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Mar: O bailado das águas

Os mares regulam a temperatura e produzem o oxigênio.

Mauricio Lara Galvão

Você acha que só pescador, surfista, marinheiro e vendedor de mate dependem do mar para sobreviver? Errou. Esteja onde estiver, você só está conseguindo ler esta revista porque os oceanos trabalham o tempo todo para manter o planeta funcionando. O mar regula as temperaturas no mundo inteiro. Como ele cobre 71% da superfície terrestre, consegue captar a maior parte da energia solar e a distribui por meio do movimento das águas. Sem o toma-lá-dá-cá regido pelas correntes marinhas, os dias seriam irremediavelmente tórridos, seguidos por noites glaciais.

A Europa só não congela no inverno graças à Corrente do Golfo, que leva a água morninha do Caribe até as ilhas britânicas, no Atlântico Norte. É por isso que o clima é bem mais ameno na Europa Ocidental do que no leste do Canadá, aonde a Corrente do Golfo não chega. Trabalho oposto faz a Corrente de Humboldt, que leva a água fria do Pólo Sul para as costas do Chile e do Peru. Ruim para os banhos de mar, mas ótimo para a pesca – as correntes polares são riquíssimas em nutrientes para os animais marinhos.

O efeito benéfico do mar na dinâmica planetária não se limita ao clima. O ar que a gente respira também depende dele, já que a maior parte do oxigênio existente na atmosfera é produzido pelo fitoplâncton, aqueles minúsculos organismos vegetais que flutuam na superfície. Ao transformar gás carbônico em oxigênio, por meio da fotossíntese, as plantas funcionam como o verdadeiro pulmão da Terra. Se a humanidade quisesse ser justa, teria de mudar o nome do globo terrestre. Planeta Oceano estaria bem mais de acordo com a realidade.

Quem sabe é super

Os tsunamis são ondas gigantes, de até 35 metros, formadas nas profundezas oceânicas por terremotos e erupções vulcânicas.

Estradas líquidas

O alto-mar tem trânsito e até vias expressas.

Se você jogar uma garrafa com uma mensagem no Mar do Caribe, perto da praia de Varadero, em Cuba, ela poderá aparecer meses mais tarde do outro lado do Atlântico, boiando junto a uma plataforma de petróleo inglesa no Mar do Norte. A explicação está na Corrente do Golfo, “um grande rio dentro do mar”, conforme a definição do capitão de um baleeiro inglês do século XVIII.

As correntes marítimas são estradas líquidas que circulam dentro dos oceanos. Há centenas de anos, elas vêm sendo usadas pelos pilotos dos navios – com a vantagem de que não cobram pedágio. A velocidade média das correntes de superfície é de 10 quilômetros por dia, mas algumas delas são verdadeiras pistas expressas. É o caso da Kuroshio, no Pacífico Norte, que alcança até 160 quilômetros por dia. Já as correntes submarinas avançam apenas alguns metros por dia.

Veja como se formam as ondas

Elas surgem quando o vento empurra a água. Os tipos variam conforme a inclinação da praia.

João Pessoa (PB)

RECANTO DOS BEBÊS

O relevo suave amortece gradualmente a força da água. As ondulações mais profundas são barradas aos poucos, enquanto a parte superior da onda mantém a velocidade. É o tipo de onda preferido pelas mamães com bebês e por quem não sabe nadar.

Maresias (SP)

CUIDADO COM O TOMBO

Se a praia é daquelas em que no primeiro passo você está com água pelos joelhos e no passo seguinte ela já está no peito, isso significa que as camadas de água do fundo freiam abruptamente na beira da praia. A água da superfície rola sobre si mesma. É a chamada praia de tombo.

Joaquina (SC)

PARAÍ DOS SURFISTAS

Uma inclinação média, nem muito suave nem repentina, cria o cenário ideal para o surfe. À medida que a onda se choca contra o fundo de areia, lança a crista para a frente, pois ainda encontra espaço para se espalhar sem perder a força. Assim nascem os “tubos” tão procurados pelos surfistas.

No ritmo dos astros

O Sol e a Lua criam as marés.

Os primeiros a desconfiar da ligação entre as fases da Lua e o mecanismo das marés foram, provavelmente, os homens pré-históricos que inventaram a pesca. A humanidade teve de esperar milênios até que o físico inglês Isaac Newton (1643-1727) decifrasse o enigma. Ele interpretou o fenômeno à luz da Lei da Gravidade, que formulou em 1687. E concluiu que o sobe-e-desce das marés é o resultado do jogo de forças exercido pelo Sol e – principalmente – pela Lua, além do impulso gerado pela rotação da Terra em torno de seu próprio eixo.

1. Quarto Crescente

A Lua e o Sol formam um ângulo reto em relação à Terra. A atração gravitacional do Sol compensa parcialmente a força da Lua. Por isso, há pouca diferença entre a maré alta e a baixa

2. Lua Cheia

A Lua e o Sol estão alinhados com a Terra, um de cada lado. Como as águas são atraídas em sentidos opostos, é grande a variação das marés. A rotação da Terra faz com que a metade do planeta voltada para a Lua esteja sempre mudando. Resultado: os mares sobem e descem todos os dias, a cada 6 horas.

3. Quarto Minguante

A Lua e o Sol voltam a formar um ângulo reto em relação à Terra. Suas atrações se anulam parcialmente e a variação entre as marés é pequena.

4. Lua Nova

A Lua e o Sol se alinham novamente, criando grande força de atração sobre os oceanos. O resultado é semelhante ao da Lua Cheia: a diferença entre as marés é maior.