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Finalmente, um santo de casa

Quem será o próximo? ¿Não sei¿, diz a irmã Célia Cadorin, maior responsável pela canonização de Paulina.

Por 31 mar 2002, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h35
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Denis Russo Burgierman

Aleluia! Depois de 2 000 anos de Cristianismo, o maior país católico do mundo ganhou seu primeiro santo. Dia 19 de maio, a brasileira Amabile Lucia Visintainer (que, na verdade, nasceu na Itália), fundadora da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, autora de dois milagres comprovados, razão de romarias à cidade catarinense de Nova Trento, sobe ao panteão de 4 000 santos oficializados pela Igreja Católica. Santa Paulina (Amabile adotou em vida o nome de Paulina do Coração Agonizante de Jesus) é nossa primeira santa, mas tudo indica que não será a última. Há pelo menos mais 50 brasileiros na fila da rigorosa Congregação das Causas dos Santos .

Quem será o próximo? “Não sei”, diz a irmã Célia Cadorin, maior responsável pela canonização de Paulina. “Depende da vontade de Deus e da nossa fé.” Mas depende também de uma complexa burocracia, de trabalho duro e de muito dinheiro. A irmã Célia sabe bem disso. Ela é a principal postuladora brasileira – postuladores são os “advogados” que defendem os candidatos a santos perante o Tribunal Eclesiástico formado pela Congregação. Além de ter cuidado do caso de Paulina, ela trabalha no Vaticano pela canonização de vários outros brasileiros, inclusive o frei Galvão, forte candidato ao título de segundo santo brasileiro e de primeiro santo nascido aqui.

No processo de Santa Paulina, Célia consumiu 100 000 dólares – com comprovações médicas dos milagres, traduções de documentos para o italiano, tomada de dezenas de depoimentos, exumação do cadáver da santa, inúmeras viagens a Roma… Foram 20 anos de dedicação intensa. Até que não é tanto, se compararmos com o padre José de Anchieta, fundador de São Paulo, cujo processo se arrasta desde 1602.

Além de Galvão e Anchieta, estão perto de se tornar santos os 30 mártires massacrados em uma igreja do Rio Grande do Norte em 1645. Todos esses são beatos, o último degrau antes da santidade. Começa-se o processo como “servo de Deus”, até que as “virtudes heróicas” são comprovadas. Aí o candidato vira “venerável” e já pode receber romarias. Depois, com o primeiro milagre comprovado, é promovido a “beato” e pode ser cultuado, mas apenas na região onde viveu. O beato vira santo no segundo milagre – e, a partir daí, pode ter suas imagens espalhadas pelo mundo todo.

Fila dos milagres

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Alguns dos brasileiros que enfrentam o Tribunal Eclesiástico para virarem santos

SANTA – Paulina (1865-1942)

Nascida na Itália, veio ao Brasil aos 9 anos. Teria salvo uma recém-nascida desenganada e uma mulher com hemorragia pós-parto

BEATO – Frei Antônio Galvão (1739-1822)

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Nascido em Guaratinguetá, atrai milhões ao Mosteiro de São Bento, em São Paulo, em busca de pílulas milagrosas de papel

BEATO – Padre José de Anchieta (1534-1597)

Consta que o catequisador de índios que fundou São Paulo, nascido na Espanha, lia pensamentos e falava com animais.

BEATOS – Os 30 mártires mortos em 1645

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Esses cristãos foram assassinados no Rio Grande do Norte por protestantes holandeses e índios, ao recusarem a conversão

VENERÁVEL – Teodora Voiron (1835-1925)

Nascida na França, essa freira, que abriu escolas para meninas escravas, é nossa única venerável e está para ser beatificada

SERVO DE DEUS – Ibiapina (1806-1883)

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O sacerdote pernambucano que percorreu o sertão de jegue arriscando a vida para tratar a cólera já é cultuado em todo o Nordeste

SERVA DE DEUS – Nhá Chica (1810-1895)

Uma das poucas negras entre os candidatos a santos brasileiros, a mineira Nhá Chica era escrava, pobre e analfabeta

SERVA DE DEUS – Irmã Dulce (1914-1992)

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A caridosa baiana de Salvador quase não comia nem dormia, acreditando que o sacrifício traria felicidade a outros

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