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Teremos cada vez mais tornados

Pesquisa afirma que, graças ao aquecimento global, esses fenômenos climáticos devem se tornar mais frequentes daqui para a frente

Por Carol Castro Atualizado em 31 out 2016, 19h06 - Publicado em 23 fev 2014, 22h00

 

Em maio deste ano, um tornado violento passeou por 40 minutos pelo Estado de Oklahoma, nos Estados Unidos. Com ventos de até 320 km/h e mais de 3 km de diâmetro, o tornado varreu a cidade de Moore e matou 50 pessoas. A cada ano, mais de mil tornados atingem o país, principalmente na primavera, causando prejuízos de bilhões de dólares. E a expectativa é de que esses números aumentem. Pode pôr na conta do aquecimento global.

A previsão é de pesquisadores da Universidade Stanford, na Califórinia, que usaram um software para avaliar a relação entre o aumento da temperatura e a incidência de ventos fortes. Segundo a pesquisa, até o fim do século 21, os dias de tempestades fortes vão aumentar até 30% – até 40% durante a primavera do Hemisfério Norte. E os tornados, nos EUA e no mundo, tendem a aumentar junto.

Isso porque o aumento da temperatura fornece o principal combustível das tempestades fortes: a energia potencial convectiva disponível (CAPE). Ela é criada quando o ar da atmosfera mais baixa se aquece e sobe, carregando umidade. Mas, para que a tempestade ganhe força mesmo, ainda é preciso que ocorra o cisalhamento (uma rápida variação na velocidade e/ou direção do vento).

Eis a importância da pesquisa: ela demonstrou que, ao contrário do que se pensava, o aquecimento global não diminui o cisalhamento, mas favorece o seu aumento em dias de alto CAPE. Nesses dias mais quentes, a umidade e o vento, as duas crias do aquecimento global, se juntam e causam as grandes tempestades – que costumam anteceder a chegada de grandes tornados.
Em marcha lenta ou prestes a acelerar, o aquecimento global prossegue. Resta torcer para que os tornados errem o alvo.

Imagem: Wikimediacommons.org

 

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