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Por que tem tanto celular explodindo?

Por Marina Motomura Atualizado em 4 jul 2018, 20h25 - Publicado em 18 abr 2011, 18h47

Bom, não dá para saber se agora tem mais celular explodindo por causa de algum defeito ou se agora a gente fica sabendo das explosões porque elas viraram assunto na mídia. “A freqüência de explosões pode tanto indicar um problema de fabricação em determinado lote quanto ser resultado da divulgação maior desses acidentes”, diz o engenheiro elétrico Vitor Baranauskas, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Desde março deste ano, foram noticiadas pelo menos quatro explosões de celulares – número pequeno, considerando que o Brasil tem 89 milhões de aparelhos. Os celulares não estão bombando só no Brasil – para se ter uma idéia, a Comissão de Segurança de Produtos ao Consumidor, nos Estados Unidos, registrou 83 explosões de celulares em 2003 e 2004. A causa desses acidentes está no aquecimento excessivo da bateria dos aparelhos (veja o infográfico ao lado). Para evitar essas pequenas tragédias, a saída é cuidar bem do aparelho: usar baterias e recarregadores originais, não deixar o coitado exposto muito tempo ao sol, evitar umidade e quedas, e não sentar em cima do telefone. Os mesmos cuidados valem para outros aparelhos portáteis recarregáveis, como tocadores de MP3, palmtops e laptops – o funcionamento da bateria deles é semelhante ao da bateria do celular e pode explodir do mesmo jeito!

Me chamas, me chamas!
Em casos de curto-circuito na bateria, o “celu” pode bombar

1. A explosão de um telefone celular acontece quando a bateria do aparelho é submetida a um superaquecimento. A bateria é preparada para agüentar até cerca de 135 ºC – acima dessa temperatura, o clima começa a esquentar dentro do aparelho…

2A. O superaquecimento pode ocorrer em duas circunstâncias. A primeira é quando a bateria ainda está sendo carregada. O recarregador tem um dispositivo de segurança que impede que entre mais energia do que o limite. Se o dispositivo falhar, o excesso de energia causa um curto-circuito (encontro dos pólos negativo e positivo) na bateria

2B. A segunda circunstância explosiva rola já durante o uso: é uma falha no faiscador, um item de segurança no celular que serve de filtro, separando os pólos positivo e negativo da bateria. A entrada de pó, a umidade, o calor e defeitos de fabricação podem romper o faiscador, fazendo a bateria entrar em curto-circuito

3. O curto-circuito gera uma faísca – e essa faísca gera calor. Como a bateria do celular é bem compacta e o aparelho não tem nenhum tipo de ventilador, o calor fica preso e o celular se torna uma pequena panela de pressão. Se a alta temperatura conseguir amolecer o invólucro da bateria, que é feito de plástico, ele pode se romper

4. Quando o lacre de plástico se rompe, o ar invade a bateria, feita de íons de lítio em uma solução líquida. Em contato com o ar, esse material entra em combustão. É aí que a explosão rola de fato. A combustão do lítio pode elevar a temperatura a 800 ºC, provocando chamas e causando queimaduras em suas vítimas

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Celular causa câncer?

Não. Segundo um estudo feito em 2005 na Unicamp, o nível de radiação dos aparelhos não traz danos às células humanas. Para provocar anomalias no DNA, a radiação não ionizante, empregada na telefonia celular, precisaria ser dez vezes superior ao limite permitido.

Celular pode explodir posto de gasolina?

Não. A baixa voltagem de um telefone celular não é suficiente para mandar um posto pelos ares. Nenhum dos 243 incêndios ocorridos em postos de gasolina nos últimos 11 anos no mundo foi provocado por celular.

Celular derruba avião?

Não. Pode rolar interferência eletromagnética – as ondas do celular, ao entrarem em contato com as centrais telefônicas em terra, podem interferir no funcionamento dos sistemas eletrônicos do avião. Por isso, os celulares têm de ser desligados durante os vôos. Mas essa interferência, se ocorrer, não é suficiente para derrubar uma aeronave.

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