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O que aconteceu com Maradona?

Uma amostra do que pode acontecer com qualquer usuário crônico de cocaína. Quando o ex-craque argentino foi internado, em 18 de abril, seu corpo estava para abrir falência. “Suas artérias dificultavam o tráfego de sangue. Parte do que devia ser bombeado para todos os órgãos voltava para os pulmões, prejudicando a respiração”, afirma o cardiologista Antonio Tebexreni, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Essa bomba-relógio que quase matou Maradona foi acionada há 22 anos, quando o jogador, recém-chegado ao time do Barcelona, da Espanha, e já visto como um dos maiores do mundo, começou a usar cocaína. Entre outros efeitos, a droga aumenta a pressão arterial. Isso nem parece tão ameaçador, a princípio. Mas a resposta de um corpo submetido constantemente a essa condição é, no mínimo, aterrorizante. Confira no infográfico.

Um pó só
Entenda como a cocaína destruiu a saúde do ex-craque

1. A raiz dos efeitos da cocaína está no cérebro, principalmente nas ligações entre os neurônios – células fundamentais do tecido nervoso – de uma região chamada pelos médicos de “centro de recompensa”

2. Quando sentimos uma sensação de prazer, como durante o sexo, um neurônio manda para outro uma carga da substância dopamina. Assim que a satisfação acaba, esse envio pára. Mas com a droga no meio a dopamina nunca é bloqueada e o cérebro entende isso quase como um orgasmo que não acaba enquanto houver cocaína

3. Além de impedir o bloqueio da dopamina, a cocaína também faz isso com a adrenalina e a noradrenalina. E, quando a concentração dessas duas substâncias aumenta, o corpo reage como se a pessoa corresse perigo: o coração bate mais rápido (para fornecer mais sangue às células) e os vasos se contraem para acelerar o fluxo. Como as artérias ficam pequenas para a quantidade de sangue bombeado, a pressão arterial sobe

4. Se a resistência das artérias for muito grande, o coração não consegue bombear todo o sangue que recebe para o resto do corpo. O sangue então vai se acumulando no órgão, forçando as paredes cardíacas e deixando-o dilatado e fraco. O coração de Maradona, no caso, estaria com o dobro do tamanho de um normal

5. O sangue que se acumula no órgão escapa para onde não deve. A primeira saída são os vasos que trazem sangue oxigenado dos pulmões para o coração. Quando o líquido jorra na contramão, ele encharca os pulmões. Com esse quadro — e ainda com uma pneumonia, para piorar —, a respiração do ex-craque ficou tão comprometida que ele quase morreu. Por vários dias, Maradona só conseguiu respirar com a ajuda de aparelhos