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Qual a diferença entre raiz, tubérculo e bulbo?

Na verdade, esses três grupos de vegetais possuem mais semelhanças que diferenças: todos crescem debaixo da terra e possuem algum órgão de reserva que se desenvolve e dá origem a saborosos alimentos. A principal distinção é que o tal órgão aumenta de tamanho em lugares diferentes em cada um desses grupos. Plantas como a cenoura, a mandioca, o rabanete e a batata-doce têm uma raiz principal muito mais desenvolvida. Em uma segunda categoria estão as espécies que acumulam energia em caules modificados.

É o caso de tubérculos como o cará e a batata, em queo órgão de reserva cresce em saliências do caule e em geral apresenta forma oval, de rizomas como o gengibre, que se origina de ramificações mais horizontais, e de bulbos como a cebola e o alho, em que o órgão é cônico e nasce no talo do caule. “Em qualquer caso, o crescimento do tecido de reserva serve principalmente para dar energia à planta no começo de sua vida, quando ela ainda não consegue produzir seu próprio alimento com a fotossíntese”, diz o agrônomo Carlos Alberto Lopes, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Brasília (DF). Esses vegetais são excelentes pedidas em um cardápio saudável. Com 100 gramas de batata cozida, por exemplo, dá para suprir 7% das necessidades diárias de proteínas, conseguir uma quantidade razoável de niacina – uma vitamina do complexo B que ajuda na saúde da pele, dos nervos e do aparelho digestivo – e obter um bom nível de potássio e fósforo.

Mergulhe nessa

Na livraria:

Agricultura: Tuberosas Amiláceas Latino-americanas, Marney Pascoli Cereda, Fundação Cargill, 2002

Confusão embaixo da terra
Nomes populares misturam quatro grupos de vegetais, todos eles energéticos e nutritivos

BATATA (tubérculo)

Nativa dos Andes, onde é cultivada há 8 mil anos, a batata é o quarto alimento mais consumido no mundo. No Brasil, seis variedades da espécie Solanum tuberosum dão origem à batata-inglesa e à batatinha aperitivo. A diferença acontece na hora da colheita: os tubérculos que cresceram pouco são vendidos como batatinha. Os maiores, como batata-inglesa

CARÁ (tubérculo)

No Norte e Nordeste, as espécies do gênero Dioscorea são conhecidas como inhame, mas no resto do país recebem o nome de cará (o inhame dessas áreas é o gênero Colocasia, também conhecido como taro). Bom substituto para a batata e fonte de vitamina B, o cará é usado em sopas e cozidos

GENGIBRE (rizoma)

Por ter sabor picante, o gengibre é usado em pequenas quantidades em tortas, pães, sorvetes, doces e na culinária oriental. Contém boas quantidades de niacina, uma vitamina do complexo B que colabora com a pele e ajuda no funcionamento da digestão e do sistema nervoso

RABANETE (raiz)

Geralmente, esse vegetal é consumido cru em saladas ou preparado como picles. Possui vitamina C, que aumenta a resistência do organismo a infecções e previne o escorbuto, doença que se caracteriza por hemorragias. Além de tudo, é pouco calórico: 100 gramas do produto contêm apenas 23 calorias

BATATA-DOCE (raiz)

Ao contrário de sua “prima salgada”, a batata-doce é uma raiz, não um tubérculo. Levemente doce e consumida em festas juninas, ela pode ter polpa branca, creme ou amarelada. Esse último tipo é rico em betacaroteno, substância importante no combate à desnutrição

CENOURA (raiz)

Essa hortaliça começou a ser cultivada na Europa e na Ásia há mais de 2 mil anos. Bem adaptada aos climas frios, a cenoura cresce principalmente nos estados do Sul do país. Sua importância é a riqueza em vitamina A (que protege dentes, unhas, cabelos e pele) e sais minerais (que ajudam a combater o envelhecimento)

MANDIOCA (raiz)

Essa planta de origem brasileira já era cultivada pelos índios quando os portugueses chegaram em 1500. Por ser muito energética (100 gramas de mandioca têm 149 calorias), é considerada um alimento estratégico contra a fome. A mandioquinha, também chamada de batata-baroa, é uma raiz saborosa e rica em carboidratos

CEBOLA (bulbo)

Cultivada desde a Antiguidade na Ásia Central, a cebola é terceira hortaliça mais plantada no Brasil, atrás apenas do tomate (1º) e da batata (2º). É um vegetal rico em minerais, especialmente fósforo, ferro e cálcio, além de possuir quantidades razoáveis de vitaminas do complexo B