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O que acontece com os Estados Unidos?

Mais raiva que simpatia. Uma investigação dos valores e dos ideais americanos - e de como o discurso e a ação de Washington evoluíram ao longo dos anos - ajuda a entender o que está acontecendo.

Denis Russo Burgierman

Pela primeira vez, o país inspira no resto do planeta mais medo que admiração. Mais raiva que simpatia. Uma investigação dos valores e dos ideais americanos – e de como o discurso e a ação de Washington evoluíram ao longo dos anos – ajuda a entender o que está acontecendo. E o que virá

Quando John Winthrop, um advogado do interior da Inglaterra, ia visitar Londres, ficava chocado com a degradação moral da capital. Era o começo do século 17 e o país se consolidava como o mais poderoso do mundo, sede de um império global, cada vez mais cosmopolita e urbano. Winthrop era adepto do puritanismo, uma corrente religiosa que interpretava a Bíblia ao pé da letra e queria reformar tudo, a começar pelo anglicanismo. Tal objetivo era considerado subversivo pela Coroa britânica – o anglicanismo era a religião oficial do Estado – e por isso muitos puritanos eram presos ou mortos.

Em 1630, a perseguição convenceu Winthrop a aceitar a oferta do rei da Inglaterra, Carlos I, e fugir para uma periferia quase desocupada do Império Britânico: a América. O advogado fundou lá uma colônia. Num sermão, usando uma imagem bíblica, Winthrop disse aos colonos que eles estavam erguendo uma “cidade na montanha” para o mundo ver. Se aquele experimento de governo pelos escolhidos de Deus funcionasse, sua luz iluminaria o mundo.

Naquela manhã, à beira da baía de Massachusetts, nascia uma identidade nacional: a de um país puro, sem a ferrugem corrupta da Europa, sem seus reis infiéis e injustos e, não menos importante, com a proteção de Deus. Um país com uma missão: a de inspirar o mundo todo com essa pureza.

Poderoso e isolado

Os Estados Unidos mudaram muito de lá para cá. Mas poucos discutem que uma coisa permaneceu: o espírito missionário, de país escolhido, destinado a servir de modelo. Temos muito o que agradecer por isso. Esse espírito espalhou a democracia pela Terra. Não fosse ele, as conquistas suadas de grupos minoritários e oprimidos dos Estados Unidos – as mulheres, os negros, os homossexuais, para ficar em três exemplos – jamais teriam ganho o mundo.

Esse senso de missão se manifestou com força nos últimos dois anos, desde que um terrível atentado terrorista em Nova York e Washington levou o presidente americano George W. Bush a declarar guerra contra o terrorismo mundial e a reivindicar para seu país a responsabilidade e o direito de consertar a Terra para torná-la segura. Até aí, novidade nenhuma. Faz mais de meio século que os Estados Unidos lideram o mundo na luta contra as ameaças à civilização. Nazismo, comunismo, narcotráfico, muda só o inimigo.

Mas parece haver uma diferença. Óbvio que, como toda guerra, a do Iraque provocou protestos. Acontece que esses foram bem maiores do que o normal, somando aos pacifistas de sempre a comunidade econômica internacional e gente que pode ser acusada de tudo, menos de ingenuidade. Até mesmo diplomatas americanos, sempre tão orgulhosos, fizeram duras críticas à política de Bush. Amigos históricos, como a França, ou de ocasião, como a Alemanha e a Rússia, se colocaram no lado oposto. A opinião pública global reprovou a ação no golfo Pérsico. O único país, além dos Estados Unidos, onde as pesquisas mostraram uma maioria pró-guerra foi Israel. Publicações liberais, historicamente simpáticas aos Estados Unidos, como a revista britânica The Economist, atacaram duramente Bush. A semanal americana Newsweek publicou uma extensa reportagem de capa intitulada “O império arrogante”.

Espalhou-se a crença de que a nova guerra de Bush, embora justa, é impossível de ser vencida – não se extermina o terrorismo com bombas que eventualmente atingem civis, muito pelo contrário – e que portanto é só um pretexto para continuar guerreando, indefinidamente. É lógico que a oposição à política de Bush não é uma unanimidade. Há especialistas no mundo todo que defendem a necessidade de combater o terror sem tréguas e de desestabilizar governos que, como o de Saddam Hussein, não joguem pelas regras do jogo. O ex-secretário de Estado americano e especialista em política externa Henry Kissinger, por exemplo, foi enfático ao escrever que, enquanto Saddam estivesse no governo, “o Iraque não poderia participar de nenhum esforço pelo equilíbrio na região. Fraco demais para balancear o Irã, forte demais para a segurança dos pequenos vizinhos no golfo, hostil demais aos Estados Unidos, o país seria sempre uma ameaça”.

Ou seja, para Kissinger, faz sentido a argumentação de Bush de que o Iraque é um risco à segurança mundial e à dos Estados Unidos. Acontece que hoje essa posição é minoritária, ainda mais fora da América do Norte.

E isso num planeta onde os Estados Unidos são a superpotência indiscutível (veja nas tabelas ao longo da matéria os números que atestam isso), da qual todas as nações dependem, cujo gasto militar acabou de ultrapassar o de todos os outros 191 países somados. O que está acontecendo? Os Estados Unidos perderam o encanto? Os valores americanos deixaram de fazer sentido? Ou eles continuam os mesmos e é o mundo que ficou para trás? Algumas idéias e fatos históricos talvez ajudem a encontrar respostas.

