Super Promoção: 3 meses por 1,99/mês

O que é a “estrada dos dinossauros” de 166 milhões de anos, descoberta na Inglaterra

O solo deve ter condições ideais para que as pegadas sejam preservadas. Saiba quais animais deixaram as marcas.

Por Manuela Mourão
9 jan 2025, 10h00

Uma descoberta digna de Jurassic Park foi feita em uma jazida em Oxfordshire, um condado metropolitano que fica a 83km de Londres. Pesquisadores britânicos encontraram quase 200 pegadas de dinossauros no local, como se ali fosse uma passarela dos bichos.

As pegadas datam de 166 milhões de anos atrás, no meio do Período Jurássico. De acordo com pesquisadores, elas remetem a dois tipos diferentes de dinossauros: o Cetiosaurus, que é um pescoçudo saurópode, e o Megalosaurus, um terópode carnívoro.

As marcas foram descobertas sem querer por Gary Johnson, um trabalhador da jazida, enquanto dirigia um escavador. Para a BBC, ele diz que “estava basicamente limpando o barro quando bati em uma lombada, e pensei que era apenas uma anormalidade no solo”. Ele estranhou que a cada 3 metros de comprimento percorridos ele encontrava um novo obstáculo, foi aí que ele reparou que os buracos eram, na verdade, grandes pegadas. 

Durante o período de maio até agosto do ano passado, mais de 100 cientistas, estudantes e voluntários ajudaram na escavação do local para identificar os caminhos percorridos e marcados pelos dinossauros. No total, cinco “estradas” foram registradas. 

Cientistas identificaram que quatro desses caminhos foram feitos por saurópodes, dinossauros de até 18 metros de altura, com pescoços longos, que se alimentavam de plantas e andavam em quatro patas. O Arlo, personagem da animação “O Bom Dinossauro”, da Disney, é um bom exemplo desse dino.

O quinto caminho foi feito por um Megalosaurus. Eles são terópodes, grupo composto por grandes carnívoros bípedes, como o T-Rex. O responsável por essa estrada deveria ter 9 metros de altura, no máximo, e eram os maiores dinossauros no período Jurássico a andar por territórios britânicos. 

Continua após a publicidade

Graças à preservação das pegadas, os pesquisadores descobriram um local em que os caminhos de um saurópode e um megalosaurus se cruzaram. O pescoçudo passou primeiro, já que a borda frontal da pegada está ligeiramente esmagada pelo megalossauro de três dedos que andou sobre ela.

Richard Butler, professor de paleobiologia na Universidade de Birmingham, disse em comunicado que “há muito mais que podemos aprender com este sítio, que é uma parte importante do nosso patrimônio terrestre nacional. Nossos modelos 3D permitirão que pesquisadores continuem a estudar e tornem acessível essa parte do nosso passado para as gerações futuras.”

Foram feitas mais de 20 mil fotos para a criação dos modelos citados por Butler. Para a BBC, o professor conta que uma trilha de pegadas é uma ”fotografia instantânea da vida do animal”. Com elas é possível “descobrir coisas sobre como esse animal se movia. Pode aprender exatamente como era o ambiente em que ele vivia – um conjunto totalmente diferente de informações que não conseguimos obter do registro fóssil de ossos.”

Compartilhe essa matéria via:
Continua após a publicidade

O que são e como são formadas essas estradas?

Imagem de uma reconstrução artística de como o Megalosaurus e o Cetiosaurus podem ter criado as pegadas.
(Oxford University Museum of Natural History/ Mark Witton/Reprodução)

Pegadas preservadas são um tipo de fóssil. Eles são formados a partir da marca da caminhada de um animal no solo, que ficam preservados por milhares de anos. Quando encontrados, são analisados por cientistas profissionais da icnologia, especializados em pegadas de dinossauros.

De acordo com o Museu de História Natural dos Estados Unidos,  a área onde a pegada ocorre é chamada de “verdadeira pegada”. À medida que o animal dá um passo, o solo sob a pata é comprimido, criando características não só na superfície, mas também abaixo da pegada, conhecidas como undertracks (ou pegadas subjacentes). Essas impressões podem se estender de alguns centímetros até um metro abaixo da pegada original. 

Quando preservadas, elas podem sobreviver por milhões de anos. Tanto a pegada verdadeira quanto as undertracks podem ser encontradas, dependendo das condições.

Continua após a publicidade

Uma “estrada de pegadas” é uma sequência de passos do mesmo animal. Para que as pegadas se formem e se preservem, as condições do solo precisam ser ideais: não pode ser nem muito duro nem muito macio. Solo duro gera pegadas rasas e detalhadas, enquanto solo macio pode causar o colapso da pegada, distorcendo-a. Mesmo após formadas, as pegadas podem se degradar ou ser preenchidas e apagadas com o tempo.

Por isso a descoberta em Oxford surpreende tanto. Duncan Murdock, cientista da Terra no Museu de História Natural da Universidade de Oxford, disse que “a preservação é tão detalhada que podemos ver como a lama foi deformada à medida que os pés do dinossauro se afundavam e saíam. Juntamente com outros fósseis, como tocas, conchas e plantas, podemos recriar o ambiente lamacento da lagoa por onde os dinossauros caminharam.”

Butler conclui para a BBC que eles não sabem exatamente o motivo pelo qual essas pegadas estão tão bem preservadas. “Pode ser que tenha ocorrido uma tempestade que trouxe sedimentos, cobrindo as pegadas, o que fez com que elas fossem preservadas em vez de serem simplesmente apagadas” disse.

A descoberta é destaque no documentário da BBC “Digging for Britain“, transmitido em 8 de janeiro.

Publicidade


Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

ECONOMIZE ATÉ 88% OFF

Super Promoção! Digital Completo

Apenas R$ 1,99/mês nos 3 primeiros meses
Garanta acesso ilimitado aos sites, apps, edições e acervo de todas as marcas Abril
Após o terceiro mês, cancele a qualquer momento
De: R$ 16,90/mês
Por 1,99/mês

Revista em Casa + Digital Completo

Receba Super impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
a partir de R$ 14,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app. Pagamento único trimestral de R$5,97, a partir do quarto mês, R$ 16,90/mês. Oferta exclusiva para assinatura trimestral no Plano Digital Promocional.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.