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Casos de osteoporose devem disparar até 2050, inclusive no Brasil

Projeções apontam aumento expressivo das fraturas por fragilidade em pessoas com mais de 50 anos; especialistas reforçam que prevenção começa ainda na infância.

Por Por Thais Szegö, da Agência Einstein 4 jan 2026, 08h00 •
  • O texto abaixo foi publicado originalmente na Agência Einstein.

    Principal causa de fraturas após os 50 anos, a osteoporose deve avançar de forma significativa nas próximas décadas, impulsionada pelo envelhecimento populacional, por hábitos de vida inadequados e pelo maior número de diagnósticos. A Fundação Internacional de Osteoporose (IOF, na sigla em inglês) estima que uma em cada três mulheres e um a cada cinco homens acima dos 50 anos sofrerão fraturas relacionadas à doença. Até 2050, a projeção é de que os casos aumentem 54% entre pessoas com mais de 50 anos e 32% entre aquelas acima dos 70.

    A tendência de crescimento também é observada no Brasil. “A estimativa é de que cerca de 10 milhões de brasileiros convivam com a osteoporose. Esse número tende a crescer, acompanhando o rápido envelhecimento da população”, analisa a reumatologista Vera Lucia Szejnfeld, membro da Comissão de Doenças Osteometabólicas e Osteoporose da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). “Hoje, o país já tem mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e as projeções indicam que, até 2030, esse grupo ultrapassará 40 milhões.”

    Essa curva ascendente não se explica apenas pelo envelhecimento populacional, mas também pela melhoria no diagnóstico. O aumento da conscientização sobre a doença e da educação médica continuada tem permitido identificar casos antes despercebidos. 

    Fatores associados ao estilo de vida — como sedentarismo, deficiência de cálcio e vitamina D e maior prevalência de doenças crônicas — também influenciam. “O relatório da IOF aponta que, no Brasil, ocorrem cerca de 400 mil fraturas por fragilidade a cada ano, e que, se nada mudar, esse número pode aumentar em até 60% até 2030. Ou seja, a osteoporose e suas complicações já representam um grande desafio de saúde pública, exigindo cada vez mais atenção a prevenção, diagnóstico e tratamento”, observa Szejnfeld.

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    Cuidados desde a infância

    Embora seja silenciosa nas fases iniciais, a doença só costuma dar sinais quando já está avançada, muitas vezes após fraturas provocadas por esforços mínimos — desde pequenas quedas até movimentos banais, como um espirro. Mas os cuidados devem começar muito antes, ainda na infância. 

    Até os 30 anos de idade, o organismo está em sua fase mais intensa de formação óssea, acumulando minerais e construindo o chamado “banco de ossos”, que servirá de reserva para toda a vida adulta. A partir desse período, inicia-se um declínio natural da massa óssea. 

    Nas mulheres, essa perda se acelera de maneira acentuada após a menopausa, quando a queda dos hormônios femininos aumenta a atividade das células responsáveis pela reabsorção dos ossos (osteoclastos), enquanto as células que produzem tecido ósseo novo (osteoblastos) não conseguem compensar o ritmo acelerado de desgaste. “Sem reposição hormonal, estima-se que até 25% das mulheres podem apresentar perda significativa de densidade óssea, e em até 10 anos podem perder cerca de 30% desse material, o que eleva muito o risco de fraturas”, destaca Szejnfeld.

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    A genética também tem um peso importante: cerca de 80% do pico de massa óssea é herdado. Mas os outros 20% dependem diretamente do estilo de vida. “Ao longo da vida é importante praticar atividades físicas regulares, especialmente as de força e que levam a impacto, como musculação e caminhada, além de tomar sol, ter uma alimentação rica em cálcio e vitamina D conforme a idade”, orienta o ortopedista Sandro Reginaldo, coordenador da Ortopedia do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.

    Evitar fatores de risco também é essencial, o que inclui não fumar, não beber álcool em excesso e não consumir com frequência medicações que aceleram a perda óssea, como corticoides, sem orientação médica. 

    Além dos cuidados preventivos, exames são fundamentais para identificar a condição precocemente. A densitometria óssea e o FRAX, ferramenta que calcula o risco de fraturas por osteoporose, ajudam a direcionar o tratamento, especialmente quando surgem sinais de alerta, como perda acelerada de estatura e alterações posturais. “No que diz respeito ao tratamento, a escolha do medicamento deve ser considerada conforme histórico de fraturas, resultado de exames, comorbidades, risco cardiovascular, além dos custos”, destaca Reginaldo.

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    Pacientes com osteoporose sem fraturas ou com osteopenia (fase inicial de perda óssea, que já eleva o risco de lesões) normalmente recebem medicamentos que reduzem a reabsorção óssea e evitam fraturas futuras. Mas, quando elas ocorrem (as mais comuns são em punhos, vértebras e fêmur), colocam o paciente em uma categoria de alto risco. 

    Nesses casos, o tratamento inclui remédios anabólicos, que estimulam a formação de tecido ósseo novo. Eles funcionam como uma espécie de “fundação” para reforçar a estrutura do esqueleto antes de iniciar terapias destinadas à manutenção da massa óssea. “No Brasil, estimativas recentes apontam centenas de milhares de fraturas por fragilidade e uma quantidade elevada de subtratamento, o que é um grande risco e um ponto que precisa de muita atenção”, alerta o ortopedista Adriano Passaglia Esperidião, também do Einstein Goiânia.

    Fonte: Agência Einstein 

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