Do exemplo à imposição

Quando formulou a idéia da “cidade na montanha”, Winthrop criou um conceito: o de que os Estados Unidos deveriam construir uma nação perfeita e, assim, conquistar o mundo pelo exemplo. Esse espírito continuou vivo nos séculos que se seguiram. Há inúmeras provas disso. Por exemplo, a retórica revolucionária da década de 1770, época da independência americana, “pelos direitos inalienáveis de toda a humanidade”.

Mas essa retórica sofreu uma mudança no final do século 19. Surgiu uma nova idéia. Na medida em que os Estados Unidos se consolidavam como uma potência econômica e em que seus interesses se estendiam para além das fronteiras, alguns americanos foram notando que havia povos que simplesmente não conseguiam perceber a óbvia superioridade de sua democracia. Esses americanos começaram a ficar insatisfeitos com a postura de “cidade na montanha” – era preciso fazer algo mais, inclusive para proteger os negócios dos conterrâneos ao redor do mundo. Era preciso ensinar essa lição a todos. Por bem ou por mal.

A humanidade estava sob forte influência das teorias de Charles Darwin e, nesse clima, um certo John Fiske formulou em 1885 a hoje infame teoria do “destino manifesto”, uma versão social da teoria da evolução, carregada de racismo. Fiske falava da inevitabilidade da expansão americana, dada a mistura rara entre a superioridade racial anglo-saxônica e a aptidão política americana. Apropriações indevidas das teorias de Darwin deram origem a crenças parecidas em várias partes do mundo, inclusive na Alemanha – o que viria a desembocar no nazismo.

Nascia com Fiske uma outra corrente de pensamento, que foi se tornando cada vez mais respeitável e depois atraiu pensadores bem mais sérios. O historiador americano H.W. Brands, da Universidade do Texas, batizou-a de “vindicatismo”, ou seja, a crença de que cabe aos Estados Unidos a obrigação de impor à força seus valores ao mundo. Brands opõe o vindicatismo ao “exemplarismo”, a corrente de pensamento nascida com Winthrop pela qual os ideais americanos se imporiam pela simples observação.

A tese de Brands, exposta no ótimo livro What America Owes the World (“O que os Estados Unidos Devem ao Mundo”, sem versão em português), é que todo o pensamento americano sobre política externa pode ser encaixado em uma ou na outra corrente. Ou é exemplarista, e acredita que os valores superiores americanos devem ser apenas exercidos para que o mundo assista e copie, ou é vindicatista, e acredita que os valores superiores americanos devem ser enfiados goela abaixo. George W. Bush é claramente um vindicatista, ao contrário de seu antecessor Bill Clinton. As duas correntes têm diferenças óbvias. Mas ninguém nos Estados Unidos, salvo raríssimas exceções, discorda de uma coisa: os valores americanos são superiores.

Mas será que são só eles?

Antes de prosseguir, cabe uma ressalva. Esse sentimento de superioridade de forma alguma é exclusividade americana. O sociólogo francês Jean-François Revel, em seu livro A Obsessão Antiamericana, lembra que seus conterrâneos também são pródigos em megalomania. O general Charles de Gaulle, presidente francês nos anos 60, disse uma vez que “o mundo inteiro tem os olhos fixos na França”. E mesmo no Brasil, tão orgulhoso de seu espírito tolerante, nossa crença atávica no fato de que somos mais criativos e de que poderíamos ser facilmente os melhores do mundo, se quiséssemos, carrega uma boa dose de chauvinismo. Todo país, todo povo precisa de algumas crenças desse tipo – isso faz parte do processo de construir uma identidade nacional. Qualquer uma.

Mas o fato é que, nos Estados Unidos, essas crenças se entranharam de uma forma extrema e são muito difundidas. E mais do que isso: os americanos foram especialmente convincentes ao espalhá-las pelo mundo. Tanto que se tornaram o país mais influente e admirado do planeta, sua maior potência econômica, o maior produtor de cultura popular, o mais rico, o mais poderoso. E é claro que tudo isso reforça a crença de que são predestinados. O sucesso é encarado como uma confirmação da superioridade americana.

Império americano?

Ultimamente uma palavra vem sendo usada com cada vez mais freqüência para caracterizar os Estados Unidos: império. É justo chamar o país de Bush desse nome feio? Quem tenta responder é o historiador britânico Dominic Lieven, da London School of Economics, um dos maiores especialistas no assunto. Num artigo para a revista inglesa Prospect, Lieven deu sua definição de império, que consta de três tópicos. Primeiro: “um império não é baseado no consentimento de quem ele governa”. Segundo: “tem um poder muito grande”. E, por último: “governa vastos territórios e muitos povos”.

“Talvez os Estados Unidos se encaixem mais bem em umas partes dessa definição do que em outras”, escreveu Lieven. Mas não há dúvida de que se encaixa pelo menos um pouco em todas. A ver: tem um poder imenso, provavelmente o maior poder que um país já teve na história. E, se é verdade que não governa diretamente boa parte do mundo, inegavelmente tem grande influência militar e econômica sobre o destino de toda a Terra, inclusive sobre cidadãos de países que não têm direito a voto na hora de eleger o presidente americano. Há bases militares americanas em pelo menos 93 países – metade das nações do mundo – e quase todas as outras dependem em grande medida do comércio com os americanos, maiores importadores e exportadores do planeta.

E qual o problema disso? O que há de errado em ser um império? Para entender isso, é preciso entender também a identidade desse país singular. Os Estados Unidos nasceram sob a opressão imperial britânica. “Império”, no imaginário dos Estados Unidos, é sinônimo de perseguição religiosa, de impostos extorsivos, de leis injustas. Na origem, o projeto nacional americano é anti-imperial. “A lógica americana é a lógica da liberdade”, afirma o cientista político Braz Araújo, coordenador do Núcleo de Análise Interdisciplinar de Políticas Estratégicas da Universidade de São Paulo (USP).

