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Continuar pelo princípio

Depois de uma década de transformações espetaculares na ciência, na tecnologia e em todo o planeta, a SUPER celebra seus valores essenciais. Num mundo de tantas mudanças, eles permanecem os mesmos. Ainda bem.

Em outubro de 1987 chegava às bancas a SUPER número 1. Quem assinava Carta ao Leitor era o próprio fundador da Editora Abril, Victor Civita (1907-1990). Suas palavras merecem ser repetidas hoje, quando a revista comemora 10 anos de sucesso: “De forma clara, direta, acessível ao mais leigo dos leitores, SUPERINTERESSANTE mostrará o conhecimento científico não como um tesouro a que só alguns privilegiados têm acesso, por sua cultura, mas como algo que passa pelo cotidiano de todos nós, influenciando e modificando até mesmo os momentos mais simples de nossa vida”.

Dito e feito: o princípio foi obedecido. Ao longo das suas 120 edições, a SUPER vem mostrando a ciência que está por trás dos acontecimentos do dia-a-dia, e vem descortinando, em linguagem destinada aos não-cientistas, a emoção, a ousadia e a aventura que fazem dos avanços científicos uma viagem permanente. Uma viagem cheia de fascinações, de esperanças e, muitas vezes, de contradições. Sabemos que a ciência está sujeita aos erros e até mesmo às tragédias. A bomba de Hiroshima, o vazamento de Chernobyl e o uso de testes genéticos para fins discriminatórios são exemplos de como o conhecimento pode gerar destruição e sofrimento. Mas, apesar de tantos erros, as descobertas sempre trazem novas alegrias e abrem novos horizontes. As boas notícias são inúmeras. E a SUPER gosta mesmo é disso: das boas notícias. Se é verdade que as revistas têm personalidade própria, a personalidade da SUPER é essencialmente otimista. Ela acredita no progresso da ciência – e da humanidade.

Mas acreditar na ciência não se confunde com celebrações vazias, muito menos com a fé. Acreditar na ciência é uma boa vontade da razão, e não uma cegueira do espírito. Por isso a SUPER precisa, todos os meses, distinguir o que é uma descoberta científica do que é apenas crendice ou puro charlatanismo. E, para diferenciar uma coisa da outra, a revista se baseia nas fontes confiáveis, ou seja, nos expoentes da comunidade científica internacional, que estão nas universidades e nas instituições de pesquisa.

A ciência moderna sabe que só pode caminhar dentro do rigor do método: toda descoberta tem que ser confirmada por provas empíricas e demonstrações teóricas. Só assim os cientistas podem refazer as experiências uns dos outros, analisar as evidências e questionar as conclusões. É daí que brota o saber. A SUPER, que é um veículo de informação, e não uma fonte, busca se firmar nos entendimentos da comunidade científica. Esta, sim, é a fonte. Por princípio.

Tudo isso pode parecer uma obviedade, mas é uma obviedade crucial para proteger você, leitor, das pseudociências. Que são muitas. Se buscamos as fontes mais confiáveis, as mais respeitáveis, no Brasil e fora dele, não é para homenageá-las, mas para atender o direito que você tem de estar bem informado. O nosso compromisso maior, o primeiro, o mais alto, é com você. Nosso papel não é o de divulgar o que o cientista gostaria de ver publicado. Ao contrário, a nossa obrigação é perguntar ao cientista o que você quer ou precisa saber. E aí publicar a resposta. Hoje, como no dia em que a SUPER chegou às bancas pela primeira vez, é uma questão de princípio.