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Carlo Ponzi :o trapaceiro arrependido

Charles Ponzi (ou Carlo Ponzi, ou Charles Ponei, ou Carl Pons, ou Charles P. Bianchi, ou Charles Brandy, ou...)

Carlo Ponzi foi um dos maiores golpistas do século 20. Mas ele gastou toda a sua fortuna – adquirida com tramóias – para recompensar as suas vítimas. E morreu pobre no Brasil.

Nascido na Itália em 1882, emigrou para os EUA em 1903. Chegou a Nova York com US$ 2,50 no bolso (perdera o resto na mesa de jogo do navio). Logo começou a carreira de trapaceiro, falsificando cheques e enganando viúvas. Até 1907, adotou uma série de nomes falsos, como Charles Ponei, Carl Pons, Charles P. Bianchi e Charles Brandy. Foi parar na cadeia, onde fez amizade com o mafioso Ignacio Lupo, vulgo O Lobo. Tornou-se intérprete do mafioso, pois o capo, em inglês, só sabia dizer spaghetti. Vendo o exemplo de Don Lupo, Ponzi deu-se conta que a vida dos ricos era infinitamente melhor, mesmo quando no xilindró. E que para ser rico era preciso abandonar os pequenos golpes.

Foi assim: em 1918, Ponzi (que adotara de vez o prenome Charles) notou que os correios americanos e europeus vendiam cupons que podiam ser trocados por selos nos dois lados do Atlântico. Na Europa, contudo, o preço estava congelado desde 1907, com valor corroído pela inflação. Adquirindo cupons na Europa por preço irrisório, conseguia comprar 5 vezes mais selos nos EUA. Comprando e vendendo selos, tinha lucro líquido de 400%. Ele atraiu investidores para essa aplicação “sólida” (é claro que vendeu papéis inexistentes a eles) e, até o ano de 1920, havia amealhado US$ 10 milhões (uns US$ 107 milhões em dinheiro de hoje).

Só que o esquema entrou em colapso. Multidões enfurecidas tentaram sacar o dinheiro investido. Carlo foi preso no fim de 1920. Com a prosperidade, Ponzi passou a considerar a si mesmo um respeitável investidor de risco. Num acesso de honestidade e remorso, usou todo o dinheiro ganho para restituir aos investidores.

Deportado para a Itália em 1934, arranjou emprego numa companhia aérea. Nos anos 40, foi transferido para o Brasil. No clima de 2ª Guerra, porém, Getúlio Vargas mandou fechá-la, temendo que ela servisse para transportar espiões entre o Rio e Roma. Sem um tostão no bolso, Ponzi morreu no Rio de Janeiro em 1948, num hospital para indigentes. Trapaceiro a vida toda, Carlo – ou Charles – terminou seus dias, apesar dos pesares, como cidadão honesto.

 

Grandes momentos

• O golpe de Ponzi consistia em prometer retorno de até 50% ao mês sobre o dinheiro investido. Quando o investidor queria sacar (a soma inicial acrescida dos juros), Ponzi o pagava com o dinheiro dos novos investidores. Como o número de otários era crescente, e muitos reinvestiam o dinheiro ganho, o engodo se manteve por meses a fio.

• No auge, em 1920, Ponzi tirava US$ 250 mil ao dia.

• Os pupilos de Ponzi ainda estão aí: em Portugal, entre 1970 e 1984, uma tal Dona Branca ganhou o equivalente a € 85 milhões com o esquema. E a internet virou solo fértil para o golpe – que mantém a mecânica de 1920.