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28 dez 2009, 00h00 • Atualizado em 31 out 2016, 19h01
  • Ciência mais acessível 

    O momento criativo – Mito e alienação na ciência moderna, Joseph Schwartz, Editora Best Seller, São Paulo, 1992

    Por que os físicos não apresentam novas descobertas desde 1920? Por que a Teoria da Relatividade de Einstein é tão famosa e enigmática, quando não deveria ser? Estas e outras questões são abordadas nessa retrospectiva da história da ciência escrita pelo físico Joseph Schwartz. De maneira polêmica e irônica, o autor tenta mostrar como a ciência foi se distanciando da realidade. Para ele, de 1851 ao início da Primeira Guerra Mundial, a ciência foi o orgulho da Europa e atraía platéias e a participação popular. Um bom exemplo é o da cidade de Leeds, no norte da Inglaterra, onde existiam seis sociedades de microscopia amadora. Porém, a concepção de ciência parou no período vitoriano e ela acabou por se tornar fechada e inacessível.

     

     

     

     

    A infância da tecnologia

    Histórias de autômatos, Mano G. Losano, Companhia das Letras, São Paulo, 1992

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    O Pato digeridor, construído pelo francês Jacques De Vaucanson, em 1738, talvez seja o exemplo mais acabado dos brinquedos mecânicos que imitavam os sons e os movimentos dos homens e animais: ele engolia, digeria e expelia grãos de milho. A história desses mecanismos que tem origem no inicio de nossa civilização e alcançam grandes transformações no século XVII, é contada pelo autor, professor de Teoria Geral do Direito da Universidade de Milão e especializado em Informática. Ao percorrer esses caminhos, Losano, além de reconstruir a história da técnica, mostra quem eram os construtores dessas máquinas, precursoras da mecânica moderna, por que decidiram construí-las e como reagiam os que deparavam com elas. Os autômatos desapareceram quando as máquinas, em pleno século XX, passaram a fazer parte do cotidiano.

     

     

     

     

    Ideais esquecidos

    Origens intelectuais da revolução inglesa, Christopher Hill, Martins Fontes, São Paulo, 1992

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    De 1640 a 1660, a Inglaterra foi sacudida por turbulências políticas. Primeiro, foi a guerra civil, que colocou em campos opostos o rei Carlos I e o Parlamento, terminou com a execução do monarca e viu nascer a única experiência republicana já tentada na ilha inglesa. Oliver Cromwell, o grande líder dessa verdadeira revolução, instalou sua feroz ditadura, que persistiu por onze anos e terminou na restauração da monarquia, inabalável até hoje. A partir da analise daquela época, o historiador marxista inglês Christopher Hill revela as idéias que estavam por trás dos seus aspectos religiosos e políticos. Daí seu interesse em registrar as origens sociais e intelectuais do movimento. Não por serem as principais e mais importantes, mas porque foram frequentemente esquecidas pela historiografia.

     

     

     

     

    Estilo cigano de ser

    Paris boêmia, Jerrold Seigel, L&PM Editores, Porto Alegre, 1992

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    “Seus limites eram a pobreza e a esperança, a arte e a ilusão, o amor e a vergonha, o trabalho e alegria, a coragem, a difamação e o hospital.” Assim, americano Jerrold Seigel define a boêmia. Não a província que hoje faz parte da Checoslováquia, mas outra, que não está no mapa. Marca registrada da romântica Paris do século XIX, a boêmia era antes de mais anda um estilo de vida cigano, por onde caminharam poetas e artistas como Paul Verlaine, Honoré de Balzac, Arthur Rimbald, Emile Zola, Paul Cézanne e Pablo Picasso, entre outros. Seu inventor foi o escritor Henri Murger e suas criações são conhecidas mesmo de quem jamais tenha ouvido falar dele. Bons exemplos são os famosos personagens da ópera La Bohème, de Giacomo Puccini, Rodolfo, Museta, Marcelo e Mimi encarnam Murgem e seus amigos, famosos pela vida desregrada e pobre que levavam muito antes de chegarem ao palco pelas mãos do maestro. De acordo com Seigel os boêmios tiveram influência direta nas grandes transformações sociais e artísticas do século XX.

     

     

     

     

    Biografia romanceada

    Sonhos tropicais, Moacyr Scliar, Companhia das letras, São Paulo, 1992

    A biografia do medico e pesquisador Oswaldo Gonçalves Cruz transformou-se em romance nas mãos do escritor gaúcho Moacyr Scliar que, como seu personagem, também é medico e sanitarista. As atribulações vividas por ele, as revoltas sociais e políticas que provocou no Rio de Janeiro do inicio do século, por suas campanhas de saúde pública, são reconstituídas quase noventa anos depois, na ação de dois personagens: um médico alcoólatra e desempregado e um pesquisador americano. Por diferentes razões eles decidem estudar a vida de Oswaldo Cruz e acabam por acompanhar as transformações pelas quais passou a capital federal, naquela época infestada pelos ratos e mosquitos, e hoje dominada pela violência urbana. Ao lado disso Scliar revela também as dificuldades que a ciência enfrentava num pais marcado pela desinformação e pelo atraso.

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