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20 conflitos militares ocorridos entre 1406 a.C. e 74 d.C

As guerras mais violentas das Escrituras Hebraicas, travadas ao longo de 1 500 anos de história

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h16 - Publicado em 16 fev 2013, 22h00

Eduardo Szklarz

A conquista de canaã, terra prometida por Deus aos israelitas, começa por volta do século 21 a.C., com os profetas Abraão e Moisés. Mas foi só com o guerreiro Josué, provavelmente no fim do século 15 a.C., que o avanço dos hebreus sobre aquele território assumiu características de uma autêntica campanha militar. Primeiro, ele liderou um ataque devastador à fortaleza de Jericó. Depois, passou como um rolo compressor sobre os demais reis cananeus que controlavam a região. Foi sucedido no comando por outros líderes igualmente carismáticos e determinados – como os juízes Débora e Gideão, ou os reis Saul e Davi. Assim foi sendo escrita uma história de grandes vitórias, todas registradas na Bíblia.

Nem só de glórias, porém, foi feita a trajetória israelita na ocupação da Terra Prometida. Eles colecionaram derrotas também. Sofreram nas mãos dos assírios, foram deportados e escravizados pelos babilônios, sucumbiram aos selêucidas e terminaram destroçados pelos romanos. Acompanhe nas próximas páginas essa longa jornada de sangue, suor e fé.

 

 

Linha do tempo
Com a morte do profeta Moisés, o Guerreiro josué vira líder militar dos israelitas e dá início a conquista da terra prometida

1406 a.C.

BATALHA DE JERICÓ
Coube a Josué, sucessor de Moisés, a liderança do exército israelita que partiria com tudo para a conquista de Canaã. O primeiro alvo é a cidade fortificada de Jericó – uma posição estratégica no vale do rio Jordão.

QUEM CONTRA QUEM – Soldados das tribos israelitas e os cananeus habitantes de Jericó.

ONDE – A cidade ficava na margem ocidental do Jordão, a cerca de 15 quilômetros do mar Morto.

POR QUê – Além de ser um oásis (o que significava água fresca e produção de alimentos), Jericó era uma espécie de porta de entrada para a cadeia de montanhas da Judeia – de onde as tropas de Josué poderiam observar o movimento dos inimigos e lançar ataques a outras cidades-estado canaanitas. A intenção de Josué era usar a cidade como cabeça de ponte para o avanço de seu exército pelo rio Jordão.

RESULTADO – Todos os habitantes de Jericó foram mortos e Josué fez questão de que a notícia do massacre corresse, para deixar apavorada a população de outras cidades canaanitas. Assim começou a campanha israelita pela conquista da Terra Prometida.

 

1406 a.C. – Reis cananeus começam a negociar uma coalização

1. Dois espiões de Josué se infiltram entre os cananeus e vão a um bordel para obter informações sobre o inimigo.

2. Josué ordena que alguns de seus homens marchem por 6 dias ao redor da cidade tocando trombetas e levando a Arca da Aliança. É provável que ele tenha usado essa tática para confundir ou assustar os defensores de Jericó.

3. No 7º dia, o restante do exército israelita se junta aos trombeteiros com gritos de guerra. Parte das muralhas vem abaixo – segundo a Bíblia, um milagre de Deus. Os soldados de Josué, então, invadem a cidade, saqueiam-na e promovem uma chacina.

1406 a.C. – As cidades canaanitas de Gibeão fazem uma aliança com os israelitas

ARMA SECRETA
Construída com madeira de acácia e coberta de ouro, a Arca da Aliança guardava as tábuas dos 10 Mandamentos. A Bíblia fala dela secando rios e causando destruição. Provavelmente era levada à frente de batalha para dar ímpeto aos combatentes – afinal, ela representava a presença de Deus ao lado dos israelitas.

MURALHA DUPLA
Jericó era cercada por duas muralhas de pedra com 2 metros de largura na base e até 5 metros de altura. Construídas por volta do ano 8000 a.C., sua função original era proteger a cidade das inundações do rio Jordão.

VIDA URBANA
Estima-se que a população de Jericó fosse de até 2 mil habitantes – 20% deles responsáveis pela defesa. A cidade era próspera. Seus comerciantes faziam negócios com o Egito.

VISTA PRIVILEGIADA
Jericó dava acesso à cadeia de montanhas que atravessa a região longitudinalmente – uma posição estratégica para qualquer general que quisesse conquistar as demais cidades-estado canaanitas.

OÁSIS COBIÇADO
A Bíblia descreve Jericó como a “cidade das palmeiras”. Por causa da existência de fontes d´água, seu entorno era uma mancha verde no meio do deserto. Havia abundância de árvores (inclusive frutíferas) e todas as condições necessárias para a criação de animais.

M ANIMAL
Feita de chifre de carneiro ou cabrito montês, a trombeta usada na batalha tem nome: shofar. Seu toque acabou virando tradição – ela é soprada nas sinagogas até hoje.

TEORIA SÍSMICA
Segundo a arqueóloga britânica Kathleen Kenyon, Jericó provavelmente foi destruída muito antes do período em que teria vivido Josué – por causa de uma sequência de terremotos que teria arrasado diversas cidades próximas à costa do Mediterrâneo (entre elas, Micenas).

 

1406 a.C.

CONQUISTA DE AI
Com uma base recém-estabelecida em Jericó, os israelitas avançam sobre a cadeia de montanhas da Judeia.

QUEM CONTRA QUEM – Israelitas e cananeus.

ONDE – Entre Jericó e Gibeão.

