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Livro de sacanagem

Está lá o trecho mais quente d¿As Mil e Uma Noites, delicioso, excluído de todas as traduções publicadas no Brasil.

Denis Russo Burgierman

As coletâneas de história da literatura costumam ser ilustrativos passeios pelo que de mais maravilhoso e iluminado a humanidade já pôs no papel. Esta é diferente. Aqui se escolheram, quase sempre, textos obscuros, censurados, que revoltaram e escandalizaram nos últimos 2 500 anos. Uma mãe seduzindo o filho. Monges violentando meninas vestidas como a Virgem Maria. Orgias, traições, pedofilia, homossexualismo, violência, toda a classe de perversões, tudo o que incomoda. Está lá o trecho mais quente d’As Mil e Uma Noites, delicioso, excluído de todas as traduções publicadas no Brasil.

Tem o pedaço de O Amante de Lady Chatterley que escandalizou a Inglaterra vitoriana. E ainda os fantásticos – e chocantes – poemas do Marquês de Sade. Há até um trecho da Bíblia, o Cântico dos Cânticos, que a Igreja insiste em afirmar que trata do amor a Deus. Arrã. Trechos infames e censurados de Joyce, Machado, Proust, Eça, aqueles que são sempre retirados das edições, aqui estão todos expostos. Aquela palavra começada com “b”, que eu jamais teria coragem de escrever numa revista respeitável como esta, aparece lá quase que página sim, página não. O livro é um acinte atrás do outro. E é deliciosamente ilustrativo. Quer melhor jeito de compreender a humanidade que passeando pelo que, ao longo da história, mais chocou e excitou as pessoas?