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Hotéis estão reclamando dos “influenciadores” que querem estadia grátis

Os hotéis recebem dezenas de e-mails diariamente oferecendo parcerias nem sempre vantajosas – e estão criando aversão ao tipo de propaganda

O conceito, a princípio, até faz sentido: uma personalidade da internet conquista a atenção de milhares de seguidores e oferece essa visibilidade em troca de dinheiro ou serviços de uma marca que deseja alcançar um novo público.

Mas, segundo uma reportagem da revista The Atlantic, os hotéis de luxo não aguentam mais a ideia (ampla demais) de “influenciadores digitais”, ainda mais os que querem tratamento especial – e estão até criando políticas para evitar que eles apareçam pedindo hospedagem grátis em troca de postagens no Instagram.

De acordo com a gerente de marketing de um hotel cinco estrelas nas Maldivas que falou com a reportagem, o grande problema é que o conceito de “influenciador digital” hoje serve para tudo, dando margem para amadorismo e gente que não necessariamente tem algo a oferecer. “Todo mundo com um Facebook nos dias de hoje é um influenciador. As pessoas dizem que querem ir às Maldivas por 10 dias e farão duas postagens no Instagram para 2 mil seguidores. É quase como se pessoas com 600 amigos no Facebook dizessem: ‘Olá, eu sou um influenciador, quero ficar no seu hotel por sete dias’”, contou ao Atlantic.

Diariamente, as caixas de e-mails destes estabelecimentos são lotadas com dezenas de buscas por parcerias e fica cada vez mais difícil analisar um por um para saber quais delas valem a pena e quais delas serão prejuízo. Além de “influenciadores” com poucos seguidores, ainda existem aqueles que usaram bots para inflarem a sua conta artificialmente e que estão, na prática, postando para ninguém. A sobrecarga está fazendo com que alguns hotéis parem totalmente com a prática.

O caso que ficou mais famoso aconteceu em janeiro, na Irlanda. O luxuoso White Moose Cafe, de Dublin, virou manchete nos jornais pela forma rude como o proprietário respondeu publicamente um pedido de parceria de uma YouTuber:

Se eu deixar você ficar aqui em troca de um vídeo, quem pagará a equipe que vai cuidar de você? Quem vai pagar as camareiras que limpam o seu quarto? Quem vai pagar pela luz e pelo calor que você usa durante a estadia? Talvez eu deva dizer à minha equipe que eles serão apresentados em seu vídeo, em vez de receber pagamento pelo trabalho realizado enquanto você estiver no estabelecimento.

Paul Stenson, proprietário do White Moose Cafe

Tá. Mas isso quer dizer que todo influenciador é trambiqueiro? Não. De acordo com a reportagem, existem as parcerias que valem a pena para o setor hoteleiro e as que não. Vamos a elas:

É embuste: um acordo não vale a pena quando o influenciador não tem um bom número de seguidores. Também é má ideia quando ele não sabe exatamente qual é o público alvo dele. Informações como a idade dos seguidores, onde moram e que tipo de atividades gostam de praticar fazem toda a diferença na hora de escolher em qual web celebridade investir.

É uma boa ideiase o influenciador tem as respostas das perguntas acima na ponta de língua, um bom engajamento e souber como tirar uma boa foto e escrever um texto matador, significa que você não está trocando favores, mas investindo em publicidade — das boas, por sinal.

Comentários

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  1. André de Souza

    Estamos vivendo a era da “celebridade fastfood”! Qualquer um, desde os participantes de reality shows profissionais, DJ’s que se acham músicos, até estas pragas denominadas “youtubers”, são tidos como celebridades! Estes “influenciadores digitais” – seja lá o que for que isto signifique – pensam que são o quê? Francamente! A maioria deles constitui é um risco. Um perigo pela desinformação que, muitas vezes, fornecem aos incautos: são dietas, tratamentos de saúde e beleza, programas de atividades físicas oferecidos nas redes sociais por indivíduos que sequer têm formação nas respectivas áreas. São situações que constituem, muitas vezes, verdadeiros casos de polícia por prática ilegal de profissão. Melhor as autoridades ficarem de olho. Muitos destes “influenciadores digitais”, ao invés de serem seguidos nas redes sociais por suas opiniões, deveriam era estar prestando depoimento à polícia.

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