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Livro da Semana: “O Polegar do Panda”, de Stephen Jay Gould

Em uma coletânea de ensaios sobre a vida e nossa saga para conhecê-la, Gould fala sobre baleias, ácaros, Darwin e a passagem inexorável do tempo – e faz cada um desses assuntos valer a pena.

Por Bruno Vaiano - Atualizado em 13 ago 2020, 18h25 - Publicado em 13 ago 2020, 18h19

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Stephen Jay Gould foi o cara que todo mundo queria ser quando crescesse: esse paleontólogo roliço e bigodudo, com cara de policial de desenho animado, dividiu sua carreira entre os fósseis do Museu de História Natural de Nova York e o ensino de biologia evolutiva em Harvard.

Ele também era uma polêmica ambulante: além de marxista ferrenho, se opunha ao reducionismo e ao determinismo biológico. Por causa dessas visões, Gould saia em quebras filosóficos violentos nos jornais com seus adversários acadêmicos Richard Dawkins e Edward O. Wilson.

Reducionismo é a ideia de que todo fenômeno pode ser explicado integralmente em termos de fenômenos mais simples. Por exemplo: um animal é feito de átomos, então poderíamos saber tudo que há para se saber sobre esse animal se tivéssemos poder computacional suficiente para analisar cada um de seus átomos. Já o determinismo é, grosso modo, a ideia de que nossos genes contribuem muito mais que o ambiente na tarefa de moldar nossa personalidade e comportamento.

Por décadas, Gould escreveu centenas de artigos para leigos na revista Natural History, que foram compilados e publicados em mais de dez livros. Uma das melhores coletâneas é O Polegar do Panda, publicado no Brasil pela editora WMF Martins Fontes. São 297 páginas deliciosamente aleatórias.

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Gould vai atrás do autor belga que Darwin estava lendo quando teve seu momento de luz, explica a evolução do Homo sapiens com base na cabeça do Mickey Mouse, conta a história de um ácaro que morre antes de nascer, fala de como o tempo passa em câmera-lenta para as baleias e das conchas fósseis que contam a história das marés. Tudo isso citando Homero, Alexandre e Napoleão.

A lenda de Harvard escreve mais como um autor de ficção (ou como um teórico de humanas) que como um biólogo. Quem tem dificuldade com livros de divulgação científica tradicionais – mas curte os clássicos da literatura – talvez se dê bem com seu estilo.

Já quem curte uma escrita mais fria e impessoal vai se confundir um bocado nos meandros e voltas do texto, que às vezes fica pomposo de tão erudito. Uma coisa é garantida: o livro está cheio de momentos de luz. Daquelas explicações sobre o mundo que fazem você ficar olhando de queixo caído para a parede depois que acaba de ler.

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