POR QUÊ – Para expandir seu domínio sobre Canaã, Josué precisava conquistar as montanhas da Judeia. Elas serviriam como proteção natural para seu exército, que ainda contava com armamento precário. A cidade de Ai estava no caminho para a cordilheira. Antes de atacá-la, porém, o chefe militar dos israelitas fez uma aliança com a vizinha Gibeão – além de guerreiro, ele se mostrava um astuto negociador.

RESULTADO – Os israelitas sofreram baixas importantes no primeiro dia. A marcha nas montanhas havia deixado todos muito cansados. Josué, então, revelou outra de suas facetas: a de tático. Ele simulou uma retirada e foi perseguido pelas tropas inimigas. Com a guarda baixa, os cananeus foram surpreendidos pelo ataque de uma força israelita que permanecia escondida e acabaram aniquilados.

JOSUÉ 8:25-26
O total dos que morreram naquele dia (…) foi de 12 mil, todos da cidade de Ai(1). Josué não retirou a mão que ele tinha levantado com a sua lança, até que foram mortos todos os habitantes de Ai(1).

CONTROVÉRSIA ARQUEOLÓGICA
Diz a Bíblia que os israelitas queimaram Ai e mataram todos os seus habitantes. Para muitos arqueólogos, no entanto, essa história não passa de mito. Escavações feitas em Et-Tell, numa área que corresponderia à antiga Ai, demonstram que o lugar realmente foi queimado, mas por volta de 2400 a.C. – ou seja, mil anos antes de Josué. Mesmo assim, há quem considere que o relato bíblico está correto, como os arqueólogos americanos Gary Byers e Bryant Wood. Para eles, errado é considerar que Ai ficava onde hoje está Et-Tell. Outras localidades, como Khirbet el-Maqatir, podem ter sido o verdadeiro palco da conquista.

1405 a.C. 

ÁGUAS DE MEROM
Reis canaanitas se unem para deter o avanço de Josué sobre seus domínios, mas são trucidados.

QUEM CONTRA QUEM – Soldados israelitas e uma coalizão de tropas canaanitas comandadas por Jabim, rei da cidade-estado de Hazor.

ONDE – Vale das Águas de Merom, na Galileia.

POR QUÊ – Os israelitas desconfiaram de que cidades como Hazor, Madom e Sinrom, no norte de Canaã, estavam formando uma aliança militar para derrotá-los.

RESULTADO – Antes que o exército inimigo se organizasse, Josué atacou e riscou do mapa a ameaça canaanita. A vitória garantiu aos israelitas uma presença permanente na Galileia e domínio total sobre a maior parte de Canaã. Serviu também para elevar o moral dos combatentes. Eles haviam vencido um adversário muito mais forte, que dispunha de armas sofisticadas como carros de guerra e ainda levava vantagem numérica.

JOSUÉ 11:9-11
Josué tratou-os como o Senhor lhe tinha dito: jarretou seus cavalos e incendiou seus carros. Voltando, (…) tomou Asor e matou à espada seu rei, porque Asor era antigamente a capital de todos esses reinos. Passaram a fio da espada toda alma viva nessa cidade e votaram-na ao interdito. Nada ficou de tudo que tinha vida, e incendiou-se Asor.

1240 a.C.

VITÓRIA BRE SÍSERA
Com a morte de Josué, os israelitas são subjugados pelos cananeus. A situação só começa a ser revertida com os juízes – líderes religiosos e militares de Israel.

QUEM CONTRA QUEM – Israelitas, agora liderados pela juíza Débora, e uma aliança canaanita sob o comando do general Sísera.

ONDE – Perto do monte Tabor, norte de Israel.

POR QUÊ – Convencida de que as tribos israelitas acabariam desaparecendo sob o jugo dos cananeus, Débora formou um exército e partiu para o ataque.

RESULTADO – Débora e seu general, Barac, atraíram as tropas inimigas para uma área alagadiça na várzea do rio Quichon – um terreno que eles conheciam bem e lhes era favorável. A estratégia deu certo. Com cavalos e carros de guerra atolados, os canaanitas foram dizimados por seus oponentes. Do alto do monte Tabor, o povo de Israel agora podia observar movimentações inimigas no vale de Jizreel e lançar ataques sobre tropas acampadas nas encostas.

JUÍZES 4:15-16
E o Senhor desbaratou Sísera(2) com todos os seus carros e o seu exército, que caíram ao fio da espada, diante de Barac. Sísera(2) (…) fugiu a pé, enquanto Barac perseguia os carros e o exército até Haroset-Goim. Todo o exército de Sísera(2) foi passado ao fio da espada (…).

1206 a.C. – Estela de merenptah (leia mais na pág. 68)

DE CARRASCO A FUGITIVO
Sísera era um general cananeu nada simpático. Com cerca de 900 carros de guerra em seu exército, oprimiu os israelitas durante 20 anos. Segundo a Bíblia, ele mantinha uma base fortificada de cavalaria em Haroset-Goim, que talvez corresponda ao sítio arqueológico de El-Ahwat. Ao ser derrotado por Débora, teria buscado refúgio numa tribo ali perto – onde viviam os queneus, supostamente aliados. Mas acabou assassinado pela esposa do chefe tribal, com uma estaca cravada em sua cabeça.

1194 a.C.

CAMPANHA DA FONTE DE HARODE
Sucessor de Débora, o juiz Gideão lidera israelitas contra povos nômades que atacavam e pilhavam suas aldeias.

QUEM CONTRA QUEM – Israelitas e tribos midianitas.

ONDE – Perto da fonte de Harode, no vale de Jizreel (norte de Israel).

POR QUÊ – Os midianitas faziam ataques de surpresa às comunidades israelitas e pilhavam suas colheitas. Gideão convocou uma força-tarefa para acabar com a essa situação.

