Quem inventou o chuveiro elétrico?
É do Brasil! Invenção foi criada no interior paulista quase 100 anos atrás
Banhos quentes são uma prática milenar: no Japão, por exemplo, o governo registra o uso das onsen (fontes térmicas naturais) há pelo menos 10 mil anos. Mas o hábito de aquecer a água artificialmente para o banho veio bem depois, há cerca de 3 mil anos: os egípcios usavam cavidades vulcânicas como banheiras e colocavam pedras quentes na água para obter o calor e o vapor revitalizantes.
Com o tempo, na Ásia, Europa e EUA, popularizou-se o método de usar gás para aquecer a água em casa: grandes reservatórios domésticos (“boilers”) armazenam a água quente, que pode ser usada a qualquer hora.
No Brasil, entretanto, foi diferente. Aqui, a invenção que pegou mesmo foi o chuveiro elétrico, um aparato criado em janeiro de 1927 pelo inventor Francisco Canho, habitante de Jaú, no interior de SP. Mesmo sem formação acadêmica ou técnica, Canho tinha o hábito de criar traquitanas.
O que são as “substâncias eternas” e quais os seus perigos?
O chuveiro elétrico, entretanto, surgiu por necessidade: Canho criou a engenhoca para facilitar os cuidados do pai, que tinha reumatismo e não podia tomar banho gelado. Assim como muitos brasileiros, Canho esquentava a água no fogão a lenha para o banho. Mas ele queria uma solução melhor.
O inventor então desmontou um ferro elétrico (aparelho que já existia na época), onde descobriu a peça que chamamos de “resistência”, um componente metálico que se aquece quando uma corrente elétrica passa por ele. Ele raciocinou que, se colocasse uma resistência dessas dentro de um cano de água, poderia ter água quente instantaneamente.
Após muitos testes (as resistências insistiam em queimar), ele chegou a um modelo estável. E passou a vendê-lo de porta em porta em Jaú, sua cidade, atraindo a atenção dos locais.
Logo, o inventor criou sua própria empresa para comercializar o produto, a F. Canhos. A fábrica estava localizada no bairro Jardim Santo Antônio, onde hoje uma avenida leva o nome do inventor. Dali, o criador passou a despachar o chuveiro elétrico para o Brasil inteiro.
Canho patenteou a invenção em 1943, mas o mercado já tinha notado a potencial mina de ouro: desde aquela década, outras empresas, como FAME e Lorenzetti, já fabricavam suas versões do produto. A Lorenzetti acabou adquirindo a patente do chuveiro elétrico na década de 1950.
Nesses primeiros anos, o chuveiro era feito de metal. A popularização do plástico na década de 1960, entretanto, mudou o jogo ao baratear os custos e tornar o produto ainda mais acessível. Era o que faltava para o chuveiro elétrico pegar de vez: o sistema descentralizado de aquecimento (em oposição ao que se usa nos EUA e na Europa) era mais econômico, fácil de instalar e adequado ao clima brasileiro, onde a água geralmente não é usada tão quente.
Canho morreu em maio de 1988 em Jaú. Sua empresa existiu até 2019, quando foi arrendada por uma das filhas do inventor. Ele deixou como legado sua invenção tipicamente brasileira que, segundo o PROCEL (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), está presente hoje em 73% das resistências brasileiras.





