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Carlo Ponzi :o trapaceiro arrependido

Charles Ponzi (ou Carlo Ponzi, ou Charles Ponei, ou Carl Pons, ou Charles P. Bianchi, ou Charles Brandy, ou...)

Por Álvaro Oppermann
31 out 2006, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h25
  • Carlo Ponzi foi um dos maiores golpistas do século 20. Mas ele gastou toda a sua fortuna – adquirida com tramóias – para recompensar as suas vítimas. E morreu pobre no Brasil.

    Nascido na Itália em 1882, emigrou para os EUA em 1903. Chegou a Nova York com US$ 2,50 no bolso (perdera o resto na mesa de jogo do navio). Logo começou a carreira de trapaceiro, falsificando cheques e enganando viúvas. Até 1907, adotou uma série de nomes falsos, como Charles Ponei, Carl Pons, Charles P. Bianchi e Charles Brandy. Foi parar na cadeia, onde fez amizade com o mafioso Ignacio Lupo, vulgo O Lobo. Tornou-se intérprete do mafioso, pois o capo, em inglês, só sabia dizer spaghetti. Vendo o exemplo de Don Lupo, Ponzi deu-se conta que a vida dos ricos era infinitamente melhor, mesmo quando no xilindró. E que para ser rico era preciso abandonar os pequenos golpes.

    Foi assim: em 1918, Ponzi (que adotara de vez o prenome Charles) notou que os correios americanos e europeus vendiam cupons que podiam ser trocados por selos nos dois lados do Atlântico. Na Europa, contudo, o preço estava congelado desde 1907, com valor corroído pela inflação. Adquirindo cupons na Europa por preço irrisório, conseguia comprar 5 vezes mais selos nos EUA. Comprando e vendendo selos, tinha lucro líquido de 400%. Ele atraiu investidores para essa aplicação “sólida” (é claro que vendeu papéis inexistentes a eles) e, até o ano de 1920, havia amealhado US$ 10 milhões (uns US$ 107 milhões em dinheiro de hoje).

    Só que o esquema entrou em colapso. Multidões enfurecidas tentaram sacar o dinheiro investido. Carlo foi preso no fim de 1920. Com a prosperidade, Ponzi passou a considerar a si mesmo um respeitável investidor de risco. Num acesso de honestidade e remorso, usou todo o dinheiro ganho para restituir aos investidores.

    Deportado para a Itália em 1934, arranjou emprego numa companhia aérea. Nos anos 40, foi transferido para o Brasil. No clima de 2ª Guerra, porém, Getúlio Vargas mandou fechá-la, temendo que ela servisse para transportar espiões entre o Rio e Roma. Sem um tostão no bolso, Ponzi morreu no Rio de Janeiro em 1948, num hospital para indigentes. Trapaceiro a vida toda, Carlo – ou Charles – terminou seus dias, apesar dos pesares, como cidadão honesto.

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    Grandes momentos

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    • O golpe de Ponzi consistia em prometer retorno de até 50% ao mês sobre o dinheiro investido. Quando o investidor queria sacar (a soma inicial acrescida dos juros), Ponzi o pagava com o dinheiro dos novos investidores. Como o número de otários era crescente, e muitos reinvestiam o dinheiro ganho, o engodo se manteve por meses a fio.

    • No auge, em 1920, Ponzi tirava US$ 250 mil ao dia.

    • Os pupilos de Ponzi ainda estão aí: em Portugal, entre 1970 e 1984, uma tal Dona Branca ganhou o equivalente a € 85 milhões com o esquema. E a internet virou solo fértil para o golpe – que mantém a mecânica de 1920.

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