha, surgido nos coloridos anos 60, quando os Estados Unidos disputavam a hegemonia mundial com a finada União Soviética, cujos traumas pessoais – morte dos pais e assassinato do tio Ben – incutiram em sua personalidade um inabalável senso de justiça. Em tempos menos ambíguos como o nosso, o Homem-Aranha (pelo menos no filme que está nos cinemas) parece reavivar o patriotismo dos americanos.

Os tempos mudam – e os objetivos dos super-heróis também. “Durante a Segunda Guerra, os heróis de quadrinhos se alistaram. Depois do atentado às Torres Gêmeas, a indústria dos gibis não irá ignorar a guerra contra o terrorismo. Até porque grande parte das aventuras ocorrem em Nova York”, diz Bradford Wright. O estudioso vai além: “Uma organização terrorista como a Al-Qaeda parece ter sido antecipada pelos gibis. Há inúmeras histórias em que vilões destroem edifícios, realizam ataques nucleares e fomentam o caos internacional”. (De fato, na saga A Morte de Robin, o aiatolá Khomeini, chefe político e religioso do Irã, então adversário mortal dos Estados Unidos, aparece cooptando o Coringa, arquiinimigo do Batman, para seus planos terroristas.)

A metamorfose dos super-heróis é previsível. Como todo herói, os benfeitores do mundo dos quadrinhos passam por percursos bastante semelhantes. Do grego Aquiles, personagem da Ilíada, de Homero, o primeiro grande poema do Ocidente (e uma aventura digna de cinema), às figuras de gibis, a vida e a morte dos heróis têm origens e papéis semelhantes na história. Em seu livro El Mito del Héroe (O mito do herói, sem edição brasileira), o crítico literário argentino Hugo Bauzá define o herói como alguém metade homem metade deus, valorizado pelos objetivos éticos da sua ação.

Otto Rank (1884-1939), um dos discípulos de Sigmund Freud, afirma que a característica do herói é triunfar sobre todos os obstáculos, “anestesiando” o fracasso daqueles que tentam repetir suas façanhas. Rank mostra uma narrativa semelhante entre muitos mitos heróicos: geralmente, ele é filho de uma família nobre, seu nascimento é antevisto por sonhos e oráculos que prevêem conflitos, e, depois de várias aventuras distantes da sua terra natal, volta para ser reconhecido pelos seus feitos. “Todas as narrativas sobre heróis apresentam similaridades explícitas”, afirma o historiador Francisco Marshall, coordenador do núcleo de História Antiga da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Em todas elas, o herói é uma figura incompreendida e deslocada socialmente.” (Qualquer semelhança com Peter Parker não é mera coincidência.)

Alguns estudiosos fizeram sínteses dessas narrativas heróicas. O britânico E.M. Butler escreveu, em The Myth of the Magus (O mito do mago, sem edição brasileira) que percebeu que todos os heróis são a mesma pessoa com máscaras diferentes. É o caso, também, do hoje clássico O Herói de Mil Faces, do estudioso de mitos americanos Joseph Campbell (1904-1987), que codificou o sistema dos heróis. “Sempre foi função primordial da mitologia e dos rituais fornecer os símbolos que levam o espírito humano adiante”, escreve. O herói, portanto, tem a função de ser um exemplo. “A figura heróica é uma estrutura básica, fundamental, na formação e no desenvolvimento da personalidade de todos nós”, afirma a psiquiatra Maria Zélia de Alvarenga.

“Toda origem do herói apresenta um fator de tragédia”, afirma o psiquiatra Cândido Pinto Vallada, diretor da Associação Junguiana do Brasil. Seja a morte dos pais (como no caso, veja só, de Batman e do próprio Homem-Aranha), seja na inadequação com a sociedade. Para Vallada, a importância do herói (e mesmo desse nascimento traumático) é primordial na adolescência, período de definição da personalidade em que o jovem precisa se guiar por grandes exemplos. “O herói é uma ferramenta de ousadia para o adolescente”, diz.