RESULTADO – Na calada da noite, um destacamento composto de apenas 300 homens foi enviado por Gideão ao acampamento inimigo. Cada soldado levava uma tocha e uma trombeta. Sem serem notados, eles avançaram sobre as tendas nas quais dormiam seus adversários fazendo um barulho ensurdecedor e ateando fogo a tudo. Os midianitas fugiram em pânico. Pouco depois, foram massacrados pelo restante do exército israelita num desfiladeiro próximo.

EMBARCAÇÕES DO DESERTO
Os midianitas eram guerreiros temidos nos tempos bíblicos principalmente por causa da destreza de seus arqueiros. Muitos deles montavam camelos, então considerados as “embarcações do deserto”. Os animais garantiam mobilidade aos batalhões. Eram capazes de carregar até 200 quilos, comiam qualquer tipo de folhagem e passavam até uma semana sem beber uma gota d´água. As patas planas e largas, que não afundavam na areia fofa, permitiam às tropas deslocamento a até 16 km/h.

JUÍZES 7:25
Tendo capturado dois chefes midianitas(3), Oreb e Zeb, mataram Oreb no rochedo de Oreb, e Zeb no lagar de Zeb. E continuaram a perseguir os midianitas, levando as cabeças de Oreb e de Zeb a Gideão(4), no outro lado do rio Jordão.

1075 a.C. – Sansão e Dalila

1070 a.C. – Filisteus roubam a arca da aliança

1040 a.C. 

BATALHA DE MICMÁS
Depois de cananeus e midianitas, os israelitas partem para cima dos filisteus – consolidando o domínio sobre Canaã.

QUEM CONTRA QUEM – Israelitas, agora liderados pelo rei Saul e seu filho Jônatas, contra filisteus.

ONDE – Vilarejo de Micmás, 8 km a nordeste de Jerusalém, na atual Cisjordânia.

POR QUÊ – Os filisteus, de origem mediterrânea, haviam conseguido se apossar do desfiladeiro de Micmás e, de lá, lançavam ataques contra vilas israelitas. Foi quando Saul, primeiro rei de Israel, decidiu contra-atacar formando um exército permanente de 3 mil soldados.

RESULTADO – Acompanhado apenas por um escudeiro, Jônatas atacou os filisteus pela retaguarda, matando pelo menos 20 deles e provocando uma debandada. Saul aproveitou a confusão entre os inimigos para lançar uma ofensiva frontal e decisiva. A campanha militar contra os filisteus, no entanto, se prolongaria por anos – culminando com a morte do rei de Israel em combate no monte Gilboa.

1 SAMUEL 14:13-14
(…) Os filisteus caíram diante de Jônatas, e o seu escudeiro matava-os atrás dele. Esse foi o primeiro massacre que fizeram Jônatas e o seu escudeiro, metade de uma jeira de terra.

1024 a.C. – Davi mata Golias

1000 a.C.

JERUSALÉM
A esta altura, Davi já é o chefe dos israelitas. Depois de unificar Judá e Israel, ele decide tomar a cidade para fazer dela sua capital.

QUEM CONTRA QUEM – Um pequeno exército israelita, sob o comando do rei Davi, e tropas de jebuseus.

ONDE – Jerusalém, na época conhecida como Jebus – uma fortaleza extremamente bem protegida, postada sobre a colina de nome monte Sião.

POR QUÊ – Davi resolveu que aquela cidade, localizada no coração da Judeia, seria a sede perfeita para o seu reino recém-unificado.

RESULTADO – Soldados de Davi teriam invadido Jerusalém pelos túneis de abastecimento de água – instaurando pânico entre os habitantes e possibilitando que os guerreiros do lado de fora escalassem as muralhas. Depois de um combate corpo a corpo, os jebuseus se renderam. Mais tarde, Davi delegaria a seu filho – o futuro rei Salomão – a tarefa de construir na cidade um templo para abrigar a Arca da Aliança – símbolo máximo do pacto entre Deus e os israelitas.

2 SAMUEL 5:6-7
Davi partiu com seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus que ocupavam a terra. Estes disseram a Davi: tu não entrarás aqui, cegos e coxos te repelirão {o que queria dizer: Davi não entrará jamais aqui}. Mas Davi apoderou-se da fortaleza de Sião, que é a cidade de Davi.

TROPA DE ELITE
O exército de Davi tinha uma unidade de elite: os gibborim, que as distintas versões do Velho Testamento traduzem como “valentes” ou “heróis”. Não se sabe quantos eles eram. A Bíblia ora diz que eram 3, ora afirma que eram 30. Teriam sido escolhidos a dedo pelo rei pela bravura que já haviam demonstrado em combate.

970 a.C. – Salomão sucede Davi

890 a.C.

CERCO A SAMARIA
Israel estava ficando tão forte que já assustava os governantes sírios de Harã. Um deles decide atacar antes de ser atacado.

QUEM CONTRA QUEM – Israelitas, sob o comando do rei Acabe, e uma coalizão militar síria liderada por Ben-Hadade 1º.

ONDE – Samaria, então capital israelita.

POR QUÊ – Após a morte do rei Salomão, em 930 a.C., a monarquia unificada israelita tornou a se desmembrar em dois reinos: Judá, com capital em Jerusalém, e Israel, com capitais transitórias – entre elas, Samaria. Sob o governo de Acabe, Israel amea-çava se converter numa potência militar em Canaã. Os sírios resolveram agir antes que isso ocorresse.

RESULTADO – Ben-Hadade mobilizou combatentes de 32 reinos sírios para o cerco à cidade. Ele acreditava que a vitória era apenas uma questão de tempo. De repente, um grupo de 232 jovens soldados israelitas saiu em disparada de Samaria, conseguiu furar o bloqueio e atacou as tropas sírias. O restante das forças de Acabe aproveitou a confusão para investir contra o acampamento inimigo. Hadade fugiu.

