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Privada: a maior invenção da humanidade

Sorry, roda. A maior de todas as criações humanas é outra. Confira no top 10 da SUPER

Na décima posição: AS CARAVELAS

Quando – 1410

Por quê – Criou a globalização

Elas podem ser comparadas a naves espaciais – pequenas, compactas, rápidas e construídas para percorrer longas distâncias. E o que elas fizeram foi algo digno de nave espacial. As caravelas surgiram em 1410, quando o príncipe Henrique, de Portugal (que mais tarde ficou conhecido como Henrique, O Navegador), decidiu construir barcos fortes e velozes para explorar novas rotas até as Índias, onde estavam as cobiçadas especiarias. Velas triangulares inclinadas permitiam que o barco navegasse contra o vento, a grande vantagem desse tipo de embarcação. De tamanho modesto, cerca de 20 a 30 metros de comprimento, a caravela conseguiu dobrar esquinas revoltas dos mares do mundo, dando início ao comércio entre nações distantes e à troca entre culturas. O mundo ficou menor.

Uma caravela podia carregar até 100 toneladas.

 

09. CINEMA

Quando – 1895

Por quê – Stanley kubrick, sophia loren e beijos no escuro

Há 5 mil anos, chineses já projetavam nas paredes sombras de figuras recortadas. Homens pré-históricos também desenhavam animais que pareciam se mover quando iluminados pela chama trepidante da fogueira. Foram milênios até que realmente se colocasse movimento nas imagens. Criado por Thomas Edison, o cinetoscópio continha um filme perfurado que era projetado numa tela no interior de uma máquina. Só uma pessoa podia ver de cada vez, usando uma lente de aumento. Pouco depois, os irmãos Louis e Auguste Lumière desenvolveram o cinematógrafo, espécie de câmera, copiador e projetor, tudo junto, que usava uma película para gravar as imagens. Esse é considerado o primeiro aparelho moderno do cinema. Em 1895, eles organizaram a primeira sessão de cinema, com o filme A Chegada do Trem. Conta-se que houve correria.

 

08. MATEMÁTICA

Quando – 35 mil a.c.

Por quê – Para não sair lesado no troco da padaria

O perônio de um babuíno com mais de 37 mil anos de existência é o primeiro registro do nosso talento para somar um mais um. O osso encontrado no norte da África tem 29 marcações, e os cientistas acreditam que se trata da primeira “calculadora” da história. Outro osso, de um lobo nascido por volta de 30 mil a.C., revelado na República Tcheca, tem 55 riscos. Não se sabe o que os nossos ancestrais contavam em esqueletos animais, mas a idade dos artefatos dá uma ideia de como o domínio da soma foi uma das necessidades mais primitivas para o desenvolvimento da sociedade – um desafio ainda atual para muitos. Mas foi na Mesopotâmia de 2 mil a.C. que a matemática se tornou abstrata, permitindo cálculos mais complexos do que a simples contagem de unidades. Lá, surgiu o ábaco, o quadro de madeira com linhas e peças móveis que substitui dedos e ossos.

 

07. LIVRO

Quando – 1442

Por quê – Elevou à décima potência a disseminação de conhecimento

Ele nos permite viajar sem sair do lugar mas, além disso, pode guardar informações por séculos. Romanos escreviam em tábuas, egípcios, em papiros, e os maias e astecas tinham uma espécie de livro feito com casca de árvore. Mas o papel, desenvolvido no século 2 pelos chineses, e a prensa de Gutenberg, do século 15, foram as criações mais importantes para o surgimento do livro da forma como o temos hoje. A primeira impressão ocorreu em 1442. Depois que o uso da prensa se consolidou, comerciantes lançaram uma variedade de títulos, muitos deles originários de manuscritos antigos. Mas o boom ocorreu mesmo no século 19. A Revolução Industrial trouxe inovações tecnológicas para o papel, tornando-o mais barato e acessível às editoras. Sem esses calhamaços de folhas, provavelmente boa parte da história da humanidade teria se perdido. Mas essa é a história do livro enquanto produto. O livro como obra de arte tem seu primeiro ancestral no Japão. Escrito por volta de 1008, O Conto de Genji é considerado o primeiro romance psicológico da história. O enredo, atribuído a Murasaki Shikibu, conta as escapadas amorosas de um aristocrata.

 

06. DINHEIRO DE PAPEL

Quando – 806

Por quê – Porque não há cobre suficiente no mundo

A crença de que um pedaço de papel pode substituir mercadorias começa com o sumiço do cobre. Sem o metal, a dinastia Tang, que comandava a China em 806, não podia cunhar moedas, que já circulavam desde o século 7 a.C. Com o dinheiro de papel, surgiram as agruras da política monetária. Em 1020, os chineses tiveram de emitir mais papel-moeda, provocando inflação. A crise durou até 1455. Por causa da desvalorização constante do dinheiro, o governo chinês decidiu extinguir as cédulas. Com isso, o mundo ficou sem papel-moeda até 1660, quando o Stockholms Enskilda Bank, da Suécia, emitiu as primeiras cédulas da Europa, novamente em razão da escassez de cobre.

 

05. CERVEJA

Quando – Há 10 mil anos

Por quê – Tornou agradável a convivência no clã

O domínio da agricultura criou o que chamamos de civilização. Com as técnicas de cultivo, paramos de migrar em busca de alimentos. Estabelecemos comunidades num único lugar, onde famílias passaram a conviver e criar a base da complexa sociedade de hoje. Mas as primeiras lavouras serviram para cultivar o quê, exatamente? Cerveja. Ou seja: ela criou a civilização. É o que indicam pesquisas recentes sobre a cultura natufiana, que viveu há mais de 10 mil anos onde hoje é o Oriente Médio. De acordo com um estudo publicado em 2012, no Journal of Archaeological Method and Theory, nos primórdios, a cerveja tinha duas funções: alimento e combustível para celebrações, e integração social e política entre a comunidade. Pouco mudou.