E ousadia é o que não falta a Peter Parker, correndo atrás do ônibus escolar ou escalando prédios para fazer triunfar a justiça em Nova York. Porque ele é um herói. E também um adolescente que poderia ser você ou seu filho. Comum, prosaico, inconstante – mas, a seu modo, extraordinário.

Para saber mais

Na livraria

O Herói de Mil Faces, Joseph Campbell, Pensamento, 1998

El Mito del Héroe, Hugo Bauzá, Fondo de Cultura Económica, 1998

The Myth of the Magus, E.M. Butler, Cambridge University Press, 1993

Vida: O Filme, Neal Gabler, Companhia das Letras, 2000

Spider-Man: The Ultimate Guide, Tom de Falco, DK, 2001

Na internet

http://www.marvel.com

Galeria de heróis

Saiba como surgiram os salvadores da humanidade

Super-Homem

Nascimento – Criado por Joe Schuster e Jerry Siegel, o Super-Homem nasceu em 1934. A DC Comics lançou a primeira história do herói em 1938.

Características – Para proteger seu filho da explosão do planeta Kripton, Jor-el resolve enviá-lo para a Terra. O E.T. aterrissa em Smalville, onde é resgatado por um casal. Adulto, vai viver na cidade de Metropolis e trabalhar como repórter do Planeta Diário.

Superpoderes – Visão de raio-X, força quase infinita e capacidade de voar.

Inimigos – Lex Luthor, Bizarro.

Curiosidade – O Super-Homem desembarcou no Brasil pela primeira vez em 1940. Clark Kent recebeu o nome de Edu, e Lois Lane ficou com pinta de vedete: Míriam Lane.

Batman

Nascimento – Criado por Bob Kane, o Batman estreou no mundo em 1939.

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Características – Depois de testemunhar o assassinato de seus pais, o menino Bruce Wayne decide orientar toda sua vida para a vingança. Sombrio, o milionário Wayne transforma-se em Batman, o justiceiro de Gothan City.

Superpoderes – Agilidade e apetrechos.

Inimigos – Coringa, Pingüim, Charada, entre outros.

Curiosidade – Para abrir a passagem da Bat-Caverna, Bruce Wayne acerta os ponteiros do relógio para a hora exata em que seus pais foram assassinados. Robin, o ex-trapezista de circo e “garoto prodígio” surgiu em 1940. Também tem um drama familiar: seus pais foram mortos por Duas Faces.

Fantasma

Nascimento – O Fantasma foi criado em 1936 por Lee Falk (1911-1999), que, anos antes, havia se celebrizado com o mágico Mandrake.

Características – Há quase 500 anos, um primeiro Fantasma foi morar na Caverna da Caveira, na Floresta Negra. A aventura do Fantasma que todos conhecemos começou quando, durante uma viagem de mar, seu pai foi assassinado por piratas chineses. Houve apenas um sobrevivente, o Fantasma, que foi levado pelas ondas até o Golfo de Bangala (país africano que só existe na geopolítica dos quadrinhos). Torna-se uma espécie de monarca dos pigmeus.

Superpoderes – Não tem.

Inimigos – General Bababu, Hidra, Gooroo, Quadrilha T.

Curiosidade – Pioneiro, o Fantasma é considerado o primeiro herói de quadrinhos a usar máscara e uniforme. Depois dele, o uniforme virou norma.

Capitão América

Nascimento – Criado para lutar pelos Estados Unidos na Segunda Guerra, o Capitão América surgiu em 1941, por obra de Joe Simon e Jack Kirby.

Características – Steve Rogers nasceu nos tempos da Grande Depressão. Em 1940, alistou-se no Exército americano, mas não preencheu os requisitos necessários para pegar em armas. É convidado para um experimento, a Operação Renascer, que pretendia criar um soldado com poderes fenomenais. Bombardeado por raios vita, Steve sofre uma mutação e se transforma num poderoso guardião da liberdade.

