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Como saber se um papel é mesmo reciclado?

Não dá pra adivinhar só olhando.

Só olhando, não há como saber. Isso porque muitos dos papéis que têm aquela cor parda cheia de fiapinhos pouco ou nada têm de reciclados. Segundo a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), papel reciclado é aquele feito somente com fibras secundárias, ou seja, que já foram utilizadas pelo menos uma vez.

Acontece que a fibra mais importante para a fabricação do papel, a celulose, vai enfraquecendo cada vez que é reutilizada, diminuindo de tamanho e perdendo a qualidade. Por isso, algumas empresas a misturam com a fibra virgem, aquela que nunca foi usada, precisando cortar novas árvores para produzir o material reciclado e manter as características do produto. Então, todo o processo que seria poupado na produção do reciclado (corte de eucalipto, processo químico para separação das fibras da madeira, gasto de água e energia e liberação do CO2) volta a ser necessário para conseguir a celulose novinha em folha.

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“Fazer papel é uma receita de bolo”, afirma Maria Luiza Otero, responsável pelo laboratório de papel do Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP. “Não dá para saber se o papel que recolhemos da rua tem as fibras de origem primária ou secundária”, completa. Por isso, as empresas aproveitam suas sobras e as jogam no processo. As empresas se defendem dizendo que a introdução de fibras virgens é ecológica porque ajuda a fazer do papel reciclado um produto com qualidade e apelo no mercado. O Brasil recicla cerca de 3,5 milhões de toneladas por ano (quase metade da sua produção de papel), mas muita coisa ainda vai para o lixo. O papel que acabar em um aterro, durante sua decomposição, solta o gás metano, que se perde na atmosfera e contribui para o efeito estufa.