 

04. TOMADA

Quando – 1904

Por quê – Para o brasil criar um inconveniente padrão de 3 pinos

A primeira vez que fios e cabos levaram eletricidade até casas e lojas foi no outono de 1882, em Nova York. Foram os habitantes da região sul de Manhattan que puderam testemunhar pela primeira vez o milagre de acender uma lâmpada dentro de casa. A ideia foi de Thomas Edison, que já tinha patenteado a lâmpada elétrica três anos antes. Era uma corrente contínua – a que utilizamos hoje é alternada, com menos desperdício de energia. Na época, a energia que chegava aos lares nova-iorquinos era usada também para ligar aparelhos com uma tosca ligação direta em soquetes de luz. Só em 1904 é que o também americano Harvey Hubbell patenteou a criação que nos ligaria para sempre ao mundo dos volts: a tomada. A ideia de Hubbell era que as pessoas pudessem usar a eletricidade de forma segura dentro de suas próprias casas e com baixo custo. Foi assim que um plug de dois pinos foi encaixado de vez no cotidiano de todos nós.

 

03. O FÓSFORO

Quando – 1827

Por quê – A magia de carregar fogo no próprio bolso

Nossos ancestrais começaram a controlar o fogo cerca de 1,5 milhão de anos atrás, numa região onde hoje fica o Quênia. Eles de alguma forma dominaram uma chama (iniciada por raios, por exemplo) e rebolaram para manter o fogo aceso pelo tempo que fosse. Mas demorou para que esse item tão essencial para a civilização se tornasse um assunto verdadeiramente banal. Somente em 1827 que o químico inglês John Walker criou o primeiro palito de fósforo, elaborado a partir de clorato de potássio, sulfeto de antimônio, goma arábica e água. Até então, a pólvora já existia, e o homem flertava com diversos métodos práticos para acender uma chama, como lentes expostas ao Sol (lembra da brincadeira de queimar o papel com a lupa?). Mas nada foi tão prático como a simplicidade do palito de fósforo. Hoje, os palitos praticamente morreram. Mas a sua essência, a de levar o fogo no bolso, continua acesa em produtos como o isqueiro. Walker, no entanto, não levou todos os méritos pela invenção: o palito de fósforo foi patenteado mais tarde por Samuel Jones, proprietário da marca Fósforos do Diabo.

 

Medalha de prata: A MÁQUINA DE LAVAR

Quando – 1858

Por quê – Liberou boa parte da humanidade de uma tarefa imbecil

Em 2009, um artigo do jornal L’Osservatore Romano, o periódico da alta cúpula católica, afirmou que a máquina de lavar roupas fez mais pela liberação das mulheres do que a pílula anticoncepcional. O texto provocou polêmica, mas o jornal não estava sozinho. O estatístico Hans Rosling, uma das cem pessoas mais influentes do mundo em 2012 segundo a revista Time, argumenta que a invenção é uma das maiores criações da Revolução Industrial. Antes da máquina, praticamente metade da população gastava horas ao lado do tanque que poderiam ser usadas em coisas mais produtivas. A humanidade deve essa liberdade a inventores como Hamilton Smith que, em 1858, patenteou uma máquina rotativa acionada manualmente, a exemplo de inventos semelhantes da época. A automatização total veio nos anos 1900, quando dezenas de empresas lançaram máquinas elétricas, como a Thor, da Hurley Company, e a Arena, da 1900 Company, ambas de 1907 e produzidas em larga escala. Mas a invenção demorou para pegar porque quem tinha dinheiro para comprar a máquina também podia pagar empregados.

 

Maior : A PRIVADA

Quando – 1596

Por quê – Permitiu o aumento da expectativa de vida nas cidades. E o mundo como o conhecemos.

Anestesia, cerveja, matemática, roda. Todas invenções da humanidade perdem importância quando se pensa em como era a vida nas grandes cidades sem o vaso sanitário. Mas não é exatamente a privada a maior invenção da história. Aqui, ela representa o verdadeiro vencedor: o saneamento básico, que nos propiciou a dádiva de não termos mais de conviver com os nossos excrementos. As primeiras tentativas de construir toaletes e um sistema de esgoto datam de 1.200 a.C, quando habitantes da civilização de Harappa, na atual Índia, criaram formas de encanamento por onde os dejetos eram levados a um esgoto coberto. Sofisticado, mas o primeiro vaso sanitário com descarga veio bem mais tarde, em 1596. Obra do inglês John Harington, afilhado da rainha Elizabeth 1a, a peça ganhou modificações importantes de inventores como Alexander Cummings, Joseph Bramah e Thomas Crapper, que acrescentaram detalhes como o assento e tornaram as privadas mais parecidas com as que usamos hoje. O desenho definitivo veio com a primeira privada de cerâmica, em 1885, uma criação de Thomas Twyford. E põe definitivo nisso: de lá para cá pouco mudou, se transformando num ícone do design. É reconhecido instantaneamente e não há nada a acrescentar – um efeito parecido ao que vemos hoje em produtos da Apple, reconhecidos pelo minimalismo operacional e estético. O vaso de cerâmica de Twyford trouxe a vantagem de facilitar a limpeza e a instalação (basta um cano de entrada de água e outro de saída de esgoto). A privada fez mais pela humanidade do que medicamentos e processos cirúrgicos. As fezes humanas carregam mais de 50 doenças transmissíveis, e uma privada pode reduzir infecções em 40%. Pense nisso quando… Bom, quando você achar melhor.