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A foto de Kim Kardashian que ajudou a resolver um mistério egípcio de 2 mil anos

Um vestido dourado, um sarcófago perdido e um clique: o resto é história

Por Victor Bianchin
19 fev 2026, 11h00 •
  • Kim Kardashian é muitas coisas: socialite, estrela de TV, modelo, mãe, ícone fashion, ex-esposa de um cara meio estranho, atriz (bom, ela tenta) e, mais do que tudo, inevitável. Hoje em dia, a febre das Kardashians está um pouco diluída, mas houve um período ali entre 2014 e 2018 em que você não conseguia abrir o celular sem ver algo delas imediatamente.

    E foi bem nesse período que Kim Kardashian ajudou a resolver um mistério digno de livros de espionagem. Foi em 2018, quando a socialite compareceu ao badalado baile Met Gala, em Nova York, usando um vestido dourado. O evento, conhecido em todo o mundo, é realizado pelo Museu Metropolitano de Arte da cidade. Em certo momento, ela tirou uma foto ao lado de um dos itens da decoração — um enorme sarcófago dourado.

    Você pode conferir a foto aqui.

    Acontece que aquele ataúde era nada menos que o sarcófago dourado e saqueado de Nedjemankh, um sacerdote ptolomaico cujo túmulo em Mina (província no Egito) havia sido invadido em 2011. Nessa invasão, muitos itens foram desenterrados e contrabandeados para fora do Egito — o país vivia uma revolução, parte da Primavera Árabe, e que terminaria por derrubar o presidente. O sarcófago, que data do século 1 a.C., estava entre os itens saqueados.

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    A imagem de Kim circulou amplamente na internet e, algum tempo depois, um informante anônimo no Oriente Médio contatou o promotor assistente do distrito de Manhattan, Matthew Bogdanos, e o informou sobre a foto. Esse informante revelou que havia exumado o caixão pessoalmente sete anos antes e que nunca havia sido compensado por seus esforços (quem diria que saqueadores de tumbas seriam caloteiros?). 

    Essa revelação contribuiu para a investigação sobre o sarcófago perdido, que já estava em andamento. A polícia acabou determinando que o artefato havia sido de fato roubado durante a Revolução Egípcia de 2011 e vendido ao Museu Metropolitano de Arte por US$ 4 milhões mediante documentação falsa.

    Antes de chegar a Nova York, porém, o sarcófago fez uma viagem e tanto: foi contrabandeado primeiro para os Emirados Árabes Unidos, onde recebeu a documentação falsa, forjada pelo vendedor de antiguidades Hassan Fazeli, depois levado a Hamburgo, na Alemanha, onde Roben Dib, gerente de uma galeria, falsificou a licença de exportação. A documentação forjada afirmava que o sarcófago de Nedjemankh havia sido exportado legalmente em 1971. Depois disso, o sarcófago ainda foi para a França antes de enfim ser vendido ao Met.

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    De volta para minha terra

    Como resultado de todas essas descobertas, Roben Dib foi preso e a rede de tráfico de antiguidades que ele mantinha há cinco anos foi encerrada. 

    Em fevereiro de 2019, o Met devolveu o sarcófago ao Egito. “Após tomarmos conhecimento de que o Museu foi vítima de fraude e, sem saber, participou do comércio ilegal de antiguidades, trabalhamos com o Ministério Público para seu retorno ao Egito”, disse o CEO do museu, Daniel Weiss, em carta aberta no site oficial. “Apresentamos nossas sinceras desculpas ao Dr. Khaled El-Enany, Ministro das Antiguidades, e ao povo egípcio (…). Agora, nos comprometemos a identificar como a justiça pode ser feita e como podemos ajudar a impedir futuros crimes contra o patrimônio cultural.”

    De acordo com o museu, o sarcófago era a peça central da exposição “Nedjemankh e seu Caixão Dourado”, que foi inaugurada em julho de 2018 e, até aquele momento, havia sido vista por 448.096 visitantes. 

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    O Met também disse que, por causa do incidente, iria “revisar e reavaliar” seus processos de aquisição para evitar que situações como aquela se repetissem. Também em 2019, foi revelado que o museu havia adquirido vários itens ao longo das últimas três décadas de um traficante indiano chamado Subhash Kapoor, que havia sido preso.

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