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Lembra do ônibus elevado chinês? Vai virar sucata

O protótipo instalado em agosto de 2016 só saiu do lugar uma vez – e agora, ironicamente, está atrapalhando o trânsito e será retirado

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
29 jun 2017, 16h21 •
  • Todo mundo viu: em maio de 2010, em uma feira de tecnologia em Pequim, capital da China, uma empresa local apresentou o conceito de ônibus-túnel. O veículo, que em princípio teria capacidade para mais de mil pessoas, roda por cima do trânsito. Sua plataforma elevada, com 4,5 m de altura e duas faixas de largura, permite a circulação de carros por baixo – uma ideia que diminui o tempo de viagem tanto de motoristas de automóveis particulares quanto dos usuários de transporte público.

    Não é fácil entender essa sacada com uma explicação verbal, mas a imagem acima e este vídeo podem ajudar. Sequências de computação gráfica da engenhoca em funcionamento viralizaram no Facebook e viraram notícia no Brasil. O conceito foi tão bem recebido por aqui que Manaus chegou a anunciar estudos para a implantação de seus próprios “straddling buses” (em inglês, o verbo straddle significa andar de pernas abertas, como um caranguejo).

    Pena que o sonho acabou: sete anos depois do anúncio, os chineses já tiraram o ônibus suspenso do papel, testaram um protótipo na cidade de Quinhunangdao, na província de Hebei, e constataram que ele não dá certo na prática.

    Tudo começou em agosto do ano passado, quando trilhos de teste de cerca de 300 m foram instalados em um avenida movimentada da cidade, e uma versão real do veículo percorreu toda sua extensão sem interferir com o tráfego de carros abaixo. Parecia perfeito: o vídeo do lançamento alcançou mais de 2 milhões de visualizações. A versão fabricada era um pouco mais humilde que o conceito original: segundo a agência de notícias estatal Xinhua, tinha 22 metros de comprimento, 7,8 de largura e apenas 4,8 de altura total, e era capaz de carregar 300 passageiros. Sua propulsão, elétrica, foi um bônus na opinião pública, preocupada com questões ambientais.

    Segundo a CNN, porém, o dia da filmagem foi o único em que o gigante realmente saiu do lugar. Desde então ele está parado na única estação que foi construída, e a área ao seu redor foi isolada para o tráfego comum. A importante via da cidade chinesa perdeu duas faixas e agora sofre com congestionamentos crônicos, tudo por causa do elefante branco sobre trilhos.

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    As autoridades locais, impacientes, mandaram tirar o TEB (sigla pela qual ficou conhecido) do caminho. E agora operários fazem reparos no asfalto para tapar os buracos deixados pelos trilhos. Especialistas do mundo todo afirmam que a ideia era mesmo perigosa demais para funcionar em cidades reais – principalmente considerando a altura máxima do túnel formado, que impediria a circulação de vans e pequenos caminhões.

    Ainda no ano passado, segundo o jornal britânico Daily Mail, o projeto foi tachado de fraude pela própria prefeitura de Quinhunangdao, que afirmou não ter sido avisada dos testes. Jornais chineses controlados pelo governo reforçaram a afirmação e fizeram até acusações de corrupção no método de financiamento coletivo por empreendedores adotado para viabilizar o projeto.

    A empresa responsável pela instalação não quis comentar o assunto com a imprensa.

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