Superpoderes – Força descomunal (ajudada por um escudo indestrutível, formado por uma liga de vibranium e adamantium).

Inimigos – Caveira Vermelha e Barão Zemo.

Curiosidade – No número 1, o marmanjo aparecia dando uma sova em Adolf Hitler.

Homem-Aranha

Nascimento – Criado por Stan Lee, Steve Ditko e Jack Kirby, o Homem-Aranha veio ao mundo em 1962. O resultado foi tão bom que motivou a criação de uma revista própria para o novo herói.

Características – O adolescente Peter Parker vive com seus tios May e Ben Parker. Picado por uma aranha radiativa, o rapaz desenvolve atributos do inseto.

Superpoderes – Força capaz de suportar até 10 toneladas, capacidade para escalar prédios, Sentido da Aranha (para alertá-lo em face do perigo iminente).

Inimigos – Duende Verde, Escorpião, Dr. Octopus, Abutre, Lagarto e Electro.

Curiosidade – Ao contrário de outras histórias em quadrinhos, as aventuras do Homem-Aranha têm como palco uma cidade real, Nova York.

Incrível Hulk

Nascimento – Criado em 1962 por Stan Lee e Jack Kirby.

Características – Exposto à radiação gama durante experiências, o dr. Bruce Banner transformou-se num assustador monstro verde.

Superpoderes – Bruto como um Sansão feroz, Hulk é capaz de levantar até 100 toneladas, além de saltar quilômetros como um canguru.

Inimigos – Bate em todo mundo.

Curiosidade – A primeira revista do Hulk não vingou e só foi publicada até o número 6. O filme The Hulk, dirigido por Ang Lee, promete ser o grande sucesso da temporada de 2003.

Wolverine

Nascimento – Criação de Len Wein e Herb Trimpe, Wolverine apareceu pela primeira vez em 1975, como rival do verdão Hulk.

Características – Logan (o nome do herói) tem um passado remoto como samurai no Japão medieval de ter participado da Segunda Guerra – só que grande parte dessas memórias podem ser falsas, resultado de implantes no projeto Arma X, onde foi construído seu esqueleto de adamantium.

Superpoderes – Sentidosaguçados e um grande fator de cura.

Inimigos – Dentes de Sabre, Tentáculo e Lady Letal.

Curiosidade – Wolverine é um herói de pavio curto, ranheta e violento.

Mulher Maravilha

Nascimento – A Mulher Maravilha foi criada em 1941, por William Moulton Marston.

Características – Diana, princesa amazona, é criada a partir do barro, pois sua mãe não dispunha de um homem para concebê-la. Nos Estados Unidos, torna-se a Mulher Maravilha.

Superpoderes – Capacidade de voar, o “laço da verdade” e o avião transparente.

Inimigos – Mulher-Leopardo e bandidos.

Curiosidade – Marston é o inventor do polígrafo, o popular detector de mentira.

A cidade vitimada

Nem Gothan City, nem Metropolis. O palco para as aventuras do Homem-Aranha é Nova York. É na grande cidade que o vilão Duende Verde promove o escarcéu e tenta cooptar o herói para suas fileiras criminosas, enquanto destrói prédios e bagunça a vida já bastante conturbada da metrópole. Curiosidade: os produtores do filme tiveram que remover digitalmente as Torres Gêmeas do World Trade Center de algumas cenas. Tudo para não provocar desconforto e para não ofender a memória das vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001.

A renúncia necessária

Pouco antes de morrer, tio Ben trava um curioso diálogo com Peter Parker. Como se de alguma forma desconfiasse dos incríveis poderes do seu jovem sobrinho, Ben diz-lhe que um grande poder envolve grandes responsabilidades. Peter vai descobrir isso de forma bastante amarga. Como todo herói, terá que fazer escolhas que irão afastá-lo de quem ele mais gosta. A justiça deve vir antes do coração. Nada mais arquetípico. A renúncia à vida pessoal é um dos traços mais permanentes da mitologia do herói.

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