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Luiz Barco

Professor da USP e um dos maiores divulgadores da matemática do país, Luiz Barco mostra alguns dos desafios de lógica mais marcantes de sua vida

Por Redação Superinteressante Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 fev 2005, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h49
  • Lembro-me que o poeta português Fernando Pessoa fala com freqüência sobre a criança que guardamos dentro de nós: “(… ) em que desvão da história deixei o menino que fui ?”. Teimo em discordar. Nunca o deixamos, apenas permitimos que ele adormeça. Toda criança (a que fomos e a que ainda somos) gosta de segredos e quase todas guardam com carinho alguém que as iniciou na arte de desvendar mistérios. No meu caso foi um professor de matemática, Pedro Gamballe. Ele chegou e já em nossa primeira aula da quinta série nos passou o desafio número 1. Olha só:

     

     

    Problema 1

    Meu professor desenhou no quadro-negro – que, aliás, era azul – três caixas, cujas tampas tinham as etiquetas: PP, PB e BB. “Quando eu vinha para cá resolvi trazer essas caixas”, nos disse. E prosseguiu: “Uma contém duas bolas pretas (PP), outra, uma preta e uma branca (PB) e a terceira duas brancas (BB)”. Tomou um fôlego, nos olhou sorridente, e lançou: “Um colega brincalhão, aproveitando-se da minha distração, trocou todas as tampas. Então eu gostaria que vocês me ajudassem a descobrir onde estão, respectivamente, as bolas. Para isso imaginem que só se pode retirar uma bola de cada vez, sem olhar aquela que resta na caixa. Qual é o menor número de bolas, e de qual caixa ela deve ser retirada para que se possa colocar as tampas nas caixas correspondentes?” Bem, caro leitor, veja como você resolve essa pequena charada. Use a imaginação, e, se não conseguir pergunte à criança que há em você. Gostou desta? Então resolva essa aqui ao lado

     

    Problema 2

    Um jovem recebeu sua mesada em notas (todas) de 1 real.

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    a) Gastou a metade da mesada na compra de um boné do seu clube preferido, e, a seguir, deu 1 real de gorjeta;

    b) Do restante, gastou a metade em um lanche e ainda deu duas notas de 1 real ao garçom;

    c) Do novo resto gastou a metade na compra de uma revista, e, da outra metade, gastou 3 reais em refrigerantes.

    Pronto. Depois de tudo isso ele ficou com uma única nota de 1 real. Agora, presumindo que ele não tenha trocado nenhuma das notas, pergunta-se: qual foi o valor da mesada?

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    Problema 3

    Nosso código genético está impresso no DNA como se fosse uma palavra de muitas letras. Lentamente (e bota lentamente nisso…) vai mudando uma letra de cada vez. Daqui a muitos milhões de anos talvez sejamos um ser extraordinário ou, o que não é pouco provável, regressemos à barbárie. Como que adivinhando, o escritor britânico Lewis Carroll (autor de Alice no País das Maravilhas) inventou um jogo de palavras bem interessante, e que serve como um modelo simplificado do jogo da natureza que chamamos de evolução: escreva duas palavras com o mesmo número de letras, ÓDIO e AMOR, por exemplo, e, agora passando de palavra em palavra, caminhe do ódio ao amor, trocando uma única letra de cada vez – de modo que a palavra encontrada em cada mudança exista, isto é, conste em algum dicionário. Tente, é um belo jogo de palavras e ainda enriquece o nosso vocabulário. Use verbos também. Fica mais fácil. Depois, tente com outras palavras

     

     

    Respostas

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    1. Basta uma única bola a ser retirada, e da caixa PB, pois, como todas as tampas foram trocadas, se sair uma bola branca (B) a outra será também branca (B). Assim, a caixa PB tem duas brancas (BB), logo a caixa PP deve ter uma preta (P) e uma branca (B), pois não pode ter duas pretas. Lembre-se: as tampas foram trocadas e, como as duas brancas estão na caixa etiquetada de PB, teremos: PB = BB, PP = PB e BB = PP

    2. Se restou R$ 1 e o garoto havia gasto R$ 3 em refrigerantes, ele teria R$ 4, que, com os outros R$ 4 (a metade do último resto) que gastou com a revista, dá R$ 8. Mas ele deu R$ 2 ao garçom e, portanto, teria R$ 20 ao ir à lanchonete. Então gastou R$ 10 no lanche (metade do resto), deu R$ 2 ao garçom e seguiu com R$ 8 para a banca de revistas. Ora, ele tinha dado R$ 1 de gorjeta para ficar com R$ 20. Assim, sua mesada foi de R$ 42, pois ele gastou a metade, R$ 21, na compra de um boné, ficando com R$ 21 e, após dar R$ 1 de gorjeta, seguiu com R$ 20 para a lanchonete

    3. ÓDIO / ADIO (primeira pessoa do presente do indicativo do verbo adiar) / ADIR (acrescentar) / AMIR (forma erudita de dizer “emir”, título dado aos soberanos de tribos muçulmanas) / AMOR

     

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