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“Bruxas de Jundiaí”: o caso das mulheres acusadas de feitiçaria no Brasil colônia

Mãe e filha foram denunciadas por supostamente matar um homem com magia em 1754.

Por Bruno Carbinatto
30 jun 2025, 14h00

Em 1754, duas mulheres foram denunciadas à Justiça Eclesiástica de Jundiaí pelo suposto crime de bruxaria. Thereza Leyte e Escholástica Pinta da Silva, respectivamente mãe e filha, teriam usado feitiçaria para assassinar o marido de Escholástica, Manoel Garcia, morto oito anos antes. O caso foi trazido à tona na dissertação de mestrado da filóloga Narayan Porto, da Universidade de São Paulo (USP).

Na verdade, a denúncia partiu de alguns familiares de Manoel Garcia, que queriam ficar com os bens do homem após sua morte – sendo as posses mais importantes os “administrados”, ou seja, escravizados indígenas. O homem, na realidade, provavelmente morreu de lepra (hanseníase).

Uma das principais testemunhas de acusação, contratada pelos familiares, era um negro escravizado chamado Francisco, que espalhou boatos sobre a feitiçaria das mulheres. Segundo os relatos, Escholástica causava feridas na perna do marido só de tocá-las, e deixou-o cego colocando as mãos sobre suas pálpebras.

Desde 1536, o Brasil colônia era palco da Inquisição Portuguesa – julgamentos religiosos que buscavam perseguir e coibir práticas consideradas heréticas. Os principais alvos eram os cristãos-novos – cristãos de origem judaica, cujas famílias foram obrigadas a se converter –, acusados de “judaizar”, isto é, manter práticas judaicas secretamente. Mas outras heresias também eram perseguidas, como feitiçaria.

Mas o caso das “bruxas de Jundiaí” não evoluiu para um processo inquisitorial em Lisboa (oficialmente, não havia Tribunal do Santo Ofício na Colônia – o julgamento e a punição eram aplicados apenas em Portugal). O caso foi resolvido por aqui mesmo.

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A conclusão foi que não havia provas o suficiente contra as mulheres, e o processo não evoluiu para um julgamento inquisitório em Lisboa. Mas uma pessoa acabou punida nessa história: o escravizado Francisco, açoitado publica mente pelo pai de Escholástica, que era um juiz de ofício (uma espécie de autoridade civil local), por ter feito denúncias falsas sobre sua família. A corda, como sempre, estourou do lado mais fraco.

Essa é apenas uma das histórias que marcam a atuação da Inquisição no Brasil; leia a reportagem completa sobre o tema aqui

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