1 REIS 20:1
Ben-Hadade(5), rei da Síria, mobilizou todo o seu exército.Tinha com ele 32 reis, cavalos e carros. Subiu, pôs o cerco diante de Samaria e atacou-a.

874 a.C. – Acabe vira rei de Israel

874 a.C.

COLINAS DE GOLÃ
Desta vez, os israelitas pegam bem mais pesado com seus adversários da Síria e matam milhares de soldados inimigos.

QUEM CONTRA QUEM – Tropas israelitas e uma coalizão militar síria.

ONDE – Golã, um território que havia pertencido a Israel, mas estava sob controle sírio.

POR QUÊ – Depois do cerco frustrado a Samaria, os israelitas sabiam que seus oponentes voltariam à carga. O rei Acabe, então optou por um ataque preventivo.

RESULTADO – Os israelitas marcharam rumo à cidade de Damasco, mas as tropas de Ben-Hadade bloquea-ram esse avanço no desfiladeiro de Afeque. Durante 7 longos dias, os dois exércitos se engalfinharam. No oitavo dia consecutivo de confronto, unidades israelitas surpreenderam o inimigo pela retaguarda. Os sírios perceberam que a batalha estava perdida e tentaram fugir, mas foram dizimados. A Bíblia fala em 127 mil vítimas.

1 REIS 20:28-29
Então o homem de Deus aproximou-se do rei de Israel e disse-lhe: Isto diz o Senhor: Porque os sírios disseram: O Senhor é um deus dos montes e não das planícies – vou entregar-te nas mãos essa imensa multidão, a fim de que saibas que eu sou o Senhor. Durante 7 dias ficaram acampados (…). No 7º dia deu-se a batalha; os israelitas mataram num só dia 100 mil sírios.

POSIÇÃO ESTRATÉGICA
As colinas de Golã – um platô a cerca de 1 000 metros de altitude – já eram disputadas nos tempos bíblicos e continuam sendo até hoje. Elas foram palco, em 1967, da Guerra dos Seis Dias, travada entre Israel e Síria. Naquela oportunidade, os israelenses se apoderaram da região – que pertencia aos sírios – e nunca mais a devolveram. Além de garantir uma visão privilegiada do movimento de tropas no país vizinho, as colinas abrigam nascentes de vários rios que alimentam o mar da Galileia, um importante reservatório natural de água fresca (os sírios, inclusive, até já tentaram represar alguns rios no passado, numa estratégia que nunca deu certo). Isso significa, portanto, que essa região montanhosa é uma posição duplamente estratégica – o que explica tanta disputa nos últimos 3 mil anos.

869 a.C. – Josafá assume o trono de Judá

850 a.C.

REVOLTA DE MESA
Após a morte de Acabe, Israel se enfraquece. Era a oportunidade que Mesa, rei de Moabe, esperava para desencadear uma rebelião.

QUEM CONTRA QUEM – Forças israelitas, dessa vez lideradas pelo rei Jorão, contra tropas moabitas.

ONDE – Reino de Moabe, um território localizado na margem oriental do mar Morto (limitado ao norte pelo reino de Amon e ao sul pelo reino de Edom).

POR QUÊ – Entre 890 a.C. e 850 a.C., Moabe virou um estado vassalo de Israel. A revolta liderada por Mesa foi uma tentativa de tirar os moabitas dessa situação.

RESULTADO – Jorão comandou uma contraofensiva e repeliu as tropas inimigas.

2 REIS 3:4-6
Mesa, rei de Moabe(6), possuidor de muitos rebanhos, pagava ao rei de Israel, à guisa de tributo, 100 mil cordeiros e a lã de 100 mil carneiros. Morrendo, porém, Acabe(7), ele libertou-se do rei de Israel. O rei Jorão saiu de Samaria e passou em revista todo o Israel.

HERDEIROS DE LÓ
Os moabitas eram um povo semita que se estabeleceu na região de Canaã por volta do século 13 a.C. Segundo historiadores e arqueólogos, falavam um idioma cananeu já extinto e escreviam usando uma variação do alfabeto fenício. De acordo com a Bíblia, eles eram descendentes de Ló, sobrinho de Abraão. Ló tinha duas filhas e havia perdido a esposa na destruição da cidade de Gomorra (leia mais nas págs. 12 e 13). Para que a família tivesse descendentes homens, a filha mais velha tramou um incesto: embebedou o pai e dormiu com ele. Dessa relação teria nascido Moabe, o patriarca dos moabitas. A caçula fez o mesmo e teria concebido Ben-Ami, ancestral de outro povo bíblico: os amonitas.

842 a.C. – Jeú toma o poder em Israel

785 a.C.

BATALHA DE EDOM
A província edomita se revolta contra a dominação de Israel e se declara independente. Mas a alegria dura pouco.

QUEM CONTRA QUEM – Tropas do rei Amazias, de Judá, e soldados edomitas.

ONDE – Reino de Edom.

POR QUÊ – Edom aproveitou o racha de Israel em dois reinos após a morte de Davi para se rebelar. Judá, decidiu atacar os edomitas e recuperar a velha colônia.

RESULTADO – Os judeus venceram e se apossaram do norte de Edom. Logo após a conquista, no entanto, o reino de Judá foi atacado por Israel. O rei Amazias acabou preso, e Jerusalém foi saqueada. No fim, os edomitas ficaram com certa autonomia. Mas a relação entre todos permaneceria tumultuada por anos.

2 REIS 14:7-8
Amazias(8) derrotou os edomitas no vale do Sal, matando-lhes 10 mil homens. Tomou de assalto a cidade de Sela, e deu-lhe o nome de Jecteel, nome que conserva até o dia de hoje. Amasias mandou mensageiros a Joás (…) para dizer-lhe: Vem, e nos veremos face a face.

