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5 cadernos que entraram para a história

De Darwin a Carolina de Jesus, cadernos são janelas à intimidade de monstros sagrados da história do conhecimento. Conheça alguns rabiscos célebres.

Por Manuela Mourão
18 fev 2025, 13h28

A grande maioria dos intelectuais e escritores deixou para trás cadernos repletos de anotações, caóticas ou meticulosas em geral, sem imaginar que seus pensamentos mais íntimos um dia estariam em domínio público. Hoje, esses papéis fazem parte do acervo de museus, como patrimônio a ser preservado. Conheça alguns deles abaixo:

Os cadernos roubados de Charles Darwin

Por 22 anos, dois cadernos de Charles Darwin, o pai da teoria da evolução por seleção natural, ficaram perdidos. Uma das páginas desses bloquinhos manuscritos continha o famoso esboço de uma árvore filogenética com as palavras I think (“eu acho”, português), que foi um passo icônico na elaboração das ideias que depois apareciam em A Origem das Espécies

rascunho da árvore que inspirou a origem das Espécies de Darwin
(Cambridge University Library/Reprodução)

A perda foi comunicada pela primeira vez em 2020. A última vez que eles haviam sido vistos, porém, fora em novembro de 2000, quando foram retirados do depósito especial da Biblioteca da Universidade de Cambridge sob um “pedido interno” para serem fotografados. Dois meses depois, durante uma verificação de rotina, os bibliotecários descobriram que os cadernos estavam desaparecidos.

Por muito tempo, acreditou-se que eles tivessem sido apenas colocados no lugar errado o que, em uma biblioteca com 200 km de estantes e mais de 10 milhões de exemplares, não era uma hipótese improvável.

No entanto, em 2017, uma nova administração procurou pelos exemplares e não os encontrou. Foi só então que a Universidade percebeu que os cadernos poderiam realmente ter sido roubados. Foram necessários mais três anos até que fosse lançada uma campanha de apelo para a recuperação dos manuscritos.

Os cadernos continuaram perdidos até 2022, quando, surpreendentemente, apareceram na porta da biblioteca, dentro de uma sacola cor-de-rosa, acompanhados de um bilhete misterioso, que se dirigia à bibliotecária de plantão e desejava uma feliz Páscoa.

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Imagem de um folha de papel nele estava impressa uma curta mensagem:
(Biblioteca da Universidade de Cambridge/Reprodução)

 As páginas radioativas de Marie Curie

As descobertas e experimentos de Marie Curie e seu marido Pierre, pioneiros na investigação de fenômenos radioativos, foram registradas em uma série de caderninhos, que mais tarde foram entregues à Biblioteca Nacional da França.

Fotografia do caderno de laboratório de Curie
(Biblioteca Bem-vindo/Biblioteca Nacional da França./Reprodução)

Os principais trabalhos dos Curie datam do início dos anos 1900. Em geral, acervos dessa época são guardados em salas climatizadas, e o manuseio é feito com luvas especiais para evitar danos ao material.

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No caso dos cadernos de Marie Curie, a preocupação é oposta. Quem deve tomar cuidado é a pessoa que deseja manusear as folhas. Isso porque, mais de 100 anos depois de terem sido escritos, os materiais permanecem radioativos.

Na verdade, muitos objetos do casal compartilham essa característica, desde livros de receita até móveis e ficarão assim pelos próximos 1.500 anos, já que foram contaminados por rádio (Ra) 226, que tem uma meia vida de 1.600 anos.

Para acessar os cadernos, é necessário abrir as caixas de chumbo em que ficam guardados, usando roupas especiais, após assinar um termo de responsabilidade. O termo afirma que o visitante está ciente de que os cadernos podem causar intoxicação e que a biblioteca não se responsabiliza por eventuais problemas de saúde.

O caderno de 30 milhões de dólares

O Codex Leicester é uma coleção de escritos científicos do polímata Leonardo da Vinci. O nome foi dado em homenagem a Thomas Coke, conde de Leicester, que comprou os manuscritos em 1719.