A “liberdade” à qual se refere Braz quer dizer várias coisas. Quer dizer liberdade individual, de professar uma religião, de expor uma opinião, de se organizar – garantias fundamentais da Constituição americana e de quase todas depois dela. Mas é também liberdade econômica, de comerciar com quem bem entender, de abrir um negócio, de lucrar. Ambos os tipos de liberdade são muito caros aos americanos. E impérios são avessos a ambos.

Quando o século 19 começou, os Estados Unidos eram um imenso país cheio de potencial e de riquezas e com uma altíssima produção. Mas não podiam ir muito além disso. Havia um sério empecilho atravancando seu crescimento: o imperialismo. O mundo estava fatiado entre os grandes impérios europeus. Inglaterra, França, Espanha, Portugal tinham absoluto monopólio sobre a matéria-prima barata e os mercados consumidores da Ásia, África e de grande parte da América. O crescimento econômico americano era bloqueado por essa falta de liberdade de comércio.

Não foi à toa que virou prioridade nacional americana fazer esforços diplomáticos para derrubar impérios pelo mundo. Combater impérios não era só uma postura ideológica inatacável, justa e simpática, mas também uma questão econômica, uma forma de abrir mercados. Os embaixadores americanos trabalhavam orgulhosos dos valores libertários que representavam e quase sempre tinham ótimas relações com movimentos nacionalistas e republicanos em diversos países. “No Brasil, por exemplo, o embaixador americano vivia às turras com a família real, mas dava-se muito bem com a elite liberal republicana”, diz a historiadora Antonia Fernanda Wright, da USP, especialista na nossa já antiga relação com os governos americanos.

Muitas vezes os Estados Unidos financiavam grupos pró-independência e antimonárquicos. Em 1898, foi inclusive para a guerra – derrotou a então decrépita Espanha e tirou dela Cuba, as Filipinas e Porto Rico. Tudo em nome da destruição dos velhos impérios. E, como a história é cheia de ironias, começou aí a grande contradição americana: o país antiimperialista por excelência começou a se parecer com um império. Tanto que as forças americanas massacraram rebeldes nacionalistas das Filipinas, numa passagem que causou muita polêmica entre vindicatistas e exemplaristas.

Saudades do quê?

Acusações de imperialismo jamais tinham sido um problema antes do século 20. As monarquias européias não davam bola para o consentimento dos súditos. O poder era do rei. Exceto em alguns poucos lugares da Terra, democracia também não significava muito. A relação entre os países era, para dizer o mínimo, violenta e injusta. Países poderosos, como os Estados Unidos são hoje, nunca tiveram que se preocupar muito com questões como “justiça” ou “aprovação popular”. O mais forte sempre pôde invadir o mais fraco. E pronto. Ainda que a democracia vigorasse internamente, as relações internacionais sempre foram regidas pela velha lei do mais forte.

Afinal, quando o mundo reclama da arbitrariedade americana, está com saudades de quê? Ainda que se parta do princípio de que a Guerra do Iraque foi injusta, qual guerra foi justa? Ainda que acreditemos que os Estados Unidos têm sido arrogantes e autoritários na relação com os mais fracos, qual nação poderosa foi mais humilde que eles? Ainda que aceitemos a acusação de que a guerra foi feita por interesses econômicos, que outro país na história, sendo mais forte militar e economicamente, deixou de exercer seus interesses? Qual é o pecado americano?

Talvez a resposta esteja no fato de que os Estados Unidos tenham construído sua identidade nacional sobre os pilares das instituições democráticas. Ganharam a aprovação e a admiração do mundo assim, conquistaram assim sua liderança. Quando a Primeira Guerra Mundial estourou, em 1914, o governo e o povo americano não queriam lutar. Acabaram jogados na guerra pelo desenrolar dos combates, quando ficou claro que, no mundo novo que estava se desenhando, os mercados estariam fechados, os impérios continuariam monopolizando o comércio, a tal “liberdade” (individual e econômica) não seria poupada. O presidente americano, Woodrow Wilson, foi para a guerra dizendo que iria tornar o mundo “seguro para a democracia”. E a guerra foi ganha.

Wilson achava que não bastava que os Estados Unidos fossem uma democracia exemplar, uma “cidade na montanha” – como queriam os exemplaristas. Por mais que a relação entre os americanos fosse regida por regras claras e justas, o mundo seria “inseguro para a democracia” enquanto não houvesse regras tão claras e tão justas para reger a relação entre os países. Era necessário que surgissem organizações supranacionais que fizessem no mundo o que as instituições democráticas – do Executivo, do Legislativo e do Judiciário – fazem dentro dos países. Em grande parte por pressão dele, surgiu após a guerra a Liga das Nações, antecessora da ONU, a primeira dessas organizações que estão acima dos países. Mas os americanos perceberam que as outras potências não estavam dispostas a abrir mão de seu controle colonial sobre boa parte do mundo em troca de coisas vagas como a democracia.

Por conta disso, os americanos ficaram de fora da Liga das Nações: não quiseram compactuar com um tratado que mantinha o mundo basicamente do jeito que era.