OSS DUROS DE ROER
O reino de Edom era uma espécie de Afeganistão dos tempos bíblicos: fraco e pobre, mas difícil de conquistar. A Bíblia conta que seus habitantes, os edomitas, descendiam de Esaú, filho mais velho do patriarca Isaac. Se isso é verdade, não se sabe. Mas há evidências arqueológicas de que eles realmente existiram. Alguns registros assírios do século 8 a.C., feitos em escrita cuneiforme, citam Edom (referindo-se à tribo como Udumi). Com a conquista daquela região pelo Império Babilônico, no século 6 a.C., os edomitas teriam se mudado para a região de Hebron, na atual Cisjordânia.

753 a.C. – Fundação de Roma

734-732 a.C.

PALESTINA E SÍRIA
O exército assírio invade Canaã, Damasco e o litoral mediterrâneo. É o início do fim para o reino de Israel.

QUEM CONTRA QUEM – Tropas do Império Assírio, lideradas pelo rei Tiglath-Pileser 3º, e uma aliança militar defensiva formada por exércitos de Israel, Damasco, Asquelom, Sidom, Gaza e Tiro.

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ONDE – Costa mediterrânea, Damasco e Israel.

POR QUÊ – Os assírios emergiam como potência, mas não tinham acesso ao mar. Decidiram, então, ir à guerra para controlar as rotas comerciais, cobrar tributos das cidades conquistadas e minar o poder de seus arquirrivais, os egípcios.

RESULTADO – Primeiro, a coalização antiassíria atacou o reino de Judá – àquela altura, um território fiel aos assírios – para obrigá-lo a se juntar à aliança. O rei dos judeus, Acaz, pediu socorro a Tiglath-Pileser, que conseguiu um bom pretexto para iniciar uma ofensiva pela costa do Mediterrâneo (onde seus carros de guerra podiam se deslocar com facilidade). As cidades de Asquelom e Gaza se renderam sem esboçar reação. Damasco caiu após um cerco de dois anos. E Israel, percebendo que não tinha chances, prometeu lealdade aos assírios – o que lhe salvou da destruição.

CARRUAGEM MORTAL
A arma mais poderosa do exército assírio entre os séculos 8 a.C. e 7 a.C. talvez tenha sido carro de guerra. Bem maior e mais pesado que as versões usadas por cananeus e filisteus séculos antes, tinha de ser puxado por 4 cavalos e levava até 3 soldados (arqueiro e escudeiros) além do condutor. Em terrenos acidentados, a carruagem era inútil. Deslocando-se a toda velocidade numa planície, porém, não havia tropa capaz de pará-la. A eficiência dos carros de guerra assírios era tamanha nesse período que o mesmo modelo acabou sendo adotado até por seus conquistadores: os babilônios do rei Nabucodonosor 2º.

2 REIS 16:7
Acaz tinha enviado delegados a Teglath-Pileser(9), rei da Assíria, para dizer-lhe: eu sou teu servo e teu filho. Vem e livra-me das mãos do rei da Síria e do rei de Israel, que se coligaram contra mim.

705 a.C. – Senaqueribe assume o trono assírio

701 a.C.

BATALHA DE LÁQUIS
Depois de marchar sobre o reino de Israel, os assírios subjugam Judá. Com apoio do Egito, os judeus organizam uma revolta. Mas são massacrados.

QUEM CONTRA QUEM – Tropas judaicas, lideradas pelo rei Ezequias, e um exército assírio sob o comando do rei Senaqueribe.

ONDE – Láquis, no reino de Judá (atual Tell ed-Duweir, Israel).

POR QUÊ – O lugar era uma fortaleza que bloqueava o principal acesso ocidental às montanhas da Judeia. Para levar suas tropas até Jerusalém, onde pretendia reprimir a rebelião judaica, Senaqueribe tinha de atacar e destruir, primeiro, o forte de Láquis.

RESULTADO – O rei assírio cercou a fortaleza e fez cair sobre ela uma chuva de flechas. Em seguida, seus soldados construíram uma rampa de acesso de quase 60 metros para levar 5 aríetes até a muralha de Láquis. Os defensores do forte não resistiram e a população foi dizimada.

CAVALARIA ASSÍRIA
Ao inventar a cavalaria, no século 8 a.C., os assírios revolucionaram a arte da guerra. A sela usada por eles era primitiva, não passava de uma pele animal, e o arreio ainda nem existia. Mas as armas eram de excelente qualidade. Para atacar em movimento, recorria-se à montaria dupla: condutor e arqueiro ou lanceiro sobre o mesmo cavalo. Capacete, espadas, adagas e ponteiras eram feitos de ferro. E os cavaleiros usavam proteção para os pés – uma espécie de meia com uma “bota” de couro sobre ela, amarrada com corda. Segundo os historiadores, o exército assírio chegou a contar com 150 mil homens (o maior da época), todos excepcionalmente bem treinados e aparelhados. Além disso, foi o primeiro a ser totalmente equipado com armas de ferro – bem mais resistentes que as mais antigas, feitas de bronze.

612 a.C. – Cai o Império Assírio frente aos medo-persas

588-586 a.C.

QUEDA DE JUDÁ
Após a queda do Império Assírio, em 612 a.C., o reino de Judá entra na mira de uma potência emergente do Oriente Médio: a Babilônia liderada por Nabucodonosor.

QUEM CONTRA QUEm – Soldados de Judá, liderados pelo rei Zedequias, e o exército da Babilônia, sob o comando de Nabucodonosor 2º.

ONDE – Jerusalém, capital do reino de Judá.

