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Star+: o que você precisa saber sobre o novo streaming da Disney

Plataforma estreia em 31 de agosto com produções originais, transmissão esportiva e conteúdos da antiga Fox, comprada pela Disney em 2019.

Por Rafael Battaglia Atualizado em 31 ago 2021, 17h54 - Publicado em 22 ago 2021, 18h18

No dia 31 de agosto, chega ao Brasil (mais) um serviço de streaming: o Star Plus (ou Star+), uma nova plataforma da Disney para os países da América Latina.

O objetivo do Star+ é reunir outros conteúdos distribuídos pela empresa para além dos que já existem no Disney+ (Marvel, Star Wars, Pixar, National Geographic e, claro, Disney), que estreou por aqui em novembro de 2020. A plataforma contará, por exemplo, com programação esportiva da ESPN, filmes e séries do Star (a antiga Fox), produções exclusivas e parte do catálogo do Hulu – outro streaming da empresa do Mickey, disponível apenas nos EUA.

O Star+ foi anunciado em agosto de 2020 pelo CEO da Disney, Bob Chapek; meses depois, em dezembro, o serviço foi confirmado, com mais detalhes sobre o seu funcionamento. Mas para entender essa história (e por que a Disney resolveu lançar outro streaming), é preciso voltar alguns anos, quando a empresa deu início a um dos maiores acordos da história da indústria do entretenimento.

Da Fox ao Star

No dia 14 de dezembro de 2017, a Disney anunciou a compra da 21st Century Fox por US$ 52 bilhões. A aquisição englobou toda a divisão de entretenimento da Fox (estúdios de TV e cinema, canais a cabo, etc.); outros setores da empresa, como o canal de notícias Fox News, permaneceram sob comando do bilionário Rupert Murdoch.

O acordo chamou a atenção pela quantidade de novas marcas e franquias que ficariam sob o guarda-chuva da Disney: Os SimpsonsX-Men, Avatar Planeta dos Macacos, só para citar algumas. Foi a quarta maior transação do setor, atrás apenas de alguns acordos entre a Time Warner e empresas de telecomunicações, como a americana At&T.

Aquisições do tipo, claro, não acontecem da noite para o dia. Depois da notícia, a empresa de telecomunicações americana Comcast ofereceu US$ 65 bilhões pela 21st Century Fox (a companhia já era dona desde 2011 de outro conglomerado de mídia, a NBCUniversal). A proposta obrigou a Disney a subir o valor para US$71,3 bilhões, preço final do negócio com a Fox.

  • Além disso, foi preciso também adequar a compra nos mercados de cada país, para evitar qualquer entrave legal. No Brasil e no México, por exemplo, a Disney foi notificada de que precisaria se desfazer do canal Fox Sports. Por aqui, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) apontou a possibilidade de um duopólio nos canais esportivos da TV a cabo: de um lado, a Disney, dona da ESPN e do Fox Sports; do outro, a Globo com o SporTV. Meses depois, contudo, o Cade voltou atrás e a venda não aconteceu.

    A compra foi concluída em março de 2019; em 2020, a Disney começou a mudar o nome de suas novas aquisições para limar a marca “Fox”. O estúdio 20th Century Fox, por exemplo, virou 20th Century Studios.

    Foi um período conturbado para alguns filmes da Fox que ainda não haviam sido lançados – em muitos casos, a transição para a Disney fez com que a data de estreia fosse adiada. Os Novos Mutantes, da franquia X-Men, estava prometido para 2018, mas só chegou aos cinemas no final de 2020. Já A Mulher na Janela foi parar na Netflix, que adquiriu os seus direitos de distribuição.

    Outra mudança, mais recente, aconteceu em fevereiro deste ano, quando os canais Fox mudaram para “Star”. O nome veio de uma emissora da Ásia com sede em Hong Kong, comprada pela Fox nos anos 1990.

    No Brasil, a troca motivou outro imbróglio jurídico. O canal Starz entrou com um processo contra a Disney, alegando que o nome “Star” era praticamente idêntico ao seu e ao de seu streaming, o Starzplay. Convenhamos: eles tinham um ponto.

