Consumo frequente de café pode melhorar microbiota intestinal, mostra estudo
Pesquisa com mais de 22 mil participantes mostrou maiores níveis de bactérias benéficas no intestino de quem tomava pelo menos três xícaras por dia.

Vai um cafézinho aí?
Uma nova pesquisa mostrou que o consumo de café está associado a uma microbiota intestinal mais saudável. A bebida quente parece beneficiar a multiplicação das populações de bactérias que vivem no intestino e ajudam na digestão e absorção de nutrientes.
O estudo é o maior já feito que investigou o impacto do café na microbiota intestinal. Mais de 22 mil voluntários americanos e britânicos foram acompanhados por uma equipe formada por cientistas de diversas universidades. O artigo foi publicado na revista científica Nature Microbiology.
Analisando o DNA fecal dos participantes, os pesquisadores identificaram pelo menos 115 espécies de microrganismos que eram mais abundantes entre os amantes de café, ou seja, quem bebia pelo menos três xícaras por dia.
A bactéria que protagonizou o estudo, porém, foi a Lawsonibacter asaccharolyticus – seus níveis eram oito vezes maiores entre os apreciadores do grão torrado.
Numa análise em laboratório, os cientistas colocaram essa bactéria em contato com o café, e confirmaram que ela se multiplicou muito mais do que o grupo controle, composto do mesmo ser vivo, alimentado numa dieta sem a bebida. O efeito acontecia com qualquer tipo de café, incluindo descafeinado.
Não se sabe muito sobre a L. asaccharolyticus, mas ela parece ser uma das muitas bactérias benéficas que habitam nosso trato digestivo, ajudando na digestão dos alimentos e na absorção dos nutrientes.
O sangue dos amantes de café também mostrava maiores níveis de metabólitos como ácido quínico, uma substância antioxidante ligada a alguns benefícios conhecidos do café, como efeitos anti-inflamatórios. Os cientistas acreditam que isso se deve justamente à atividade da L. asaccharolyticus.
Não é a primeira vez que a bebida quente é associada com benefícios de saúde: cientistas já mostraram que o café pode estar ligado a menores riscos de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e até câncer. É difícil, porém, isolar os efeitos específicos de um único alimento do tipo.
Uma vantagem é que o líquido é 8 ou 80: geralmente, quem gosta do cafezinho consome um pouco todo dia, enquanto há muita gente que nunca bebe uma xícara. Isso gera cenários ótimos para estudos.
Mesmo assim, ainda é necessário um grande número de voluntários para se chegar a resultados estatisticamente sólidos – um dos trunfos do novo estudo é justamente esse.