POR QUÊ – No fim do século 7 a.C., o Oriente Médio virou palco da disputa entre a Babilônia e o Egito. Os babilônios não tinham força suficiente para derrotar os faraós, mas foram se apoderando das antigas colônias assírias. Zedequias, rei de Judá, não aceitou virar vassalo e deflagrou uma rebelião apoiada pelo Egito. Em resposta, Nabucodonosor mandou seu exército arrasar Jerusalém.

RESULTADO – Os babilônios impuseram 18 meses de cerco, colocaram abaixo as muralhas e incendiaram a cidade. O Templo de Salomão foi destruído e milhares de judeus foram mandados para o exílio na Babilônia. Era o fim de Judá, último estado israelita independente.

O NHO DE NABUCO
Uma passagem da Bíblia conta que Nabucodonosor, rei da Babilônia, ficou perturbado com um sonho e chamou alguns sábios para decifrá-lo – embora já não se lembrasse do que tinha sonhado. Como ninguém arriscou uma interpretação, foram todos condenados à morte. Entre eles estava o profeta israelita Daniel, que só não morreu graças a uma revelação. Daniel disse ao rei que ele havia sonhado com uma estátua: cabeça de ouro, peito de prata, ventre de cobre, pernas de ferro e pés de ferro e barro. Cada parte seria uma referência profética às potências que dominariam o mundo, como mostra a ilustração à direita.

2 REIS 25:1
No ano 9º de seu reinado, no 10º dia do 10º mês, Nabucodonosor veio com todo o seu exército contra Jerusalém; levantou seu acampamento diante da cidade e fez aterros ao redor dela.

539 a.C. – Os persas conquistam a Babilônia

536 a.C. – Reconstrução do Templo

332 a.C.

CERCO A TIRO
Depois de passar pela costa do Mediterrâneo como um rolo compressor, o rei macedônio Alexandre, o Grande, precisava avançar sobre Canaã para invadir o Império Persa. Começou pela cidade fenícia de Tiro – uma das mais bem fortificadas daquela época.

QUEM CONTRA QUEM – Soldados macedônios (liderados por Alexandre, o Grande) e as forças defensoras de Tiro.

ONDE – Cidade-ilha de Tiro, separada do continente por um canal de aproximadamente 800 metros.

POR QUÊ – Tiro era a base persa mais estratégica do Mediterrâneo. Alexandre achava que não seria possível expandir seus domínios em direção à Ásia sem capturar a ilha antes.

RESULTADO – O general macedônio recorreu a uma obra de engenharia fantástica: construiu diques sobre o canal para levar suas tropas até a muralha da cidade. Foram 7 meses de cerco. No fim, cerca de 8 mil tírios morreram, contra apenas 400 baixas no exército de Alexandre.

PARA DEFENDER
Com cerca de 46 metros (altura equivalente à de um prédio de 15 andares), uma muralha protegia toda a cidade e servia como ponto de observação. Era larga o bastante para suportar catapultas.

1. Com troncos, os homens de Alexandre começaram a construir um dique: ergueram duas paliçadas, preencheram o espaço com pedra e jogaram terra por cima.

2. A ideia era levar até a muralha duas torres de cerco também de 46 metros (as maiores já construídas na história). Lá do alto e do chão, arqueiros e catapultas defendiam a obra enquanto ela avançava.

3. Um barco incendiário é lançado contra o dique. Paliçadas e uma das torres pegam fogo – acabando com tudo que Alexandre tinha levado meses para construir.

4. Outro dique é construído: desta vez, com embarcações de cidades fenícias já conquistadas por Alexandre protegendo a obra.

5. Os defensores de Tiro respondem com flechas e areia quente (que penetrava na armadura dos adversários e provocava queimaduras).

6. Torres flutuantes (acima, à esq.) atacam a muralha em diferentes pontos, obrigando os defensores de Tiro a se dividir em várias frentes de batalha.

7. As tropas de Alexandre invadem a fortaleza. Irritado com a resistência de 7 meses, Alexandre ordena que todos os homens sejam mortos. Mulheres e crianças foram escravizadas.

PARA BOMBARDEAR
As catapultas de torção foram armas decisivas nesta batalha. Disparadas por meio de cordas tensionadas de acordo com a distância do alvo, elas lançavam pedras a mais de 250 metros. Versões menores atiravam dardos de ponta metálica com bastante precisão.

312 a.C. – Seleuco I Nicator funda o império selêucida 

264 a.C. – Guerra entre Roma e Cartago

168 a.C. – romanos derrotam macedônios em Pidna

165 a.C.

BATALHA DE EMAÚS
Guerra de guerrilha na primeira perseguição religiosa da história.

QUEM CONTRA QUEM – Rebeldes judeus, liderados por Judas Macabeu, e um exército de gregos selêucidas sob o comando do vice-rei Lísias.

ONDE – Emaús, 7 quilômetros a noroeste de Jerusalém.

POR QUÊ – A Judeia do século 2 a.C. era província do Império Selêucida, herdeiro das conquistas de Alexandre, o Grande. Ao assumir o trono, o rei Antíoco 4º empreendeu uma campanha para helenizar a Terra Santa. Os macabeus se revoltaram.

RESULTADO – Lísias nomeou 3 generais para debelar a revolta, que montaram sua base de operações em Emaús. Macabeu reuniu sua tropa perto dali e fez o inimigo cair numa arapuca: atraiu parte dos selêucidas para um desfiladeiro, onde estava preparada uma emboscada, e atacou a base simultaneamente, botando todo mundo para correr.