Povo e governo dos Estados Unidos tampouco queriam lutar a Segunda Guerra Mundial. Assistiram impávidos à tomada da Polônia e da Bélgica por Hitler. Viram Paris cair, de nariz empinado, prometendo que nunca mais se sacrificariam para “corrigir os erros da Europa”, nas palavras do grande teórico exemplarista Charles Beard. Até que foi ficando claro que Hitler era uma ameaça grande demais. Que, se ele não fosse parado por alguém, logo chegaria à Grã-Bretanha, tendo apenas um oceano a separá-lo dos Estados Unidos. Resultado: os americanos entraram na guerra – e, de novo, mais até que na Primeira Guerra, foram fundamentais para ganhá-la.

A pressão americana foi decisiva para que uma série de organizações internacionais surgisse com o fim da guerra. O objetivo delas: evitar a ameaça de um novo Hitler. Civilizar a relação entre as nações. Acabar com invasões arbitrárias. Fazer com que o mundo fosse regido por regras tão claras quanto as que vigoravam dentro dos Estados Unidos e de outras democracias. Surge a ONU, para acabar com as guerras. Nasce, dentro da ONU, o Conselho de Segurança, onde os países mais poderosos resolveriam as grandes questões da humanidade. É criada a Corte Internacional de Justiça. Outro legado daquele conflito foi o encontro de Bretton Woods, no nordeste dos Estados Unidos, que gerou instituições econômicas internacionais, como o FMI e o Banco Mundial, para assegurar o livre-comércio e a justeza das disputas comerciais.

Liberais do mundo todo, e especialmente dos Estados Unidos, passaram a sonhar com um mundo novo. Um mundo democrático. Os valores tão fundamentais para os Estados Unidos – liberdade, democracia, justiça – pareciam estar prestes a serem internacionalizados. O mundo todo estava olhando a “cidade na montanha”.

A Guerra Fria, lembra?

Mas havia um problema para ser resolvido antes. Um outro país saíra fortalecido da Segunda Guerra Mundial. A União Soviética tinha sido também fundamental para a vitória aliada. Seus exércitos libertaram vários países dos nazistas (para impor uma outra ditadura). E, em muitos outros, os socialistas emergiam como o grupo político mais popular, graças à liderança que eles exerceram nos movimentos de resistência.

Os soviéticos eram diferentes dos americanos em quase tudo. “Liberdade”, se é que era um valor importante, não significava para eles o mesmo que para os americanos. Tanto é assim que todos os governos comunistas viviam sob ditaduras rigorosas. E todas as economias dos países comunistas eram absolutamente fechadas. Era tudo o que os Estados Unidos, tão preocupados em abrir mercados, não queriam.

Mas havia uma coisa que os dois países tinham em comum: o senso de missão, a crença na predestinação. No caso soviético, era a teoria de Karl Marx que os levava a acreditar nisso. Marx previu a inevitabilidade da revolução. Assim como os americanos, os russos tinham certeza de que o processo histórico levaria naturalmente à adoção de seus ideais por um pedaço cada vez maior do mundo. Não existe espaço para duas nações predestinadas num mundo tão pequeno quanto o nosso se tornou no século 20.

Terminada a guerra, as nações aliadas logo começaram a se estranhar. Em fevereiro de 1946, Stálin disse, sem a menor sutileza, que capitalismo e socialismo são incompatíveis: “um triunfará, o outro desaparecerá”. O primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, não foi mais sutil no mês seguinte, quando declarou que havia uma “cortina de ferro” separando as ditaduras sob influência russa do “mundo livre”.

Era esse o clima quando chegou a Washington um telegrama de 8 mil palavras (algo como o dobro desta reportagem), transmitido de Moscou. O remetente era um diplomata chamado George Kennan e o assunto era o governo do Kremlin. Parte do telegrama descrevia o “tradicional e instintivo senso de insegurança dos russos”, natural num povo agrário morador de amplas planícies atravessadas toda hora por nômades agressivos. “Eles aprenderam a buscar segurança apenas na luta paciente porém mortal, cujo objetivo era a total destruição do rival, nunca fazendo pactos ou acordos”, afirmou.

Segundo Kennan, a revolução comunista tinha apenas agravado esses traços, ao estender para o palco global a luta interna irreconciliável entre o capital e o trabalho: os soviéticos se consideravam representantes do trabalho e tinham que destruir os países que representavam o capital. A tradicional paciência russa teria sido aumentada pela crença marxista na inevitabilidade da revolução. Eles não tinham pressa em vencer – sabiam que o futuro era deles. Kennan em seguida fazia previsões sobre a estratégia russa para vencer essa guerra. Eles apoiariam partidos comunistas e grupos sem ligação oficial com o Kremlin no mundo inteiro, para causar desunião, revoltas populares, inquietação social. Até que o mundo todo fosse comunista.

Tais características faziam da União Soviética um inimigo natural. E um inimigo singular, que exigiria uma tática igualmente singular. Os americanos teriam que ser tão pacientes quanto os russos, talvez mais. Teriam que lutar sem tréguas, mas sem jamais se expor no confronto direto. Não poderiam tentar acordos, já que os russos são impermeáveis a eles. E deveriam defender inúmeros fronts, evitando que amigos dos russos chegassem ao poder no mundo todo. O confronto estava fadado a levar décadas.

Estava desenhada a tática da “contenção”, a luta indireta contra os russos, jamais enfrentando-os no campo aberto, apenas bloqueando seus avanços pelo mundo afora. Estava desenhada a Guerra Fria. Por meio século, esse conflito velado ditou os rumos do mundo – país nenhum ficou imune a ele. Como a União Soviética era expansionista por definição, não cabia mais aos americanos ser exemplaristas – cuidar de casa e esperar que o mundo os copiasse. Era preciso ser vindicatista – e atacar antes que o mundo virasse comunista. Ficar parado seria dar espaço ao inimigo. Em cada país do globo havia grupos financiados pelos soviéticos. Os Estados Unidos teriam que estar igualmente presentes em toda parte.

