Clique e assine a partir de 8,90/mês

O que eram as chanchadas?

O público lotou os cinemas brasileiros para assisti-las até meados da década de 50

Por Redação Mundo Estranho - Atualizado em 4 jul 2018, 20h19 - Publicado em 18 abr 2011, 18h53

As chanchadas foram um gênero de filme brasileiro que teve seu auge entre as décadas de 1930 e 1950. Elas eram comédias musicais, misturadas com elementos de filmes policiais e de ficção científica. Esse tipo de humor, porém, não pode ser considerado uma invenção brasileira, pois fitas assim também eram comuns em países como Itália, Portugal, México, Cuba e Argentina. Quando o gênero chegou por aqui, a crítica nacional o considerava um espetáculo vulgar, por isso ele foi apelidado de chanchada – palavra de origem controversa, mas que pode ter surgido na língua espanhola, significando “porcaria”. A aversão dos críticos, no entanto, não prejudicou o sucesso de bilheteria desses filmes.

“Com seu humor quase sempre ingênuo, às vezes malicioso e até picante, a chanchada se impôs como um entretenimento de massa”, diz o jornalista Sérgio Augusto, autor do livro Este Mundo é um Pandeiro – a Chanchada de Getúlio a JK. Para conquistar o público, as primeiras produções apresentavam grandes astros do rádio, como Carmen Miranda e Francisco Alves. Mais tarde, a dupla de comediantes Oscarito e Grande Otelo iria se tornar a sensação dessas fitas. Apesar da influência do cinema americano, que volta e meia tinha filmes sendo parodiados, as chanchadas costumavam ser essencialmente brasileiras, tratando de problemas do cotidiano e fazendo humor com uma linguagem de fácil compreensão.

Segundo o diretor Carlos Manga, um dos mais importantes do gênero, a estrutura das histórias era dividida em quatro partes: mocinho e mocinha se metem em apuros; cômico tenta protegê-los; vilão leva vantagem; vilão é vencido. Mesmo com essa fórmula bastante simplista, o público lotou os cinemas brasileiros para assistir a chanchadas até meados da década de 50. O desenvolvimento da TV no país, o surgimento do cinema novo – um outro estilo de filme, mais politizado – e o desgaste natural do gênero fizeram com que as chanchadas fossem perdendo espaço. Mas elas entraram para história ao marcar um dos períodos mais produtivos do cinema nacional.

LEIA TAMBÉM

– Quando surgiu a dublagem no Brasil e no mundo?

– Quando surgiu o hábito de comer pipoca no cinema?

Continua após a publicidade

– Como é a produção de um filme?

– Todas as perguntas sobre Cinema e TV

Dez filmes marcantes

Oscarito e Grande Otelo foram as grandes estrelas do gênero

1933

A Voz do Carnaval, De Adhemar Gonzaga e Humberto Mauro

Filme semidocumental, que mistura cenas reais com cenas gravadas. Estréia de Carmen Miranda no cinema

1936

Continua após a publicidade

Alô, Alô, Carnaval!, De Adhemar Gonzaga

Considerado um dos mais importantes musicais brasileiros. O filme traz grandes cantores da época, como Francisco Alves, Carmen Miranda e Mário Reis, soltando a voz

Cinédia/Reprodução

1949

Carnaval no Fogo, De Watson Macedo

Um bandido (José Lewgoy) pretende dar um golpe em foliões durante o Carnaval. Com Oscarito e Grande Otelo, mistura ação, intriga policial, humor e música

1950

Continua após a publicidade

Aviso aos Navegantes, De Watson Macedo

Oscarito embarca como clandestino num transatlântico. Durante a viagem, o comandante do navio recebe a notícia de que um espião internacional está a bordo

1952

Carnaval Atlântida, De José Carlos Burle

História sobre as filmagens de um épico da Guerra de Tróia. Além das presenças de Grande Otelo e José Lewgoy, há um impagável Oscarito, travestido de Helena de Tróia

1954

Continua após a publicidade

Nem Sansão nem Dalila, De Carlos Manga

Oscarito vive um barbeiro que, após um acidente de carro, vai parar no ano 1153 a.C., onde conhece Sansão e adquire os superpoderes desse personagem bíblico

Matar ou Correr, De Carlos Manga

Sátira ao clássico faroeste americano Matar ou Morrer (1952). Oscarito interpreta o pistoleiro Kid Bolha, que enfrenta Jesse Gordon (José Lewgoy)

1957

De Vento em Popa, De Carlos Manga

Continua após a publicidade

Um rapaz (Cyll Farney) vai estudar física nuclear nos Estados Unidos para agradar seu pai, que sonha ver o filho construindo a primeira bomba atômica brasileira

Absolutamente Certo, De Anselmo Duarte

Anselmo Duarte trabalha na impressão de listas telefônicas e sabe todos os números de São Paulo. Ele testa sua memória num programa de auditório

1959

O Homem do Sputnik, De Carlos Manga

Os camponeses Oscarito e Zezé Macedo encontram um objeto estranho, semelhante ao satélite russo Sputnik. Uma das primeiras comédias sobre a Guerra Fria

Publicidade