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Colonização interferiu na fala do brasileiro

Por 31 out 1996, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h15
  • Por que o sotaque muda conforme as diferentes regiões do país?

    O principal fator que influi no sotaque de uma região é a língua falada pelos povos nativos e por aqueles que migraram para lá. No Brasil, os colonizadores vieram de muitos lugares, alterando a forma de falar em diferentes partes do país. Algumas influências foram fortes e mais ou menos homogêneas, como é o caso dos negros, principalmente os bantos. Na língua banto não há palavras com duas consoantes. Graças a essa influência, muitas vezes pneu transforma-se em “peneu” e advogado vira “adevogado”. “Infelizmente a influência lingüística da imigração no Brasil é pouco estudada”, explica a lingüista Margarida Petter, da Universidade de São Paulo. Ninguém precisou, até agora, os detalhes que compõem a forma de falar de cada região. Mas há formas de falar “que já podem ser relacionadas com os povos que habitaram determinada área”, diz o lingüista Flávio Di Giorgio, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (veja alguns exemplos no quadro ao lado).

    De onde vem o sotaque

    As principais contribuições para o jeito de falar em alguns Estados brasileiros.
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    Pernambuco

    Os holandeses permaneceram por um longo período em Pernambuco, onde deixaram forte influência. Veio deles o r chamado glotal, pronunciado forte na parte de trás da garganta, como nas línguas germânicas. Já o r falado na Bahia é semelhante ao r do carioca, aspirado, proveniente da colonização portuguesa.

    Rio de Janeiro

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    O r aspirado e o s chamado palatal (para pronunciar encosta-se o dorso da língua no céu da boca) são uma herança da transferência da Família Real portuguesa para a região, em 1808. Como toda a Corte falava assim, essa passou a ser a forma mais correta e adotada pelos moradores da época.

    São Paulo

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    No interior do Estado fala-se um r bastante acentuado, chamado retroflexo (quando a parte de baixo da língua bate atrás dos dentes), como o r dos caipiras. São resquícios da fala dos índios tupis, adotada pelos bandeirantes. Essa pronúncia se espalha ainda pelo sul de Minas e por Goiás. Na capital paulista, a forte influência italiana acentua a letra t, chamada alveolar (na pronúncia, a língua fica atrás dos dentes superiores), diferente do t chiado dos cariocas.

    Santa Catarina

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    O Estado foi colonizado pelos açoreanos que falavam “cantado”. Depois chegaram os negros, que pronunciavam as vogais de forma mais aberta. A mistura fez a fala dos catarinenses, principalmente os de Florianópolis, ficar mais melodiosa. A influência alemã, tardia, mexeu no vocabulário, introduzindo palavras germânicas. No Rio Grande do Sul, a colonização de portugueses do continente foi intensa, atenuando o falar cantado dos açoreanos. O resultado é que os gaúchos “cantam”, mas o pessoal de Florianópolis “canta” muito mais.

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