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Caminho da Índia

Emiliano Urbim

Diz o hinduísmo que do corpo da divindade Purusha surgiram as castas, segmentos sociais com funções exclusivas e hereditárias – nelas ninguém entra, delas ninguém sai. Conheça a novela por trás desse sistema sagrado e ilegal que ainda afeta a vida de 1 bilhão de indianos.

Lei dos deuses
É dos Vedas, a “Bíblia do hinduísmo”, que vem o sistema de castas. Há 2 600 anos ele dita com quem os indianos podem casar e quais profissões devem exercer, um destino ligado ao conceito de carma e aceito pela maioria.

Guerreiros dos braços
Os xátrias eram clãs de guerreiros e nobres, governantes dos reinos que hoje correspondem à Índia e seus vizinhos. Ainda estão próximos ao poder, exercendo funções militares, políticas e administrativas.

Comerciantes das coxas
A casta dos vaixás comanda a produção: agricultores, pecuaristas, pequenos e médios empresários, importadores e exportadores. São os que mais enriqueceram com o boom econômico indiano.

Povão dos pés
Os sudras são o grosso da população: operários, camponeses, artesãos, mineiros, empregados domésticos. Desde os anos 50, podem ouvir ensinamentos sagrados, o que contribuiu para queda do analfabetismo entre eles.

Sábios da boca
Os brâmanes são a casta mais alta, formada por sacerdotes e intelectuais religiosos. Lutam pela permanência do sistema.

Lei dos homens
Desde 1950, as castas são ilegais: a constituição da Índia garante “igualdade de status e oportunidade” a todos os cidadãos da república laica.

Fórmula do amor
A regra para a maioria absoluta dos indianos é o casamento com alguém da mesma casta e arranjado pelas duas famílias. É comum candidatos a noivo e noiva colocarem anúncios no jornal anunciando suas qualidades, em busca de parceiros.

Pessoal de fora
Existem mais de 100 milhões de jatis, pessoas que vivem fora do sistema de castas. Costumam ser profissionais liberais, como médicos advogados e artistas.

Párias da poeira
Os Vedas não mencionam os dalits, mas a tradição diz que eles vêm da poeira sob os pés de Purusha. São “intocáveis” no pior sentido: impuros, não se encosta neles. Pegam os empregos considerados indignos, como coveiro, lixeiro, limpador de esgoto. Não por acaso, são os que mais pressionam por reformas.