Aniversário da Abril: Super por apenas 9,90

Memória musical

Por Clarissa Passos Garcia 31 dez 2004, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h48
  • Muito antes de os CDs invadirem o mercado para ofuscar os velhos vinis com a promessa de som mais claro, crianças passaram um bom tempo sentadas diante da vitrola. Tirando de letra os chiados e revoltando-se com discos riscados (sem contar o problemão que era acertar o início das faixas caso você não quisesse ouvir o bolachão desde o começo), elas acompanhavam inocentes narrações de fábulas, canções que punham em xeque a sexualidade do King Kong ou até descreviam uma apimentada aula de piano.

    O sucesso era grande e rendeu bons frutos. Também, pudera: esses discos infantis combinavam propostas interessantes a arranjos cuidadosos, em material feito por grandes nomes da música e da poesia brasileira. Pronto para viajar ao seu passado musical? Então siga a bolinha e cante com a gente.

     

     

    Coleção Disquinho (1960)

    João de Barro descobriu um nicho ao adaptar clássicos da literatura infantil. Criou os minivinis coloridos que embalaram gerações – foram relançados em 2001

    Continua após a publicidade

    De ouvido: “Pela estrada afora, eu vou bem sozinha/ Levar esses doces para a vovozinha”. Pobre Chapeuzinho, mal sabia que a esperava o Lobo Mau, aquele que pegava “criancinhas pra fazer mingau”

    Uma nota, maestro: João de Barro era a alcunha adotada por Braguinha, parceiro de músicos como Pixinguinha e Noel Rosa

    Os Saltimbancos (1977)

    Sob os olhos da censura, Chico Buarque traduziu o musical infantil inspirado num conto dos Irmãos Grimm. Seria a saga do Jumento, do Cachorro, da Galinha e da Gata a lutar por liberdade uma parábola social?

    De ouvido: “Nós gatos já nascemos pobres/ Porém, já nascemos livres”. A voz bossa nova de Nara Leão embalava o tema que ficou famoso

    Continua após a publicidade

    Uma nota, maestro: A primeira montagem, exibida no Canecão, tinha Marieta Severo, Antônio Pedro, Miúcha e Grande Otelo nos papéis dos animais que querem formar um conjunto musical

    A Arca de Noé, 1 (1980) e 2 (1981)

    O especial adaptou poesias publicadas por Vinicius de Moraes em 1970 e escalou intérpretes do calibre de Elis Regina. Ganhou um prêmio Emmy em 1981

    De ouvido: “Lá vem o pato, pata aqui, pata acolá/ Lá vem o pato para ver o que é que há”. “Pato Pateta”, com o MPB4, embalou muita formatura pré-escolar

    Uma nota, maestro: As Frenéticas cantaram “Lição de Piano”, história de uma menininha que se apaixona pelo professor (“tira a mão daí/ dó, dó, ré, dó, si/ assim não dá pé/ mi, mi, fá, mi, ré/ e agora o sol, fá pra lição acabar”). Se fosse na era do politicamente correto…

    Continua após a publicidade

    Pirlimpimpim (1982)

    No centenário de Monteiro Lobato, os personagens do Sítio do Picapau Amarelo foram interpretados por cantores: Baby Consuelo era a Emília, Moraes Moreira o Visconde e Jorge Ben ficou na pele do Saci

    De ouvido: Ângela Ro-Rô, que interpretou a Cuca, apavorava ao entoar a canção-tema da vilã, com o gutural “Lindooooona!”

    Uma nota, maestro: “Nosso Lindo Balão Azul”, de Guilherme Arantes, reunia quase toda a turma do programa. O clássico foi regravado até pela dupla Claudinho & Buchecha

    Casa de Brinquedos (1983)

    Continua após a publicidade

    Aretha, simpática figurinha carimbada dos infantis, passeava por uma casa cheia de brinquedos com vida. A composição das músicas ficou a cargo de Toquinho

    De ouvido: “Sou eu que vou seguir você do primeiro rabisco até o bê-á-bá/ Em todos os desenhos coloridos vou estar”. “O Caderno”, cantada por Chico Buarque, emociona marmanjos até hoje

    Uma nota, maestro: No refrão de “A Bicicleta”, Simone soletrava “bê, i, cê, i, cê/ éle, ê, tê, á/Sou sua amiga bicicleta”. Muita criança demorou anos para entender o que ela dizia

    Plunct Plact Zuuum (1983)

    Um grupo de crianças entediadas resolve viajar para o Planeta Doce. O nome da nave criada pelos pequenos dava título ao especial. No repertório, pérolas como a Gang 90 duvidando da masculinidade do rei dos macacos em “Será que o King Kong É Macaca?”

    Continua após a publicidade

    De ouvido: “Planeta Doce” foi feita sob medida para Jô Soares: “O Sol é um quindim e brilha doce até o fim/Nuvens de algodão doce, pirulitos nos jardins”

    Uma nota, maestro: “Carimbador Maluco” resgatou Raul Seixas. Para o desgosto de muitos fãs, que odiaram a presença do Maluco Beleza num especial da Globo

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
    Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

    Revista em Casa + Digital Completo

    Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 12,99/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).