A Guerra Fria congelou o sonho de um mundo gerido por instituições transnacionais. A ONU era travada pela disputa automática entre Estados Unidos e União Soviética. Como ambas as potências tinham direito a veto, nunca nada era aprovado no Conselho de Segurança. A guerra ideológica contaminou o planeta. Não havia a opção de fugir dela, como constataram amargamente os países que tentaram um caminho independente. Ser contra os Estados Unidos era ser pró-União Soviética. Ser socialista era, por definição, ser antiamericano – uma expressão típica daquela época hoje resgatada por Bush. E, diante da necessidade premente de combater o inimigo, o mundo se encheu de ditaduras. Muitas delas eram apoiadas pelos soviéticos. E os Estados Unidos apoiaram outras tantas. Não era difícil para muitos presidentes americanos justificar esse apoio, aparentemente contrário aos ideais democráticos nacionais.

Afinal, o que era mais importante: a falta de democracia num único país ou a ameaça constante de que os comunistas acabassem de uma vez com a democracia no mundo todo?

Esqueceram o sonho?

A Guerra Fria acabou em 1989, com o colapso humilhante da União Soviética, quebrada pelo esforço econômico de construir armas para intimidar os Estados Unidos e dividida pela insatisfação de sua população com a pobreza e a falta de liberdade. Por alguns anos, idealistas do mundo, que acreditavam sinceramente nos valores liberais, libertários e democráticos (gente muito numerosa nos Estados Unidos), acharam que seria estabelecida uma pax americana – um período de ânimos tranqüilos, liderado magnanimamente pelos Estados Unidos e regulado por instituições supranacionais fortes, cujas decisões seriam guiadas por princípios jurídicos, políticos e técnicos, e não pela ideologia.

O governo republicano de George Bush pai foi vindicatista – o pai do atual presidente acreditava na importância de seu país atuar como uma espécie de polícia do mundo. Mas, apesar das guerras, é inegável que houve progressos para que surgisse esse mundo com instituições fortes. Pela primeira vez, com Bush pai, os membros do Conselho de Segurança da ONU (CS) concordaram numa decisão – a de invadir o Iraque. Clinton, bem mais exemplarista, mas igualmente inclinado a intervenções externas, também caminhou na direção das instituições democráticas mundiais. A novidade, agora, é que Bush não apenas fez guerras – como todos os presidentes americanos nas últimas décadas. É o fato de que ele seguidamente minou as instituições que os Estados Unidos, mais que qualquer outro país, ajudaram a construir.

Ele retirou-se de diversos acordos internacionais e desrespeitou outros. Chutou o protocolo de Kyoto, pela redução da emissão de gases de efeito estufa. Boicotou a Corte Internacional Penal de Justiça, sob a alegação de que os americanos seriam muito visados nesse tribunal que julgaria criminosos internacionais. E virou as costas ao CS, que não comprou as justificativas para a segunda guerra do Iraque.

“A grande potência ignorou que vivemos na era da globalização”, afirmou o economista e ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, num artigo para a revista Política Externa. A tese de Bresser diz que os Estados Unidos se tornaram, ironicamente, a maior ameaça à causa tão americana da globalização. É que Bresser entende globalização num sentido amplo: não são apenas as fronteiras comerciais que têm que ser abertas, faz parte disso fortalecer instituições globais, como essas que Bush decidiu deslegitimar. Sem elas, continua imperando a força, em vez dos já tão citados valores democráticos. E, sem elas, o livre-comércio, outra causa muito americana, fica seriamente ameaçado.

“George W. Bush é a negação do espírito liberal americano”, afirmou numa entrevista o economista Clyde Prestowitz. Prestowitz não pode ser considerado um esquerdista – atual presidente do Instituto de Estratégia Econômica, ele foi um destacado membro da área econômica do governo Ronald Reagan, do Partido Republicano, o mesmo dos Bush. Ainda assim, ele acabou de escrever um livro chamado Rogue Nation (“País Delinqüente”, sem versão brasileira), no qual compara os Estados Unidos a outros países tidos como indignos de confiança, como a Líbia e o Iraque. E a crítica não é apenas política, mas também econômica e ideológica. “Nós sempre pregamos a redução do tamanho do Estado. Bush está aumentando enormemente a presença estatal, principalmente na área militar”, diz o economista.

A crítica de Prestowitz é prova cabal de que a postura de Bush não reflete a opinião de toda a classe política americana – muito menos de toda a população. Mas, ainda assim, o atual presidente está na frente na corrida pela reeleição, em parte pela quase absoluta falta de candidatos carismáticos no campo da oposição.

Alguém explica?

E por que idéias que soam tão anti-americanas – Estado inchado, instituições supranacionais enfraquecidas, livre-comércio ameaçado, pendão imperial – tornaram-se tão difundidas nos Estados Unidos? O ex-presidente Dwight Eisenhower, cujo governo aliás se caracterizou por um forte ânimo militarista, esboçou uma explicação já em 1961. Foi o que ele chamou de “complexo militar-industrial”. Em outras palavras, Eisenhower achava que tantos anos de Guerra Fria tinham criado uma elite militar e econômica dependente de conflitos. E que essa elite tinha poder suficiente para levar o país a guerras contínuas.