FORMAÇÃO CERRADA
Seguindo a tradição militar greco-macedônia, a infantaria selêucida adotava uma formação cerrada que ficou conhecida como falange – fileiras de muitos soldados formando um retângulo. Com cerca de 4 metros de comprimento e apontadas para a frente, as lanças levadas pelos combatentes das primeiras fileiras mantinham o inimigo afastado. Já os escudos, quando utilizados em conjunto, viravam uma verdadeira blindagem contra flechas e outros artefatos lançados de longe. Só havia um problema: as falanges eram vulneráveis a ataques laterais. E foi disso que os macabeus se aproveitaram.

164 a.C. 

BATALHA DE BETE-ZUR
Um ataque à fortaleza de Acra, último bastião selêucida em Jerusalém.

QUEM CONTRA QUEM – Macabeus revoltosos e exército selêucida.

ONDE – Um desfiladeiro próximo ao forte de Bete-Zur, no caminho entre a Síria e Jerusalém.

POR QUÊ – Os judeus que viviam em Jerusalém se rebelaram, exigindo o fim da perseguição religiosa, e cercaram a guarnição montada pelos selêucidas na fortaleza de Acra, provavelmente localizada junto aos muros do Templo.

RESULTADO – Lísias marchou com um exército da Síria rumo a Jerusalém, mas revoltosos comandados por Judas Macabeu interceptaram-no num desfiladeiro perto da fortaleza de Bete-Zur. Pego de surpresa, o general selêucida fugiu. E a guarnição de Acra caiu frente aos rebeldes, que purificaram o Templo e retiraram símbolos pagãos da cidade.

JUDAS MACABEU
Ele é considerado um dos grandes guerreiros da história judaica, do calibre de Josué, Gideão e Davi. Filho do sacerdote Matatias, ficou conhecido como Macabeu (“Martelo”) por sua forma aguerrida de lutar. Em 167 a.C., Matatias organizou um levante contra o domínio selêucida em Jerusalém ao lado de Judas e dos outros 4 filhos: Eleazar, Simão, João e Jônatas. Judas se destacou na família não só pela habilidade militar, mas pela oratória impecável e a capacidade de motivar os soldados em nome do nacionalismo e da fé.

162 a.C.

BATALHA DE BETE-ZACARIAS
O império contra-ataca disposto a liquidar os judeus.

QUEM CONTRA QUEM – Rebeldes macabeus e selêucidas.

ONDE – Forte de Bete-Zur, estreito de Bete-Zacarias e Gofna – últimas linhas de defesa judaicas fora de Jerusalém.

POR QUÊ – Lísias tinha virado tutor de Antíoco 5º, futuro monarca selêucida, e decidiu garantir seu futuro esmagando de uma vez por todas a revolta judaica.

RESULTADO – De novo, Lísias marchou da Síria para Jerusalém. Dessa vez, no entanto, levou um exército duas vezes maior. Seus batalhões, agora, contavam com 32 elefantes. Na primeira tentativa de intercepção, em Bete-Zur, os macabeus foram atropelados. Tentaram outra emboscada em Bete-Zacarias, que também não deu certo. Na cidade de Gofna, uma nova tentativa – em vão. Os selêucidas sufocaram a rebelião e retomaram o controle sobre Jerusalém.

2 MACABEUS 11:1-2
Decorrido algum tempo, Lísias, tutor e parente do rei, regente do reino, sentindo muito pesar pelo que tinha acontecido, reuniu aproximadamente 80 mil homens com toda a cavalaria e se pôs a caminho contra os judeus. Estava resolvido a transformar Jerusalém numa cidade grega.

ARMAS DE PE
Os 32 elefantes de guerra que Lísias levou para Bete-Zacarias foram decisivos contra os macabeus. Eles podiam carregar até 5 homens: um condutor e 4 arqueiros ou lanceiros. Eram resistentes e incrivelmente fortes – capazes de matar instantaneamente um soldado com uma simples pisada. Iam para o campo de batalha protegidos por armaduras de couro ou de escamas metálicas. Muitos exércitos selêucidas colocavam unidades de elefantes na cabeça das suas formações de batalha, à frente das falanges, e também os utilizavam como força de retaguarda, fechando a formação.

Mateus 24:1-2
Ao sair do templo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e fizeram-no apreciar as construções. Jesus, porém, respondeu-lhes: Vedes todos estes edifícios? Em verdade vos declaro: não ficará aqui pedra sobre pedra; tudo será destruído.

GUERRA PSICOLÓGICA
Os judeus apanhados do lado de fora da cidade pelos romanos eram crucificados em lugares que todos pudessem ver – com o objetivo de minar o moral dos inimigos e forçar sua rendição. As cruzes funcionavam como um aviso macabro do que ainda estava por vir.

TÁTICA DE GUERRILHA
Uma das formas encontradas pelos defensores de Jerusalém para responder às investidas romanas foi lançar contra-ataques relâmpagos (e noturnos) por meio de túneis escavados sob a muralha. Assim, no melhor estilo “tática de guerrilha”, eles impunham baixas severas aos inimigos mesmo sem contar com armas tão poderosas.

POMBOS SEM ASAS
Além de soldados muito bem treinados, as legiões contavam com armas sofisticadas para a época – como as catapultas, que lançavam pedras de mais de 25 quilos e artefatos incendiários. Para calcular a distância e calibrar o disparo, os romanos atiravam, primeiro, um projétil feito de chumbo com uma linha amarrada.

MURO ANTIFUGA
Outra maneira de estimular a rendição dos judeus era fazê-los passar fome. Além de cercar a cidade com tropas, os romanos construíram um muro e um fosso para garantir que nenhum inimigo pudesse entrar ou sair de Jerusalém.

TORRES DE CERCO
Elas ultrapassavam em 2 ou 3 metros a altura da muralha. Tinham uma coberta de couro, para torná-la menos vulnerável às flechas e às tentativas de incendiá-la. Mesmo assim, os judeus conseguiram atear fogo em pelo menos uma das torres.

