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Consertando o olho

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
31 out 2006, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h31
  • Fabiana Lopes

    O avanço da medicina tem gerado uma revolução no tratamento das doenças que afetam o olho humano. Um dos campos mais promissores é o estudo de medicamentos de última geração para o tratamento de doenças como a degeneração macular, que afeta cerca de 80% dos idosos acima de 80 anos. A grande esperança, já em fase avançada de estudos, é o uso de drogas intra-oculares, como injeções e implantes que potencializam o efeito terapêutico, mas reduzem a toxicidade dos remédios.

    Já na área das células-tronco, os cientistas ainda estão cautelosos. Apesar do entusiasmo com os avanços da medicina regenerativa e do potencial revolucionário desse tipo de terapia para as doenças da visão, ainda há um longo caminho a ser percorrido antes da aplicação clínica das descobertas. “Não há um prazo imediato para o tratamento com células-tronco embrionárias”, afirma Rubens Belfort, presidente do Instituto da Visão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). As descobertas mais importantes nessa área estão relacionadas a células-tronco adultas, encontradas no próprio olho.

    Os pesquisadores também estudam para descobrir as reais ligações entre olho humano e regulação das atividades cerebrais. Veja nas imagens as principais novidades em tratamentos para distúrbios oculares e também as descobertas mais recentes sobre as células-tronco.

    Implantes de remédios

    Os implantes de medicamentos são uma das principais evoluções no tratamento do entupimento dos vasos oculares – uma espécie de trombose. Ainda em fase experimental, os implantes foram lançados por duas grandes indústrias farmacêuticas no início de 2006 e estão sendo testados no país. Implantados na cavidade vítrea, o produto é uma espécie de minichiclete que se dissolve aos poucos, liberando gradativamente seu princípio ativo. Com 2 milímetros de comprimento, ele pode durar até dois anos no humor vítreo.

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    Injeções intra-oculares

    Injeções diretamente dentro do olho têm sido usadas como inibidoras para a degeneração da mácula (A), uma das causas mais comuns da cegueira. Com a técnica, as mesmas drogas administradas via oral a pacientes portadores da doença, com altos índices de toxicidade, podem ser utilizadas em doses muito menores, comparáveis a uma gota, aplicadas diretamente dentro do olho. Drogas como o corticóide, quando injetadas no humor vítreo, têm seu efeito prolongado durante cerca de 6 meses. “É uma solução importante contra os problemas causados por drogas cada vez mais poderosas e tóxicas”, afirma Rubens Belfort, da Unifesp.

    Lentes intra-oculares

    Implantada dentro do olho, como numa operação de catarata, a lente intra-ocular multifocal pode solucionar os problemas de quem usa óculos para perto e para longe. O laboratório americano C&C Vision desenvolveu a lente Crystalens. Ela é classificada como acomodativa, porque se movimenta levemente dentro do olho em busca do foco. Seu uso, porém, exige que o músculo ciliar (C), localizado atrás da íris, conserve sua capacidade de acomodação. Outro modelo, o Array da American Medical Optics (AMO), é do tipo multifocal e fica fixo em seu lugar, a bolsa do cristalino. Os dois modelos estão sendo implantados em caráter experimental no Brasil para testes em pacientes com catarata, hipermetropia ou miopia.

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    Células-tronco

    Uma pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia identificou células-tronco adultas nos segmentos anterior e posterior do globo ocular. No segmento anterior foram comprovadas a existência de células-tronco de estruturas como o epitélio do limbo corneano e da conjuntiva, do endotélio da córnea e da malha trabeculada. No posterior, foram identificadas células-tronco das células ganglionares, fotorreceptoras e do epitélio pigmentário. As células do limbo da córnea e da conjuntiva já estão sendo usadas no tratamento das doenças da superfície ocular. As outras descobertas abrem perspectivas para terapia celular no tratamento de várias doenças.

    Colírio de insulina

    O oftalmologista Eduardo Melani Rocha, pesquisador da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, desenvolveu um novo colírio, à base de insulina, para ser empregado no tratamento da síndrome do olho seco. O especialista foi o primeiro a utilizar o hormônio para essa finalidade. Ele partiu de conhecimentos anteriores já consolidados sobre a insulina, imaginando que a fórmula, mais do que repor a umidade dos olhos, como fazem os medicamentos presentes no mercado, também pudesse estimular o tecido a produzir mais fluido lacrimal.

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    Retina

    É a membrana mais interna do globo ocular. Por meio de fotorreceptores, converte a luz em impulsos nervosos, que são enviados ao cérebro pelo nervo óptico e traduzidos em percepções visuais. É na retina, portanto, que se formam as imagens.

    Humor vítreo

    Líquido transparente e de consistência gelatinosa que fica entre o cristalino (B) e a retina. Preenche a cavidade atrás do cristalino e à frente da retina. É a pressão desse líquido que mantém o globo ocular esférico.

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    Humor aquoso

    É o líquido que preenche a câmara anterior do olho. Produzido pelo corpo ciliar (formado por íris, pupila, cristalino e músculo ciliar), o humor aquoso, se for obstruído, pode aumentar a pressão intra-ocular – uma das principais causas de glaucoma.

    Íris

    É a parte que circula a pupila e dá cor aos olhos. Sua função é controlar o tamanho da pupila, por meio da contração e expansão de seus músculos.

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    Pupila

    Funciona como o diafragma da câmera fotográfica, controlando a quantidade de luz que entra no olho. É aquele pequeno círculo preto, que se retrai quando o ambiente está muito claro e se expande quando está escuro.

    Córnea

    É o tecido transparente que fica na parte frontal do olho. A córnea permite a entrada da luz no olho e a formação da imagem na retina. Funciona como a lente de uma câmera fotográfica.

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