Que a economia americana lucrou com as guerras do passado é difícil refutar. Aliás, não foi só a economia americana que se beneficiou – foi o mundo todo. Você, inclusive, pacífico leitor. Tanto as empresas de alta tecnologia quanto os institutos de pesquisa de ponta tiram grande parte de suas verbas do orçamento militar nacional. Para ficar num exemplo, toda a indústria de computadores, internet incluída, foi desenvolvida primeiramente para fins militares. O consumidor ficou com o fruto disso.

O complexo militar-industrial do qual falava Eisenhower inclui um contingente de meio milhão de soldados espalhados pelo mundo e de uma infinidade de oficiais poderosos e influentes nas altas esferas governamentais. Isso além de uma quantidade absurda de armas, suficiente para destruir todos os planetas do sistema solar, já que a lógica da Guerra Fria era a da acumulação, independentemente da necessidade real. O raciocínio do ex-presidente, muito repetido pela oposição a Bush, é o de que tanto as empresas que lucram com as guerras quanto os militares que vivem delas usam sua influência para que elas nunca terminem e para que surja sempre um novo inimigo.

Os aliados de Bush negam essa versão. Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York e um dos mais populares políticos do país, afirma que o que está acontecendo agora é uma “luta global para erradicar o terrorismo” e que o resultado dela será, aí sim, uma “paz duradoura”, aquela mesma que tinha sido prometida para o fim da Guerra Fria.

E o que vem depois?

O futuro, você sabe, a Deus pertence. Mas, descontada a interferência divina, a maior influência sobre os amanhãs de toda a Terra definitivamente cabe aos Estados Unidos. Os especialistas discordam em relação ao que vai acontecer nos próximos anos. Mas só os muito insensatos entre eles duvidam que as decisões americanas moldarão em grande medida o planeta no qual viveremos no futuro.

E o que vai acontecer? Boa parte da classe política americana – incluídos quase todos os democratas e alguns republicanos “históricos”, da estirpe de Prestowitz – acredita que o país logo retomará o caminho do qual se desviou com Bush. Braz Araújo enxerga um futuro no qual a ONU vai “refletir o equilíbrio real de poder no mundo” e os Estados Unidos “liderarão a humanidade, com respeito às instituições e à ‘lógica da liberdade’”.

O britânico Eric Hobsbawm, um dos grandes historiadores vivos, vê mais nuvens no horizonte. Ele acha que a Guerra do Iraque conseguiu colocar países poderosos na oposição. Além disso, enfraqueceu governos aliados: o primeiro-ministro britânico Tony Blair está numa situação frágil. No mundo inteiro, participar de eleições com a proposta de se opor aos Estados Unidos virou uma estratégia ganhadora de votos. “A atual política americana é mais impopular que a de qualquer outro governo americano”, afirmou, num artigo para a revista francesa Le Monde Diplomatique. E um país que ganhou o planeta apostando na sua popularidade não deve subestimar o peso de ser impopular.

Hobsbawn acha que está nascendo um mundo mais dividido e tenso e que os Estados Unidos só têm a perder nesse cenário. Não que ele acredite que possa acontecer uma guerra contra os americanos – nem uma grande frente de oposição poderia enfrentar os Estados Unidos militarmente. Mas uma frente assim poderia afetar a potência economicamente. “A economia dos EUA, apesar de fortíssima, é vulnerável: imaginemos, por exemplo, que os países exportadores de petróleo decidam que o barril seja faturado em euros, e não em dólares”, diz Hobsbawn. Seria um duro golpe para Washington.

Ainda mais sombrio é o futuro imaginado pelo pensador Noam Chomsky, talvez o mais radical dos autores da esquerda americana, embora não nutrisse simpatia pela União Soviética. Segundo Chomsky, a Guerra Fria não foi contra os comunistas e não tinha nada a ver com ideologia. Ela foi parte de uma guerra, começada bem antes da Revolução Russa e ainda não terminada, contra o Terceiro Mundo. Os Estados Unidos irão sempre invadir países pobres e sem poder de reação como forma de proteger seus interesses, abrir mercados e garantir matéria-prima, em especial petróleo. A invasão do Iraque teria sido apenas mais uma batalha de uma guerra que poderá ser eterna.

Mas talvez a melhor previsão para o futuro tenha sido uma formulada há mais de 150 anos, por um teórico nascido longe dos Estados Unidos, o francês Alexis de Tocqueville. No seu clássico A Democracia na América, Tocqueville descreve os Estados Unidos como um país no qual os problemas da democracia são resolvidos com mais democracia. Essa análise combina com o fato de que as críticas mais contundentes aos Estados Unidos vêem de dentro dos Estados Unidos. O país sempre foi lugar propício para o florescimento de soluções para os problemas. Talvez seja o caso de esperarmos com calma – e com os olhos fixos na “cidade na montanha”.

Conflitos com participação americana

Guerras com participação americana no último século que não foram oficialmente declaradas pelo Congresso americano

1899-1901

Repressão a insurreição popular nas Filipinas

1900

Repressão à Rebelião dos Boxers (seita secreta) na China

1903-1914

Repressão a revolução popular no Panamá

1918-1920

Repressão a revolução bolchevista na Rússia

1926-1933

Repressão a golpe de Estado na Nicarágua

1950-1953

Guerra contra a Coréia do Norte e contra a China

1962

Quarentena naval durante crise dos mísseis em Cuba

1964-1973

Guerra contra Vietnã do Norte e vietcongues

1965

Repressão a revolta popular na República Dominicana

1980

Tentativa frustrada de resgate de reféns americanos no Irã

1982

Envio de tropas para conter guerra civil no Líbano

1983

Repressão a rebelião após golpe de Estado em Granada

1989

Operação para tirar do poder o general Noriega no Panamá

1991

Guerra do Golfo contra o Iraque após a invasão do Kuwait

1992

Envio de forças para conter guerra civil na Somália

1994-1995

Ataque à Iugoslávia contra política de limpeza étnica

1998

Ataques aéreos a alvos terroristas no Afeganistão e no Sudão

1999

Bombardeios junto com Otan contra sérvios no Kosovo

2001-2002

Invasão do Afeganistão na busca por Osama Bin Laden

2003

Guerra contra Iraque para tirar Saddam Hussein do poder

FONTE: Instances of Use of United States Forces Abroad, 1798-2001

Para saber mais

Na livraria:

What America Owes the World, H.W. Brands, Cambridge University Press, Reino Unido, 1998

A Democracia na América, Alexis de Tocqueville, Martins Fontes, São Paulo, 2001

Contendo a Democracia, Noam Choms, ky, Record, Rio de Janeiro, 2003

American Culture, Breidlid, Brogger, Gulliksen e Sirevag (edição), Routledge, Reino Unido, 1998

A Obsessão Antiamericana, Jean-François Revel, UniverCidade, Rio de Janeiro, 2003

Rogue Nation, Clyde Prestowitz, Basic Books, EUA, 2003

Stupid White Men, Michael Moore, Regan Books, EUA, 2001

Na internet

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Produto Interno Bruto (em bilhões de reais)

1º EUA – 10 417 – 32,2%

2º Japão – 3 979 – 12,3%

3º Alemanha – 1 976 – 6,1%

4º Reino Unido – 1 552 – 4,8%

5º França – 1 410 – 4,3%

6º China – 1 237 – 3,8%

7º Itália – 1 181 – 3,6%

8º Canadá – 786 – 2,2%

9º Espanha – 650 – 2,0%

10º México – 637 – 1,9%

Total mundo – 32 252 – 100%

Fonte: Banco Mundial (dados de 2002)

Com 5% da população mundial, os EUA concentram quase um terço de toda a riqueza produzida no planeta

Comércio Exterior (em bilhões de dólares)

Soma das exportações e importações. Exclui serviços e transações financeiras

1º EUA – 1 911 – 15,1%

2º Alemanha – 1 064 – 8,4%

3º Japão – 753 – 5,9%

4º França – 648 – 5,1%

5º Reino Unido – 605 – 4,8%

6º China – 510 – 4,0%

7º Canadá – 487 – 3,8%

8º Itália – 474 – 3,7%

9º Holanda – 437 – 3,4%

10º Bélgica – 348 – 2,7%

Total mundo – 12 596 – 100%

Fonte: OMC (dados de 2001)

Os EUA respondem por um sexto de todo o comércio exterior. Sem eles, a economia mundial entraria em colapso

Ranking de Exportação (em bilhões de dólares)

1º EUA – 731 – 11,8%

2º Alemanha – 571 – 9,3%

3º Japão – 404 – 6,6%

4º França – 322 – 5,2%

5º Reino Unido – 273 – 4,4%

6º China – 266 – 4,3%

7º Canadá – 260 – 4,2%

8º Itália – 241 – 3,9%

9º Holanda – 230 – 3,7%

10º Bélgica – 178 – 1,8%

Total mundo – 6 155 – 100%

Fonte: OMC (dados de 2001)

Como os EUA compram mais do que vendem, o déficit de sua balança comercial é de quase 450 bilhões de dólares

Ranking de Importação (em bilhões de dólares)

1º EUA – 1 180 – 18,1%

2º Alemanha – 493 – 7,7%

3º Japão – 349 – 5,4%

4º Reino Unido – 332 – 5,2%

5º França – 326 – 5,1%

6º China – 244 – 3,8%

7º Itália – 233 – 3,6%

8º Canadá – 227 – 3,5%

9º Holanda – 207 – 3,2%

10º México – 176 – 2,7%

Total mundo – 6 441 – 100%

Fonte: OMC (dados de 2001)

Produção de Energia (em mil TEP – Toneladas Equivalentes de Petróleo)

1º EUA – 1 687 886

2º China – 1 056 963

3º Rússia – 950 589

4º Arábia Saudita – 448 735

5º Índia – 409 788

6º Canadá – 366 554

7º Reino Unido – 281 674

8º Irã – 229 406

9º Indonésia – 226 378

10º México – 221 771

Fonte: Exame Almanaque Abril Mundo em Dados 2003

Os EUA consomem mais energia do que produzem, e assim dependem de fontes externas, como o petróleo árabe

Comercio de energia (em mil TEP – Toneladas Equivalentes de Petróleo)

1º EUA – 2 269 985

2º China – 1 088 349

3º Rússia – 602 952

4º Japão – 515 447

5º Índia – 480 418

6º Alemanha – 337 196

7º França- 255 053

8º Canadá – 241 780

9º Reino Unido – 230 324

10º Coréia do Sul – 181 365

Fonte: Exame Almanaque Abril Mundo em Dados 2003

Gastos Militares (em bilhões de dálares)

1º EUA – 335,7 – 42,8%

2º Japão – 46,7 – 5,9%

3º Reino Unido – 36,0 – 4,5%

4º França – 33,6 – 4,2%

5º China – 31,1 – 3,9%

6º Alemanha – 27,7 – 3,5%

7º Arábia Saudita – 21,6 – 2,7%

8º Itália – 21,1 – 2,6%

9º Irã – 17,5 – 2,2%

10º Coréia do Sul – 13,5 – 1,7%

Fonte: Sipri Yearbook (dados de 2003)