O códice oferece uma visão fascinante da mente do artista, cientista e pensador da Renascença, além de ser uma ilustração excepcional da conexão entre arte e ciência e da criatividade no processo científico.

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Entre os escritos, encontram-se rascunhos sobre o fenômeno físico do atrito, explicações sobre o motivo de fósseis de criaturas marinhas serem encontrados em montanhas – o que sugeria, centenas de anos antes de ser aceita, a teoria das placas tectônicas –, uma análise sobre o movimento das águas dos rios e como ele é afetado por objetos no caminho e até hipóteses sobre o brilho e a superfície da Lua.

Em 1980, o Codex foi adquirido pelo colecionador de arte Armand Hammer. Quatorze anos depois, foi vendido em leilão para Bill Gates por US$ 30.802.500 (um valor que, ajustado para a inflação, hoje seria aproximadamente o dobro).

Os cadernos de comunicação de Beethoven 

Um dos pianistas mais importantes da história ficou surdo. Quando Ludwig van Beethoven compôs sua obra mais famosa, a Nona Sinfonia, ele já não ouvia mais. Para resolver seu problema de comunicação – numa época em que, assim como ainda hoje, a linguagem de sinais era pouco conhecida – o compositor carregava caderninhos.

Nesses cadernos, Beethoven se comunicava com colegas, amigos e familiares. Além de diálogos, as páginas registram listas de compras, tarefas a serem realizadas, ideias para melodias, notícias de jornais, o número de galinhas no quintal e até reflexões e memorandos sobre os processos judiciais relacionados à tutela de seu sobrinho Karl.

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Os cadernos passaram por diversos destinos: foram vendidos à Biblioteca Real da Prússia, usados por Alexander Wheelock Thayer em sua biografia de Beethoven, roubados pouco após a 2ª Guerra e finalmente, em 1959, recuperados e devolvidos à Alemanha.

Posteriormente, os cadernos foram traduzidos e publicados. As versões originais estão no Departamento de Música da Biblioteca Estadual de Berlim.

Os cadernos catados de Carolina Maria de Jesus

Hoje, Carolina Maria de Jesus é considerada uma das maiores escritoras do Brasil, mas nem sempre foi assim.

Carolina nasceu em Sacramento, Minas Gerais, no início do século 20. Filha de pais negros e de um relacionamento extraconjugal, começou a frequentar a escola aos sete anos, a pedido de sua mãe. Foi nesse ambiente que ela despertou para a escrita. Alguns anos depois, mudou-se para São Paulo, especificamente para a antiga favela do Canindé.

Ela construiu sua casa com materiais improvisados e trabalhava como catadora de papel para sustentar a família. Enquanto isso, registrava o cotidiano da comunidade em cadernos que encontrava no lixo.

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Vista do enunciado Cadernos de Carolina de Maria de Jesus na 34ª Bienal de São Paulo.
(Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo/Reprodução)

Na década de 1950, o jornalista Audálio Dantas conheceu Carolina e ajudou a divulgar sua história, que retratava a vida no Canindé. O livro resultante, Quarto de Despejo (1960), foi um best seller internacional e permitiu que suas condições de vida melhorassem um pouco, ainda que os royalties não tenha sido suficientes para tirá-la da pobreza. 


Cadernos têm o poder de eternizar aprendizados e momentos de uma forma que anotações no bloco de notas do celular não conseguem. Além disso, há benefícios comprovados para a saúde mental em registrar seus pensamentos no papel (mais sobre isso, você pode ler aqui).

Para isso, nada melhor do que comprar um dos novos cadernos da parceria da Super com a Jandaia. Por trás de capas lindas há o recurso JandaIA: um aplicativo que digitaliza o conteúdo das suas anotações a partir de fotos e usa uma inteligência artificial generativa, treinada apenas com fontes confiáveis, para tirar dúvidas e auxiliar nos estudos. A união perfeita entre o mundo escrito e o digital. Acesse o este link para saber mais.

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