PREÇO BAIXOU! Revista Impressa + Digital Premium a partir de R$ 10,99/mês. Corre e assine agora!

Túmulo construído para o melhor amigo de Alexandre, o Grande, está alinhado com o solstício de inverno

Pesquisa analisou o céu do ano 300 a.C. e a arquitetura do Monumento de Kasta, localizado na Grécia.

Por Manuela Mourão 4 jun 2025, 15h06 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h22
Túmulo construído para o melhor amigo de Alexandre, o Grande, está alinhado com o solstício de inverno Priorizar nos meus resultados Google

Na Grécia, próximo à antiga cidade de Anfípolis, existe um túmulo monumental. O Monumento de Kasta é um enorme monte funerário adornado com esfinges de mármore e mosaicos intricados. Construído há cerca de 2.300 anos, o túmulo pode ter sido erguido para Hephaestion: o melhor amigo, general, guarda-costas (e, sugerido por muitos historiadores, amante) de Alexandre, o Grande.

Um novo estudo sugere que o túmulo foi projetado para se alinhar perfeitamente com o Sol no solstício de inverno, permitindo que a luz invadisse seu interior no dia mais curto do ano.

“É altamente provável que rituais fossem realizados dentro ou ao redor do Monumento de Kasta, especialmente no solstício de inverno e nos dias próximos”, afirma Demetrius Savvides, pesquisador independente e autor do estudo publicado este mês na Nexus Network Journal, para o site LiveScience.

Usando um modelo 3D e o Stellarium – um software de astronomia que reconstrói os céus do passado – Savvides simulou como o monumento teria interagido com o Sol no ano 300 a.C. No dia 21 de dezembro, ele descobriu, os raios solares teriam entrado no túmulo, iluminando completamente a câmara funerária entre aproximadamente 10h e 16h, no horário local.

Continua após a publicidade

Mas o espetáculo não se limitava a um único dia. Ao longo do ano, a luz solar interagia com diferentes partes do monumento. No fim de julho, os primeiros raios tocavam a entrada. Durante todo o outono, a luz avançava lentamente na direção de duas esfinges esculpidas que guardam o limiar, até finalmente passar entre elas e alcançar o centro do túmulo no solstício de inverno.

Savvides defende que isso não foi um acaso. O alinhamento, segundo ele, foi incorporado de forma intencional ao projeto – uma modificação feita durante a construção. “Temas como renovação, vida e ordem cósmica estão profundamente embutidos na simbologia do túmulo”, escreveu ele no estudo.

Continua após a publicidade

Essa simbologia também está presente nas obras de arte que decoram o interior: um mosaico detalhado representa Perséfone, rainha do submundo e deusa da vegetação, cuja mitologia gira em torno dos ciclos de morte e renascimento. Outra escultura possivelmente representa Cibele, a deusa-mãe ligada à fertilidade e à regeneração, ao lado de seu consorte Átis, que morre e renasce.

Continua após a publicidade

Mas nem todos estão convencidos. Alguns pesquisadores lembram que os macedônios seguiam um calendário lunissolar, e por isso a data do solstício não era fixa. Ou seja, o dia mais curto do ano não se repetia para os construtores de Kasta. Isso pode indicar que o efeito luminoso era mais difícil de prever, ou talvez nem fosse o objetivo central. 

Além disso, o norte da Grécia costuma ser bastante nublado no inverno. Em muitos solstícios, o Sol poderia simplesmente não aparecer.

Continua após a publicidade

Mesmo assim, a descoberta revela novas informações sobre a engenharia da época. Segundo o autor do estudo, o próprio túmulo de Alexandre, o Grande, perdido em algum lugar sob ou além da moderna Alexandria, poderia ter compartilhado alinhamentos solares semelhantes. “O uso de iluminação solar e de um design geométrico preciso era comum na arquitetura helenística”, explicou Savvides. “Era uma forma de governantes como Alexandre reforçarem sua autoridade divina, alinhando-se com as forças cósmicas.”

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional verde-escuro com texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo uma página de notícias e um ícone de árvore verde-claroMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).