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Colombo viveu apanhando de índios – e morreu cego e pobretão

Cristóvão Colombo apanhou de índios, enfrentou um furacão, quase morreu de fome, pegou malária e teve navios inutilizados por moluscos

Por Paula Nadal Atualizado em 8 mar 2017, 16h19 - Publicado em 30 jun 2007, 22h00

Cristóvão Colombo, o grande navegador genovês, o homem que descobriu a América e que não tinha medo de sereias ou monstros do oceano, era um azarado que viveu apanhando de índios e morreu cego e pobretão. Entre 1492 e 1502, tentando chegar às Índias, o navegador fez 4 viagens para a América. Nas 4, só se ferrou. Não conseguiu convencer ninguém de que encontraria um caminho diferente para as Índias nem de que obteria algum lucro com a colonização das ilhas do Caribe. O livro A Última Viagem de Colombo mostra toda essa urucubaca. O azar esteve nas 4 viagens, mas culminou na última: Colombo apanhou de índios da ilha Hispaniola, enfrentou um furacão, quase morreu de fome, pegou malária e teve navios inutilizados por moluscos.

Terra à vista! – 1ª Viagem: 1492-1493

Com dinheiro da Espanha, Colombo navega com as caravelas Pinta, Niña e Santa María rumo às Índias. Descobre a América, ganha os títulos de Almirante do Mar Oceano e vice-rei das terras encontradas. Tudo certo, até que, na volta, um ciclone afunda a Santa María e destrói as velas da Niña. O imprevisto o leva a encostar em Portugal, criando uma confusão diplomática que culminou no Tratado de Tordesilhas.

O primeiro golpe – 2ª Viagem: 1493

Menos de 5 meses depois, Colombo parte com 17 naus para mapear todas as ilhas que encontrara. Mas os reis espanhóis, chateados com a viagem precipitada, resolvem acabar com sua participação de um décimo no lucro obtido na viagem. É que, com a América descoberta, o navegador tornou-se dispensável. Os reis preferem passar o trabalho para exploradores espanhóis, deixando o genovês a ver navios.

Na cadeia – 3ª Viagem: 1498

Com 50 anos, artrite e perda progressiva da visão, Colombo parte com 6 naus. Enfrenta um maremoto, tem um conflito com os tainos, índios de São Domingos, e suporta motins da tripulação. Para piorar, chega da Espanha um novo chefe para Hispaniola. Francisco de Bobadilla confisca os bens de Colombo e o bota na cadeia. Após um mês sem banho, ele é despachado, falido, para a Espanha.

Guerra, dores e o fim – 4ª Viagem: 1502

Um furacão destrói São Domingos e quase provoca o naufrágio de toda a expedição. O genovês aguenta mais guerras com índios, vê tripulantes morrer de fome, pega reumatismo e malária. Tem mais. Seus navios são atacados por gusanos, moluscos que crescem na popa das naus impedindo-as de navegar. Com barcos encalhados e uma tripulação dizimada, ele volta para morrer na Espanha, em 1506.

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