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Do front para as chamas

Um trem superlotado com soldados franceses participantes da 1ª Guerra chegava à estação Saint-Michel-de-Marienne quando descarrilou e explodiu

Por Da Redação - Atualizado em 31 out 2016, 18h16 - Publicado em 2 fev 2013, 22h00

Amanda Silva

Acidente ferroviário
França – 1917 – 800 mortos – 200 feridos

Depois de 3 anos de 1a Guerra, trens em bom estado eram raros na Europa. Mas os cerca de mil soldados franceses que estavam lutando na Itália tinham direito a uma folga para o Natal e só queriam chegar em casa. O jeito foi juntar todos os vagões disponíveis e lotar um veículo para a viagem de volta. O maquinista, conhecido como Girard, sabia dos riscos de carregar 20 carros e 526 toneladas, mas foi forçado a seguir viagem pelo comando do tráfego ferroviário. A aventura vinha dando certo até que a composição chegou a um vale localizado entre as estações de Modane e Saint-Michel-de-Marienne. Separadas por 17 km, elas estavam a 330 m de diferença de altitude uma da outra. O trem tinha uma ladeira pela frente.

O peso fez o veículo atingir mais de 3 vezes a velocidade permitida para o trecho. No meio do comboio, um vagão descarrilou na madrugada de 12 para 13 de dezembro. Os carros que vinham atrás foram se empilhando uns sobre os outros. Os soldados levavam consigo muita munição, incluindo centenas de granadas, e a iluminação interna era feita com velas (o sistema elétrico do veículo não estava funcionando).

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Começou então uma sequência de explosões, e o fogo só seria apagado depois de 16 horas. Quem não morreu soterrado pelos 300 m de extensão de ferragens acabou vitimado pelas chamas. A cena inteira foi presenciada por familiares de dezenas de militares franceses, que aguardavam a chegada do trem (os demais homens iriam seguir até Chambéry).

Inicialmente, a tragédia foi tratada como um segredo militar. “A moral da população já estava baixa demais, e a notícia de que soldados haviam morrido a caminho de casa foi considerada de grande importância estratégica”, diz o historiador francês Jean-Louis Chardans.

Quando o conflito acabou e a opinião pública foi informada de que centenas de militares tinham morrido em decorrência de um acidente, Saint-Michel foi tratada como uma das maiores tragédias da história recente da França. Depois do incidente, o país mudou sua legislação. “Uma comissão estabeleceu novos limites para o peso total de cada composição, 4 vezes menor do que o usado em 1917”, afirma Chardans. Romênia e México, que sofreram acidentes parecidos na mesma época, fizeram o mesmo.

 

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Veículo desgovernado
Com peso demais para carregar, a locomotiva perdeu o controle nas proximidades da estação

1. Na estação de Modane, o trem, que já estava sobrecarregado, recebe dois novos vagões lotados e segue viagem às 23h15. O maquinista mantém a velocidade em 40 km/h.

2. Ao chegar ao vale, o veículo fica sem freios e alcança 135 km/h. Mas ainda não sai dos trilhos.

3. Com o fim da descida, perde velocidade e se movimenta a 102 km/h. Mas continua sem freios.

4. Na curva que dá acesso à estação, só a locomotiva e dois vagões passam. O 3º vagão sai dos trilhos e vira.

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5. O tombamento provoca um efeito em cadeia a 1300 m da estação Saint-Michel-de Maurienne. A munição mantida em alguns dos vagões explode.

 

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Morte sobre trilhos
Os acidentes de trem com maior número de mortos*

1. 1. Cerca de 3000 Coreia do Norte, 2004 explosão de carga inflamável

2. 1200 Rússia, 1989 explosão de gás sob o trem

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3. 800 Saint-Michel-de-Maurienne, França, 1917 tombamento por excesso de peso

4. 800 Ciurea, Romênia, 1917 tombamento por excesso de peso

5. 600 Guadalajara, México, 1915 tombamento por excesso de peso

* A lista não inclui acidentes provocados por guerras ou catástrofes naturais.

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