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Um filme da nossa vida passa na nossa cabeça quando morremos? Veja o que a ciência tem a dizer

Um tipo específico de ondas cerebrais é ativado quando estamos prestes a fazer a passagem, aponta estudo

Por Victor Bianchihn 3 fev 2026, 08h00 • Atualizado em 10 fev 2026, 11h32
  • Já se tornou um clichezão do cinema: o personagem recebe algum ferimento fatal e, prestes a bater as botas, vê em sua cabeça um turbilhão de flashes com imagens marcantes de toda sua vida. Amores, traumas, momentos especiais: está tudo ali. Serve para o personagem entender que a vida valeu a pena — ou que deveria ter feito escolhas melhores.

    Isso tudo sempre foi coisa de ficção, mas a ciência indica que a vida real pode não ser tão diferente. Em 2022, um estudo chamado “Interação aprimorada entre coerência e acoplamento neuronal no cérebro humano em fase terminal”, publicado no periódico Frontiers in Aging Neuroscience, detectou que, ao morrermos, o cérebro ativa mudanças em uma faixa específica de ondas cerebrais, chamada de “oscilações gama”.

    Existem diversas faixas de ondas cerebrais (também chamadas no meio científico de oscilações cerebrais), como delta, teta, alfa e beta. Mas as oscilações gama são as que estão relacionadas à memória. “Ao gerar oscilações cerebrais envolvidas na recuperação da memória, o cérebro pode estar reproduzindo uma última lembrança de eventos importantes da vida pouco antes de morrermos, semelhante às relatadas em experiências de quase morte”, afirmou o Dr. Ajmal Zemmar, da Universidade de Louisville, que liderou o estudo.

    Essa mudança foi detectada em um paciente de 87 anos que estava sendo tratado para frequentes ataques convulsivos. Nesse processo, ele passava por vários exames de eletroencefalograma (EEG), em que diversos sensores são colocados na cabeça da pessoa. Durante um desses exames, o paciente teve um ataque cardíaco e morreu. Isso permitiu aos cientistas, pela primeira vez, gravar a atividade de um cérebro humano morrendo. Foi nesse paciente que foram observadas as oscilações gama alteradas.

    Isso, é claro, gera um problema óbvio: esse estudo é baseado em um único caso, uma amostragem insuficiente para tirar qualquer conclusão. Os cientistas sabem disso. “Do ponto de vista científico, é muito difícil interpretar os dados porque o cérebro sofreu hemorragia, convulsões, inchaço – e este é apenas um caso. Portanto, não podemos fazer grandes suposições ou afirmações”, afirmou o Dr. Zemmar.

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    Mas essa linha de pesquisa teve sequência.

    Um estudo publicado em 2023 analisou quatro pacientes conforme morreram e observou que, em dois deles, houve atividade gama acentuada após a hipóxia (falta de oxigênio no corpo) causada pelo desligamento dos equipamentos de ventilação. “Embora os mecanismos e o significado fisiológico dessas descobertas ainda precisem ser totalmente explorados, esses dados demonstram que o cérebro em processo de morte ainda pode estar ativo”, diz o texto.

    Também em 2023, a equipe que fez a pesquisa original produziu um artigo de revisão em que analisam diversos outros estudos científicos para entender o que ocorre na mente de alguém quando morre. Foram analisados principalmente estudos em animais (ratos e afins), nos quais era possível induzir a morte propositalmente, por parada cardíaca, e monitorar o EEG antes, durante e depois da cessação da circulação.

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    O que os cientistas observaram desta vez foi que o cérebro pode mostrar atividade elétrica coordenada mesmo depois de o coração parar. Surtos de ondas de alta frequência (como as gama) foram observados logo após a cessação do fluxo sanguíneo em modelos de morte experimental.

    Ou seja: é realmente possível que tenhamos uma ativação de memórias ao morrermos. “Talvez nunca encontremos evidências diretas que correlacionem experiências de quase morte relatadas subjetivamente com as alterações neurofisiológicas no cérebro de um paciente terminal”, diz o texto, “porque, por padrão, não podemos perguntar ao paciente se ele teve alguma lembrança durante o processo de morte”. Ainda assim, fica a evidência de que o cinema pode estar, afinal, imitando a vida.

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