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A história do Rock – Capítulo 1

O rock é um bebê da música negra dos escravos americanos com o folk do norte da Europa. Veja aqui um pouco sobre os precursores do gênero.

Por Ivan Finotti - Atualizado em 8 out 2019, 18h53 - Publicado em 21 ago 2019, 14h44

Rock’n’roll é o nome do movimento que levou a música negra para a sala de estar dos brancos dos Estados Unidos. Não apenas a música – também as gírias, o comportamento e a dança sensual dos afro-americanos.

O que soa natural no século 21 escandalizou a elite americana da década de 1950. Os Estados Unidos eram um lugar racista e segregado. A população negra, em algumas partes do país, sequer podia ocupar assentos reservados para os brancos nos ônibus.

Little Richard e Chuck Berry desafiaram a ordem e foram além: sem qualquer cerimônia, seduziram as filhas da classe dominante com seu ritmo. “Rock and roll”, literalmente, significa “balançar e rolar”. É uma alusão bastante clara ao ato sexual.

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Àquela altura, já era tarde demais para os tiozões segregacionistas. O rock, um bebê mestiço, representava a miscigenação consumada. Nasceu do cruzamento do blues com a música branca rural.

O blues surgiu no começo do século 20, nos campos de algodão do sul dos Estados Unidos. O canto triste era expressão de lamento e distração do trabalho árduo dos negros na colheita.

Já a música caipira branca tinha duas vertentes: o country, do homem do campo, e o western, dos vaqueiros que conduziam rebanhos em regiões remotas. Ambas descendem da música folclórica do norte da Europa – canções tradicionais celtas, inglesas e germânicas.

Tanto o blues quanto o country & western davam voz a gente simples, de pouca instrução. No Sul, o blues extrapolou a lavoura e ganhou as cidades. Ganhou também letras de conotação sexual quase explícita, obscenas para os padrões do homem branco. Viajou para o norte com os lavradores que buscavam uma vida melhor nas fábricas. Em Chicago, o blues se tornou elétrico e cada vez mais acelerado.

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Ao mesmo tempo, o country & western se tornava um fenômeno popular, com a expansão da radiofonia e da televisão, que levavam entretenimento aos cafundós do país. O programa de rádio Grand Ole Opry, transmitido de Nashville, no Tennessee, faz sucesso até hoje.

Brancos e negros lutaram lado a lado na Segunda Guerra Mundial. Depois disso, nada seria como antes. Os negros se rebelaram contra a ordem vigente. Em Chicago, artistas como Buddy Guy e Willie Dixon ganhavam multidões com solos de guitarra e letras safadas. A Chess Records, gravadora fundada por judeus poloneses em 1950, fez história e fortuna com discos de blues destinados aos operários negros.

Até que um dia surgiu um menino caipira branco chamado Elvis. E aí começava a história do rock’n’roll.

 

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Hank Williams foi o primeiro astro pop da América profunda – o interior rural e branco dos Estados Unidos. Até hoje ele é considerado o maior artista country de todos os tempos. O caubói Hank também foi pioneiro na mescla do country com a música negra. “Move It On Over”, de 1947, tem a levada caipira com a progressão harmônica do blues – é um dos primeiros exemplares do rockabilly. Williams, além disso, inaugurou o estilo de vida rock’n’roll. Portador de uma doença congênita que lhe causava dores terríveis – e o salvou de lutar na 2ª Guerra –, ficou viciado em morfina. Também bebia além da conta e morreu em 1952, aos 29 anos, envenenado por uma mistura de álcool com hidrato de cloral (um sedativo popular na época). Divulgação/Reprodução

 

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História e lenda se confundem na curta trajetória de Robert Johnson, o nome máximo do Delta Blues – nome dado ao estilo de tocar dos bluesmen do baixo Mississippi. Sua incrível habilidade para interpretar e compor era atribuída a um pacto com o Diabo. O próprio Johnson alimentou esse mito na música “Cross Road Blues” – o blues da encruzilhada, que narra o suposto encontro do músico com o coisa-ruim. Robert Johnson deixou só 29 músicas gravadas. A força desse escasso material bastou para moldar o estilo de artistas de todas as gerações do rock, de Chuck Berry a Greta Van Fleet. Os Rolling Stones e Eric Clapton, com suas regravações de “Love in Vain” e “Cross Road Blues”, foram os maiores responsáveis pela divulgação da obra de Johnson para o público branco. O bluesman morreu em 1938, quando o marido de uma de suas amantes o teria envenenado. Se é lenda ou fato, ninguém sabe. Divulgação/Reprodução

 

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O blues elétrico de Muddy Waters é a pedra basilar daquilo que mais tarde viria a se chamar rock. Nascido no Mississippi, ele migrou para Chicago para trabalhar em uma fábrica de papel – e dar energia urbana à música nascida nos algodoais do Sul. Já nos anos 1940, o carismático Muddy fazia tudo o que seria imitado pelos rockstars das décadas seguintes: tocava solos estridentes de guitarra, provocava a plateia, berrava no microfone. Sua fama atravessou o Atlântico para inspirar um quinteto de magricelas ingleses que queriam ser negros: os Rolling Stones, cujo nome vem de uma composição do bluesman. Graças a eles, Muddy saiu do gueto de Chicago para o estrelato mundial. Divulgação/Reprodução

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