Texto: Maria Clara Rossini | Edição: Bruno Garattoni | Design: Juliana Krauss | Ilustração: Felipe Del Rio
Texto originalmente publicado em abril de 2020.
Às 8h46 da manhã, um Boeing 767 da American Airlines, com 92 passageiros, explodiu ao bater na torre norte do World Trade Center, em Nova York. Parecia um acidente insólito, mas essa impressão logo se desfez: às 9h03, o segundo avião, outro Boeing 767, acertou a torre sul do WTC. Ninguém sabia quem eram os inimigos, mas ficou claro que os EUA estavam sendo atacados. O presidente George W. Bush, que participava de um evento numa escolinha na Flórida, foi levado para o Air Force One, que decolou para Washington. O vice-presidente, Dick Cheney, imediatamente desceu para um bunker no subsolo da Casa Branca, de onde comandou a resposta aos atentados (e às 10h10 deu a ordem, que entraria para a história, para a Força Aérea derrubar o voo United 93, que transportava 37 cidadãos americanos – e acabou caindo sozinho).
O bunker, que se chama Presidential Emergency Operations Center (PEOC), foi construído durante a Segunda Guerra Mundial, para abrigar o então presidente Franklin Roosevelt em caso de um ataque nazista contra Washington. A maioria dos detalhes é mantida em segredo pelos EUA: sabe-se, apenas, que ele fica sob a ala leste da Casa Branca, possui proteção contra ataques nucleares e biológicos – e tem suprimentos para que o presidente e sua equipe sobrevivam por um longo, e indeterminado, período. É um dos bunkers mais seguros que existem; talvez o mais seguro. Mas está longe de ser o único: estima-se que existam milhares de bunkers particulares espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil – se você mora em São Paulo, e já passou na frente de mansões do Morumbi ou dos Jardins, pode ter passado diante de bunkers, sem nem suspeitar disso.
Um bunker pode ser um complexo cheio de tecnologias de ponta, preparado para todos os cenários possíveis; ou um ambiente rudimentar, escasso, típico de campo de guerra. Os bunkers existem há mais de cem anos, e não são papo de conspiracionistas que acreditam no fim do mundo. Eles começaram como fortificações militares até se transformarem em um mercado milionário.
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