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Como foi a queda do Muro de Berlim?

O símbolo da Guerra Fria caiu em 9 de novembro de 1989

PERGUNTA Natan Lima, Boituva, SP
ILUSTRA Filipe Campoi

Inesperada. Ela só ocorreu devido a um comunicado confuso do porta-voz da Alemanha Oriental e à iniciativa da população, que se aglomerou em frente à muralha. Embora o muro tenha levado meses para vir completamente abaixo, as imagens dos alemães destruindo-o com martelos e marretas correu o mundo, tornando-se símbolo desse momento histórico.

Ele existiu por 28 anos, de 1961 a 1989, e surgiu porque, após a 2ª Guerra Mundial, a Alemanha destruída foi dividida entre os vencedores, União Soviética (Alemanha Oriental) e EUA (Alemanha Ocidental). A capital, Berlim, situada na parte oriental do país, também foi dividida, de modo que a parte capitalista (Berlim Ocidental) fosse cercada pelo muro para impedir que a população do lado socialista fugisse para lá.

Instituído da noite para o dia, o muro cortou ao meio praças, avenidas e até cemitérios. Sua estrutura teve fases: nos primeiros anos, eram cercas de arame farpado, evoluindo para muros de concreto após 1965 e para a versão de segurança máxima, com torres e armadilhas, a partir de 1975.

Durante toda a existência da barreira, os moradores do lado ocidental tiveram livre acesso ao lado oriental, mas o contrário não.

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Declaração oficial desastrada derrubou a fronteira entre as Alemanhas Oriental e Ocidental

1. Após a Guerra Fria, a União Soviética estava enfraquecida. A economia estagnou e movimentos nacionalistas pediam a separação do grupo. Além disso, o secretário-geral Mikhail Gorbachev começou a fazer reformas democráticas, instituindo um novo Congresso e permitindo ao povo votar pela primeira vez desde 1917

2. No dia 9 de novembro de 1989, diante das pressões contra o controle de passagem do muro, o porta-voz da Alemanha Oriental, Günter Schabowski, disse em uma entrevista que o governo iria permitir viagens da população ao lado Ocidental. Questionado sobre quando essa mudança vigoraria, ele deu a entender que já estava valendo

3. Isso bastou para que a população do lado oriental se aglomerasse nas fronteiras do muro. Milhares de cidadãos se reuniram em frente às guaritas de bloqueio e fizeram coro de “Abram os portões!” Frente à multidão, os guardas orientais não sabiam o que fazer. Entravam nas guaritas e, em telefonemas desesperados, pediam instruções. Mas seus superiores também não sabiam como agir

4. Pressionados, os guardas cederam e abriram os portões. Fora isso, as pessoas começaram a vir ao muro munidas de pás, marretas, picaretas e martelos para abrir passagens clandestinas e derrubar o muro à força. Do lado ocidental, outra massa de gente gritava para que deixassem o leste sair

5. O que se seguiu foi uma festa. As pessoas reencontravam amigos e familiares nas brechas dos muros em clima de celebração. No dia seguinte, a multidão oriental invadiu as lojas ocidentais. Seus carros “trabis” – único modelo fabricado na Alemanha Oriental – formavam imensos congestionamentos

6. O muro não caiu de imediato. Nos meses seguintes, novas passagens foram abertas tanto pelo povo quanto pelo governo, e o que restou foi demolido entre junho e novembro de 1990. Em 3 de outubro de 1990, as duas Alemanhas foram unificadas por lei. No dia 26 de dezembro de 1991, a União Soviética foi oficialmente dissolvida e deu origem a 15 países distintos

Ao longo dos anos, pelo menos 80 pessoas morreram, 112 ficaram feridas e milhares foram aprisionadas tentando transpor a barreira

Desde que o muro foi levantado, mais de 70 túneis e rotas de fuga foram construídos por baixo da terra para possibilitar fugas

O pouco mais de 1 km que restou do muro foi forrado de grafites por artistas e, hoje, é mantido como patrimônio histórico da Alemanha

FONTES Sandro Zarpelão, professor, mestre, doutorando em história e historiador, e Flavia Bancher, autora do livro A Queda do Muro de Berlim e a Presentificação da História

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