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A ciência faz as pazes com o planeta

A humanidade percebe, finalmente, que o planeta Terra é sua casa e merece ser cuidado como tal.

O avô dos movimentos ecológicos que irromperam na década de 70 é o botânico inglês Arthur George Tansley (1871-1955), fundador da Sociedade Britânica de Ecologia, em 1913. Estudando as comunidades de plantas, em 1935, Tansley reparou nas relações entre os diferentes bichos e plantas que compartilhavam o mesmo espaço, que chamou de ecossistema. O tamanho não importa. Um jardim, um pântano, uma ilha inteira ou uma simples bromélia cheia de água da chuva, com os microrganismos e insetos que proliferam nela – tudo isso pode constituir um ecossistema.

Mais tarde, em 1963, o conceito foi ampliado pelo ecologista americano Howard Odum, passando a incluir tanto os seres vivos quanto os fatores ambientais, como a luminosidade, a temperatura, a água e o ar. O conjunto dos ecossistemas do planeta foi chamado de biosfera. O mundo inteiro passou a ser visto pela ciência como uma enorme cadeia em que os seres e os elementos físicos estão intimamente ligados. Uma interferência em qualquer elo dessa corrente pode causar uma reação em cascata, provocando uma catástrofe ambiental. É o que ocorre quando a poluição destrói o plâncton marinho, os pequeninos animais e plantas que servem de comida para os peixes.

Uma polêmica importante entre os ecologistas surgiu em 1979, quando os biólogos James Lovelock, inglês, e Lynn Margulis, americana, publicaram o livro A Hipótese Gaia. Com base em dados estatísticos, os autores afirmaram que o planeta se comporta como se fosse uma entidade inteligente, capaz de regular a si mesma para manter as condições favoráveis à vida. Uma idéia superinteressante, mas que ainda precisa ser comprovada por fatos científicos.

Aprendendo com as formigas

A mistura entre diferentes ramos do conhecimento é uma das marcas da ciência no século XX. Em um livro publicado em 1975, o biólogo americano Edward Wilson lançou a Sociobiologia – o estudo dos animais que vivem em sociedade, como as formigas e as abelhas. A nova ciência ajudou a entender alguns comportamentos até então enigmáticos. Observando as formigas, Wilson conseguiu explicar por que elas, em situações de perigo para o formigueiro, se dispõem a morrer em defesa da comunidade. O segredo está no tipo de reprodução adotado por esses insetos, que torna os indivíduos muito parecidos do ponto de vista genético. O aparente “altruísmo” das formigas-soldados é, na realidade, uma atitude “egoísta”. Elas morrem para perpetuar os seus próprios genes carregados por outros indivíduos.

Na trilha dos patinhos

Em 1935, o zoólogo austríaco Konrad Lorenz (1903-1989) demonstrou que os filhotes de pato, logo que nascem, aprendem a seguir um objeto em movimento – em geral a mãe, que é quem costuma estar mais perto. Mas, na ausência dela, os patinhos seguem qualquer outro pato adulto, um ser humano ou até um objeto inanimado puxado por alguém. Estava lançada a Etologia, o estudo científico do comportamento dos animais.

Um buraco no meio do céu

Como um envelope, a camada de ozônio recobre o mundo inteiro, a uma altitude média de 28 quilômetros. Esse gás azulado protege a superfície ao enfraquecer os raios ultravioleta vindos do Sol. Em 1974, uma equipe de cientistas liderada pelo químico americano Mario Molina descobriu que os clorofluorcarbonos (CFCs), gases empregados em geladeiras, aparelhos de ar condicionado e aerossóis, estavam destruindo esse filtro protetor. A prova surgiu em 1977, quando foi detectado um buraco na camada de ozônio sobre a região da Antártida, equivalente a duas vezes e meia o território do Brasil. A descoberta fez com que vários países se empenhassem para eliminar a produção e o uso dos CFCs. O consumo dessa substância caiu mais de 90%. O ozônio começará a se recuperar no próximo ano mas só em 2030 atingirá o nível que tinha em 1979, segundo prevêem os cientistas.