    Em agosto, as duas empresas chegaram a um acordo: o processo não foi para frente, e a Disney pagará R$ 50 milhões ao Starz por possíveis danos que ela poderá causar no mercado brasileiro.

    Quais serão os conteúdos do Star+?

    cena da serie
    Cena da série “Y: O Último Homem” FX/Reprodução

    O Star+ reunirá séries como Grey`s Anatomy, The Walking Dead e This Is Us – produções que já fazem sucesso em outras plataformas, como Netflix, Globoplay e Amazon Prime Video. Ainda não se sabe se elas se tornarão exclusivas da nova plataforma da Disney.

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    Além disso, haverá também conteúdos originais. Até agora, há 66 produções da América Latina confirmadas, como O Rei da TV, série brasileira que contará a história de Silvio Santos. Outro destaque é Y: O Último Homem, série do canal FX inspirada no quadrinho pós-apocalíptico de Brian K. Vaughan, roteirista de alguns episódios de Lost.

    A Disney confirmou também, sem entrar em detalhes, que alguns títulos presentes no Hulu estarão disponíveis por aqui. Dentre eles estão o drama Pam & Tommy, estrelado por Lily James e Sebastian Stan e que narra a vida de casal da atriz Pamela Anderson e Tommy Lee, baterista do Mötley Crüe, e M.O.D.O.K., animação sobre o vilão da Marvel que dá nome ao programa.

    Outra novidade do Star+ é a presença do conteúdo esportivo da ESPN, como transmissões de campeonatos e programas jornalísticos. Até então, a programação do canal só estava disponível via streaming nos EUA, onde o ESPN+ opera desde 2018. Por lá, a plataforma possui quase 15 milhões de usuários.

    jogadores da NBA durante uma partida de basquete
    NBA/Divulgação

    Mas, afinal: por que a Disney vai criar mais um serviço de streaming? Não seria o caso de incluir os novos conteúdos no Disney+?

    À Super, a Disney explicou que a decisão levou em conta a segmentação e as preferências do seu público na América Latina, além do conteúdo esportivo da ESPN, que difere da proposta do Disney+. “Acreditamos que nossa proposta geral de entretenimento e esportes justifica ter uma plataforma separada”, disse a empresa.

    O que vai acontecer com os antigos conteúdos da Fox que estão no Disney+?

    Atualmente, é possível encontrar no Disney+ sete filmes da franquia X-Men e as temporadas 29 e 30 de Os Simpsons, além de algumas outras produções que pertenciam à Fox, como A Era do GeloEsqueceram de Mim e Percy Jackson.

    a família simpsons
    FX/Reprodução

    Desde o lançamento do streaming no Brasil, o catálogo incompleto gerou reclamações por parte de alguns usuários – fãs dos Simpsons, por exemplo, não encontraram todas as temporadas da família amarela. Deadpool Logan, filmes do universo X-Men com classificação indicativa mais alta, também ficaram de fora.

    De acordo com a Disney, os conteúdos que já estão no Disney+ continuarão por lá, mas é o catálogo do Star+ que reunirá o acervo completo da antiga Fox – incluindo, claro, produções mais recentes do Star, como a 32ª temporada de Os Simpsons, que terminou em maio.

    Qual é o preço da assinatura?

    No Brasil, a mensalidade do Star+ custará R$32,90. O plano único oferece ao usuário a possibilidade de usar a plataforma simultaneamente em até quatro dispositivos. É um preço mais barato que Netflix (R$55,90 por mês no plano de quatro telas), mas mais salgado que outras concorrentes, como Amazon Prime Video e Apple TV+ (R$9,90 por mês).

    Mas haverá alguns meios de baratear a assinatura, como pagar pelo plano anual ou adquirir o combo com o irmão Disney+ (veja a tabela abaixo). Outras empresas que colocarem o streaming em pacotes de TV e internet também poderão alterar o preço da mensalidade.

    lista de pacotes de combos da disney plus

    Disney +/Divulgação

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