FIM DA LINHA
Defensores bem que tentaram evitar a destruição do Templo, mas os romanos conseguiram matá-los e queimaram o santuário. Restou apenas a parede ocidental, que está de pé até hoje – o Muro das Lamentações, lugar mais sagrado do judaísmo.

BATE-ESTACA
O exército romano usou aríetes para abrir buracos nas muralhas. Foi assim que Jerusalém começou a cair. Vinte homens e um corneteiro entraram na cidade por uma brecha na fortaleza Antônia. Os judeus acharam que se tratava de um ataque em larga escala e fugiram.

63 a.C. – O general romano pompeu ocupa Jerusalém

4 a.C. – Jesus nasce em Belém

30 d.C. – Cristo é crucificado



70 d.C.

ATAQUE A JERUSALÉM
Em 66 d.C., os judeus tinham iniciado uma revolta contra o domínio romano. Quatro anos mais tarde, Vespasiano e Tito cercam a cidade e conseguem invadi-la – numa das maiores catástrofes da história do judaísmo.

QUEM CONTRA QUEM – Facções judaicas, principalmente a dos zelotes, contra soldados de 3 legiões romanas lideradas por diversos generais, entre eles Vespasiano – coroado imperador um pouco antes – e seu filho Tito.

ONDE – Jerusalém.

POR QUÊ – Desde a ocupação de Jerusalém pelo general romano Pompeu, em 63 a.C., a tensão na cidade era crescente. Os judeus estavam divididos em facções e protestavam contra a ingerência de Roma nos assuntos religiosos e a cobrança de altos tributos. Em 66 d.C., o procurador romano Florus roubou tesouros do Templo, desencadeando uma guerra que duraria 4 anos.

RESULTADO – Jerusalém foi queimada; o Templo, destruído; e os judeus, massacrados. A maioria dos sobreviventes empreendeu uma diáspora. A tragédia acabou contribuindo para a expansão do cristianismo, já que os seguidores de Jesus interpretaram a destruição do santuário judaico como o fim da aliança entre Deus e os israelitas.

74 d.C.

QUEDA DE MASSADA
A 10ª Legião Romana leva quase 3 anos para penetrar na fortaleza que havia sido tomada por quase 1 000 rebeldes. Mas não tem o “prazer” de matar seus inimigos. Os revoltosos preferem se suicidar a virar prisioneiros de guerra.

QUEM CONTRA QUEM – Judeus da seita dos zelotes, liderados por Eleazar Ben Yair, e soldados do Império Romano sob o comando de Lucius Flavius Silva, procurador da Judeia.

ONDE – Massada, uma fortaleza construída em 37 a.C. por Herodes no topo de montanha perto mar Morto.

POR QUÊ – Os zelotes defendiam a luta armada contra Roma. Com o início da revolta judaica, eles tomaram a fortaleza romana e fizeram dela um bastião.

RESULTADO – Os romanos sitiaram Massada, esperando matar os judeus de fome. Lá dentro, no entanto, havia água e comida de sobra. A única forma de eliminar os rebeldes seria colocar abaixo a muralha e invadir a fortaleza. Foi o que fez a legião comandada Lucius Flavius. Quando perceberam que a batalha estava perdida, os zelotes começaram a se matar – embora o judaísmo já considerasse naquela época suicídio um crime.

FORTE SITIADO
Cerca de 15 mil soldados romanos – distribuídos em 8 acampamentos – cercaram a fortaleza e construíram um muro ao redor dela. Do sopé da montanha, eles fustigavam os judeus com disparos constantes de catapulta.

PAREDES REFORÇADAS
A muralha era dupla (com até 6 metros de altura, 4 portões e mais de 30 torres de vigilância). Entre as duas havia 110 aposentos que eram usados para abrigar tropas e guardar mantimentos.

SUICÍDIO COLETIVO
Foi o líder de Massada, Eleazar Ben Yair, quem convenceu os outros judeus de que o suicídio era a melhor atitude. O chefe militar dos zelotes teria dito: “Fomos os primeiros a nos revoltar contra Roma e somos os últimos a lutar contra eles”.

PONTO FINAL
Dos 967 revoltosos, só 7 sobreviveram: duas mulheres e 5 crianças. Como Jerusalém já havia caído, Massada representou o ponto final da revolta judaica.

DE ÚLTIMA HORA
Enquanto os romanos tentavam derrubar a muralha externa, os judeus ergueram outra. Feita com vigas de madeira, pedras e terra, ela até absorvia bem os golpes do aríete. Mas também não resistiu.

RTEIO MACABRO
Nos anos 60, o arqueólogo Yigael Yadin encontrou nos escombros de Massada um pedaço de cerâmica com a inscrição “Ben Yair”, nome do líder dos zelotes. Acredita-se que fragmentos como esse podem ter sido usados pelos judeus para sortear qual seria o último a morrer.

RAMPA DE ACES
Os romanos a construíram com pedras e terra batida sobre a elevação natural na encosta ocidental do penhasco, que era a mais acessível. Com ela, tornou-se possível levar uma torre de cerco até a muralha. A obra foi feita por judeus escravizados.

TORRE DE CERCO
Tinha 28 metros de altura, era coberta com couro e levava um aríete – tora de madeira com ponta de ferro. Lucius Flavius (detalhe) acompanhava a operação à distância, no quartel-general montando num dos acampamentos.

REAÇÃO INÓCUA
Mesmo cientes de que isso não deteria os romanos, os judeus atacavam seus inimigos jogando da muralha pedras de até 50 quilos. Eles também arremessavam artefatos menores com fundas.

79 d.C. – O imperador vespasiano morre em Roma

80 d.C. – Tito inaugura o coliseu Romano

95 d.C. – O apóstolo João escreve o apocalipse

 

 

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