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Como Elvis Presley ajudou os Estados Unidos a eliminar a poliomielite

A imunização do Rei do Rock incentivou diversos jovens a fazerem o mesmo. Depois disso, foi a vez dos próprios adolescentes americanos darem início a um movimento pró-vacinação.

Por Carolina Fioratti Atualizado em 24 dez 2020, 11h43 - Publicado em 24 dez 2020, 11h34

No final da década de 1940, a poliomielite – também conhecida como paralisia infantil ou apenas pólio –, afetava cerca de 35 mil pessoas por ano nos Estados Unidos. O vírus, que infectava principalmente crianças, era fatal em 20% dos casos em que a pessoa desenvolvia o problema. 

O cenário deveria ter melhorado em 1955, com a chegada da vacina do médico Jonas Salk. Infelizmente, não foi bem isso que aconteceu. O imunizante, produzido pelos laboratórios Cutter, era confiável, e composto pelo vírus inativado. Contudo, alguns dos primeiros lotes distribuídos para a população estavam alterados, e traziam o vírus ativado em suas doses. Resultado: 40 mil casos de poliomielite, causados tanto pela vacinação indevida quanto pela transmissão natural do vírus. O episódio ficou conhecido como Incidente Cutter.

Mesmo após o problema ser resolvido, os americanos continuavam com medo da vacinação. Além disso, eram necessárias três doses da vacina para obter a imunização, e cada uma custava entre US$ 3 e US$ 5 – valor que, hoje em dia, equivaleria a US$ 30 e US$ 50. Pelo alto preço, famílias com muitos filhos optavam por dar menos doses a eles – o que não era efetivo. Como se não bastasse, jovens enxergavam a doença como algo exclusivo das crianças e escolhiam não se vacinar. 

Rei do rock (e da saúde pública)

No dia 28 de outubro de 1956, Elvis Presley chegou para salvar o dia. O astro subiu no palco do The Ed Sullivan Show, o programa de televisão mais popular dos EUA naquela época. Lá, ele cantou sucessos como “Love Me Tender” e “Hound Dog”. Mas, antes disso, cumpriu um pedido da March of Dimes (antiga Fundação Nacional para a Paralisia Infantil). O cantor, que tinha 21 anos, posou para as câmeras enquanto recebia a vacina contra a poliomielite. 

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  • Nem é preciso dizer que o ato ganhou os jornais do país. Até então, apenas 10% dos jovens de Nova York haviam se vacinado – e registros da época mostram que a taxa aumentou com a influência do astro. A March of Dimes, inclusive, passou a oferecer fotos autografadas por Elvis aos fã-clubes que comprovassem que todos os seus membros haviam sido vacinados. Entre 1955 e 1957, os casos de pólio nos EUA caíram 81%.

    Virando o jogo 

    A participação de Elvis nessa história é inegável. Mas, claro, foi apenas mais uma peça de um movimento muito maior. Os próprios jovens, que antes não queriam se vacinar, criaram um grupo chamado Adolescentes Contra a Poliomielite (TAP, sigla em inglês), apoiado pela March of Dimes. O grupo aderiu à panfletagem, colaborou com funcionários de saúde pública para custear injeções e ajudou na organização de eventos de vacinação.

    A TAP chegou, inclusive, a lançar uma política de “sem vacinas, sem encontros”: caso o pretendente romântico não estivesse imunizado, nada de match. Em festas, só aqueles com a carteira de vacinação em dia eram bem-vindos.

    Em 2020, alguns famosos já começaram a se vacinar contra a Covid-19, como Ian McKellen, que interpreta o mago Gandalf na saga O Senhor dos Anéis. Assim como Elvis, o ator também ganhou os noticiários. Mas jornais como o The Washington Post apostam que, para equalizar com o impacto do Rei do Rock, é preciso que a diva do pop Beyoncé seja imunizada o quanto antes.

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