Para garantir a paz ou fazer a guerra, os EUA gastam bilhões e têm milhardes de soldados de prontidão ao redor do globo

Militares americanos no exterior

1º Alemanha – 60 053

2º Japão – 41 257

3º Coréia do Sul – 35 663

4º Itália – 11 677

5º Reino Unido – 11 376

6º Bósnia-Herzegóvina – 8 170

7º Egito – 5 846

8º Panamá – 5 400

9º Hungria – 4 220

10º Espanha – 3 575

Fonte: Statistics Abstract of the United States (dados de 2000)

Computadores pessoais (em milhões)

1º EUA – 178 – 32,7%

2º Japão – 48,7 – 8,9%

3º Alemanha – 35,9 – 6,6%

4º Coréia do Sul – 26,4 – 4,8%

5º China – 25 – 4,8%

6º Reino Unido – 22 – 4,0%

7º França – 20,7 – 3,8%

8º Canadá – 15,3 – 2,8%

9º Brasil – 13 – 2,3%

10º Rússia – 13 – 2,3%

Fonte: ITU (dados de 2002)

Um a cada três computadores está nos Estados Unidos. Sem os americanos, a internet ficaria bem vazia

Pessoas com acesso online (em milhões)

1º EUA – 155 – 26,2%

2º China – 59,1 – 9,9%

3º Japão – 57,2 – 9,6%

4º Alemanha – 35 – 5,9%

5º Coréia do Sul – 26,2 – 4,4%

6º Reino Unido – 24 – 4,0%

7º França – 18,7 – 3,1%

8º Itália – 17 – 2,8%

9º Índia – 16,5 – 2,7%

10º Canadá – 15,2 – 2,5%

Fonte: ITU (dados de 2002)

Os Estados Unidos têm 141 milhões mais usuários de internet que o Brasil

Frota de veículos (em milhões de unidades)

1º EUA – 221,4 – 29,5%

2º Japão – 72,6 – 9,6%

3º Alemanha – 47,3 – 6,3%

4º Itália – 36,1 – 4,8%

5º França – 33,8 – 4,5%

6º Reino Unido – 31,4 – 4,1%

7º Rússia – 25,6 – 3,4%

8º Espanha – 21,4 – 2,8%

9º Brasil – 19,3 – 2,5%

10º Canadá – 17,5 – 2,3%

Fonte: Anfavea (dados de 2000)

Não é à toa que grande parte dos gases do efeito estufa é emitida nos Estados Unidos. Lá está um terço da frota de carros da Terra

Emissão de gás carbônico (em milhões de toneladas)

1º EUA – 5 447,6

2º China – 3 108

3º Rússia – 1 434,6

4º Japão – 1 133,5

5º Índia – 1 061

6º Alemanha – 825,2

7º Reino Unido – 542,3

8º Canadá – 467,2

9º Itália – 414,9

10º México – 374

Fonte: Exame Almanaque Abril Mundo em Dados 2003

Os Estados Unidos emitem 5 148 milhões de toneladas de CO2 a mais que o Brasil

Receitas com turismo (em milhões de dólares)

1º EUA – 74 881

2º Espanha – 32 400

3º França – 31 507

4º Itália – 28 359

5º Reino Unido – 20 223

6º Alemanha – 16 730

7º China – 14 098

8º Áustria – 12 533

9º Canadá – 10 171

10º Grécia – 8 783

Fonte: Exame Almanaque Abril Mundo em Dados 2003

Apesar do terrorismo, nenhum país fatura tanto com o turismo

Bilheterias mundiais (em milhões de dólares)

1º Titanic (1997) – 1 835

2º Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001) – 968

3º Star Wars Episódio I (1999) – 922

4º Jarassic Park (1993) – 919

5º O Senhor dos Anéis II (2002) – 918

6º Harry Potter II (2002) – 866

7º O Senhor dos Anéis (2001) – 860

8º Independence Day (1996) – 811

9º Homem-Aranha (2002) – 806

10º Guerra nas Estrelas (1977) – 797

Fonte: Internet Movie Database (2003)

Das 100 maiores bilheterias da história, 99 são americanas. A outra é australiana: Crocodilo Dundee

Medalhas de Ouro (e, jogos Olímpicos)

1º EUA – 861

2º União Soviética – 395

3º Alemanha – 217

4º Reino Unido – 180

5º Itália – 174

6º França – 173

7º Alemanha Oriental – 153

8º Hungria – 148

9º Suécia – 138

10º Austrália – 100

Fonte: COI (dados até 2000)

A Guerra Fria se transferiu para o esporte. E, também lá, a vitória americana foi tranqüila

Ensino superior (em milhões de pessoas)

1º EUA – 13,59

2º China – 12,14

3º Índia – 9,40

4º Rússia – 7,22

5º Japão – 3,97

6º Indonésia – 3,01

7º Coréia do Sul – 3,00

8º Brasil – 2,78

9º Egito – 2,44

10º Filipinas – 2,43

Fonte: Unesco (dados de 2001)

Investimento em educação e pesquisa é uma das principais razões do predomínio americano

População carcerária (em milhares de pessoas)

1º EUA – 2 019

2º Rússia – 874,3

3º Tailândia – 258

4º Brasil – 240,1

5º Ucrânia – 198,8

6º África do Sul – 176,8

7º Irã – 163,5

8º México – 154,7

9º Cazaquistão – 84

10º Polônia – 83,1

Fonte: International Centre for Prison Studies. Dados de 2003

O número de presos mostra que a lei é cumprida, mas também indica um greve problema social