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Lugares misteriosos

Cidades abandonadas em circunstâncias desconhecidas, esculturas enigmáticas, construções sem nenhuma função aparente

Thiago Lotufo

Teotihuacán

Esse lugar de nome quase impronunciável, perto da Cidade do México, foi um dos maiores centros urbanos da América. Teotihuacán começou a ser construída em 200 a.C. como um centro religioso. Nos séculos seguintes conheceu um enorme crescimento de edificações e população. Em seus 20 km2, o que chama a atenção são as imponentes pirâmides do Sol (têm 66 metros de altura e estima-se que sua construção durou cerca de 100 anos) e da Lua e a larga Avenida dos Mortos. Mas há também palácios e templos. O auge de Teotihuacán se deu por volta de 500 d.C., quando era habitada por uma população estimada em 125 mil pessoas. Mas cerca de dois séculos depois ela entrou em colapso repentinamente. E não se sabe por quê. Aparentemente, a cidade esgotou os seus recursos. Mas também pode ter sido atacada por povos nômades ou incendiada durante uma revolta interna. Os astecas chegaram à cidade séculos depois.

Batizaram-na com o nome que a conhecemos (significa “lugar onde os homens se tornam deuses”), mas não deixaram registros sobre o povo que a construiu.

Machu Picchu

Dizem que em São Tomé das Letras, em Minas Gerais, tem um portal que leva a Machu Picchu, no Peru. Bobagem? Pode ser, pois o que se sabe é que para chegar a esta pérola da arquitetura inca é preciso muita sola de sapato ou um bilhete de trem. Arqueólogos e historiadores levantaram diversas teorias sobre o lugar. Dizem que a cidade perdida foi construída por uma civilização anterior ao apogeu dos incas (séculos 15 e 16). Outros afirmam que era morada dos altos sacerdotes e de mulheres escolhidas, chamadas Virgens do Sol. Estudiosos dizem, inclusive, que a praça principal de Machu Picchu era um centro espiritual reservado a eles e aos astrônomos. Há, ainda, quem pense que o local era uma fortaleza que serviu como último refúgio dos conquistadores espanhóis. O problema para matar a charada é que os incas, apesar de habilidosos engenheiros, não tinham uma linguagem escrita para registrar sua sabedoria e passá-la às gerações futuras.

Ilha de Páscoa

Mais de 300 estátuas gigantes já foram descobertas nesta ilhota de origem vulcânica perdida no meio do Oceano Pacífico – fica a 3 700 km do Chile, país a que pertence. Os moais, como são chamadas, pesam de 15 a 30 toneladas e medem de 5 a 7 metros. Têm cabeças enormes, orelhas alongadas e maxilares salientes. Já disseram que foram confeccionadas por egípcios, incas e, logicamente, seres do espaço. Mas, de acordo com antropólogos, as estátuas parecem ter sido feitas pelos primeiros habitantes da ilha, que teriam vindo da Polinésia. Possivelmente, elas eram esculpidas na própria pedra e depois transportadas para diversos pontos da ilha. A finalidade? Talvez religiosa. Detalhe: alguns moais têm uma espécie de chapéu. Especula-se que o adorno, de material vulcânico poroso, poderia servir como pára-raios e evitar que as estátuas fossem destruídas pelas descargas elétricas que atingiam a ilha.

Stonehenge

Stonehenge, um dos mais famosos monumentos de pedra do mundo, foi construído entre 3 000 a.C. e 1 500 a.C. Agora, quem construiu e com que finalidade continua sendo um enigma. Para alguns, os círculos concêntricos localizados no centro-sul da Inglaterra armazenam e irradiam energias telúricas. Para outros, serviam como local para sacrifícios. A hipótese mais aceita diz que a edificação era uma espécie de observatório que permitia aos druidas (sacerdotes celtas) organizar um calendário que marcava as posições do Sol, da Lua e dos planetas ao longo do ano. A construção do local, feita com enormes pedras vindas de até 200 km de distância, foi durante muito tempo atribuída a eles. Mas, atualmente, acredita-se que Stonehenge não tenha sido feito de uma tacada só. E, sim, em três etapas e por povos distintos, em uma época anterior à ocupação celta nas ilhas britânicas.