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Como a voz de uma mulher muda ao longo do ciclo menstrual

Mais aguda, mais baixa, mais limpa: em mulheres que não tomam pílula, um estudo encontrou um padrão de mudança de voz, uma para cada fase do ciclo.

Por Ana Carolina Leonardi Atualizado em 29 set 2017, 17h57 - Publicado em 29 set 2017, 16h27

Se você prestou atenção às aulas de biologia na escola, sabe que o corpo da mulher muda em ciclos mensais. Enquanto o corpo vai se preparando (e se despreparando) para uma possível gravidez, a dança dos hormônios também afeta detalhes bem mais discretos: o aspecto da pele, o cabelo, a disposição, o humor. Um novo estudo trouxe mais um item para essa lista: a voz.

A hipótese pode parecer viagem, mas as cordas vocais contêm receptores de hormônios sexuais. E, para entender se essa interação hormônio-voz produzia diferenças sonoras de acordo com a fase do ciclo em que a mulher está, a pesquisadora Irena Pavela Banai, da Croácia, decidiu fazer o teste.

As vozes de 44 mulheres foram gravadas enquanto elas pronunciavam as vogais (a, e, i, o, u). Cada mulher precisou ir ao estúdio 3 vezes e repetir as gravações: uma vez durante o período menstrual. Outra, no fim da fase folicular (período fértil) e, a última, na fase lútea (pós-ovulação, quando o corpo se prepara para menstruar).

Ovulação e vozinha fina

Depois de analisar digitalmente as vozes das voluntárias, a cientista observou que, quando as mulheres estavam próximas de ovular, a frequência fundamental mínima das vozes subia – ou seja, o som ficou mais agudo.

Essa conclusão ajuda a dar peso para uma hipótese antiga de psicólogos evolucionistas: uma mulher está fértil daria “avisos” biológicos disso para atrair parceiros – a exemplo de uma voz mais fina e “feminina” e outros efeitos da alta de estrogênio, como um aumento na simetria do rosto.

O que não se sabe, ainda, é se essa mudança na voz pode ser detectada pelo ouvido humano – de outra forma, é difícil dizer se vozes mais agudas na ovulação realmente contribuem para a reprodução da espécie.

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Menstruação: antes e durante

A pesquisa também encontrou duas mudanças marcantes nas outras fases. A intensidade da voz diminuía na fase lútea, entre a ovulação e a menstruação. Intensidade é o termo técnico para o volume da voz – ou seja, nessa época do ciclo, as mulheres falavam naturalmente mais baixo, mesmo sem perceber.

Por último, durante a menstruação, a pesquisadora não encontrou mudanças nem no tom da voz (grave a agudo) nem no volume (alto ou baixo). A diferença apareceu como uma “razão mais alta de sinal/ruído”. Traduzindo: quando as voluntárias menstruadas falavam, o som produzido continha menos ruído (chiado, por exemplo). A voz delas saía mais limpa e agradável aos ouvidos.

Sem mudanças com pílula

Para ter certeza de que as mudanças que estava observando tinham a ver com hormônios, a pesquisadora selecionou 20 mulheres que tomavam anticoncepcionais hormonais há pelo menos três meses e refez as gravações com elas.

Mulheres que tomam pílula têm níveis hormonais constantes durante o ciclo, por isso não ovulam. De fato, o estudo não encontrou mudanças de volume nem de clareza na voz delas ao longo do mês – e, principalmente, não identificou o pico de voz aguda no meio do ciclo, o que reforçou a hipótese de que ele tem a ver com a ovulação.

Sendo assim, o estudo concluiu que sim, dá para atribui a variação na voz de uma mulher às flutuações hormonais naturais do ciclo menstrual. A pesquisadora pretende continuar o estudo com grupos maiores, e trocar o a-e-i-o-u por conversas normais, para descobrir se as mudanças aparecem em um contexto de dia a dia e até se elas podem ser percebidas por quem convive com as moçoilas.

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