“Cheiro ruim ajuda a tratar Alzheimer.” Não é bem assim…
Essa notícia de 2021 voltou a se espalhar pela internet. Ela se baseia num estudo real, mas não é verdadeira. Entenda por que.
O que a notícia dizia:
Cientistas da Universidade Johns Hopkins descobriram que o sulfeto de hidrogênio, gás que dá ao pum seu odor característico, pode reverter sintomas neurocognitivos do Alzheimer.
Qual é a verdade:
O tal estudo (1) (que é de 2021, mas voltou a rodar a internet em janeiro) foi feito em ratos, cujo uso em pesquisas sobre Alzheimer é muito questionado – porque esses animais não desenvolvem a doença.
Os ratos são alterados geneticamente para que seus cérebros formem placas de proteína beta-amiloide, encontradas em pessoas com Alzheimer. Mas a ciência ainda não sabe se essas placas causam a doença (inclusive porque removê-las, em humanos, não reverte os sintomas). Em um estudo feito nos EUA com 1.671 idosos, 41% dos voluntários acima de 80 anos apresentavam as placas – mas nenhum deles tinha Alzheimer (2).
Fontes 1. “Hydrogen sulfide is neuroprotective in Alzheimer’s disease by sulfhydrating GSK3β and inhibiting Tau hyperphosphorylation”; 2. “Prevalence and outcomes of amyloid positivity among persons without dementia in a longitudinal, population-based setting”.







