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Protocolo de Kyoto: A sujeira das nações

Tito Montenegro

Em novembro de 2004, a discussão sobre aquecimento global tornou-se ainda mais acalorada. Com a adesão da Rússia ao Protocolo de Kyoto, o acordo que pretende controlar o efeito estufa atingiu o número mínimo de participantes necessário para entrar em vigor. Começa a valer em 16 de fevereiro, mas ainda cercado de polêmicas e com a oposição dos Estados Unidos.

As diferenças de opinião têm a ver com dinheiro. Para conter a temperatura na Terra, Kyoto dividiu o planeta em dois grupos. No primeiro, as 34 nações mais industrializadas, que devem reduzir em média 5% das emissões em relação a 1990 – ano de início dos debates. Os demais, “países em desenvolvimento”, estão livre de obrigações e podem vender créditos de carbono, espécie de vale-poluição que permite às nações ricas comprar cotas de emissão de gases. Apenas Mônaco, Lichtenstein, Austrália e Estados Unidos não toparam os termos.

Os americanos afirmam que o acordo irá frear a economia. A principal forma de emitir gases é a queima do petróleo e do carvão que movem carros e indústrias. Por isso, reduzir a poluição significa uma de duas possibilidades: menor produção industrial ou então gastar montanhas de dinheiro em alternativas de energia. “A entrada em vigor do protocolo é um importante primeiro passo, mas ainda precisamos engajar os Estados Unidos e os maiores países em desenvolvimento”, afirma o inglês Bob Watson, cientista-chefe do Banco Mundial.

O problema é que nações como Brasil e China se recusam a reduzir emissões. Argumentam que não podem custear medidas igual aos ricos e que os industrializados são histórica e proporcionalmente os maiores responsáveis pela poluição. “É como um barco com capacidade para 200 quilos e duas pessoas dentro, uma de 50 e outra de 150 quilos”, diz Christiano Campos, pesquisador climático da UFRJ. “Quem tem de emagrecer para o barco não afundar?”

O peso da poluição

Criamos um mapa onde cada região tem o tamanho de suas emissões anuais de gases poluentes

Canadá

161 milhões de toneladas cúbicas

Estados Unidos

1,56 bilhão de toneladas cúbicas

Temendo perder competitividade no mercado internacional, os EUA dizem que só fazem sua parte se emergentes como China e Brasil também aceitarem reduções. Especialistas crêem que o país vai preferir criar os próprios mecanismos de redução para não ser tutelado por órgãos multilaterais

México

99 milhões de toneladas cúbicas

Brasil

94 milhões de toneladas cúbicas

Nosso maior problema são queimadas florestais, que respondem por 75% dos gases causadores do efeito estufa que lançamos na atmosfera. Se esse estrago fosse contabilizado por Kyoto, seríamos o quinto maior emissor mundial de CO2. Pior: a poluição brasileira nem mesmo é resultado da geração de riquezas

Américas Central e do Sul

180 milhões de toneladas cúbicas

Reino Unido

150 milhões de toneladas cúbicas

Europa Oriental

408 milhões de toneladas cúbicas

África

250 milhões de toneladas cúbicas

Europa Ocidental

1,05 bilhão de toneladas cúbicas

Rússia

415 milhões de toneladas cúbicas

Apesar de ser um dos maiores poluidores, não terá de se esforçar para cumprir metas. A recessão econômica fez com que a Rússia emitisse menos gases nocivos do que em 1990. Na prática, pode até lucrar ao vender os créditos de carbono

Oriente Médio

325 milhões de toneladas cúbicas

Austrália

112 milhões de toneladas cúbicas

Ao lado dos EUA, é o grande poluidor que se nega a aderir ao protocolo. O problema aqui á a matriz energética, totalmente baseada em termelétricas que geram energia a partir do carvão

China

905 milhões de toneladas cúbicas

É o principal motivo da não adesão dos americanos. Com uma economia em franca expansão, é capaz de ameaçar o poderio econômico dos Estados Unidos se não for obrigada a reduzir as crescentes emissões que sustentam o seu crescimento

Japão

322 milhões de toneladas cúbicas

Ásia

505 milhões de toneladas cúbicas

Índia

280 milhões de toneladas cúbicas

Oceania

13 milhões de toneladas cúbicas