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Covid-19: Teste de vacina em humanos traz resultados promissores

Oito pessoas testadas com a vacina da Moderna Therapeutics não relataram efeitos adversos significativos, e ainda apresentaram níveis de anticorpos semelhantes ao de pessoas já infectadas pelo vírus.

Por Carolina Fioratti - Atualizado em 19 Maio 2020, 11h24 - Publicado em 18 Maio 2020, 17h19

Nesta segunda-feira (18), a empresa americana de biotecnologia Moderna Therapeutics anunciou que seus testes de vacina em humanos se mostraram seguros e capazes de estimular resposta imune contra o vírus Sars-CoV-2. 

Os testes começaram em março e contaram com 45 voluntários saudáveis, que deveriam receber, cada um, duas doses da vacina. Para os resultados publicados, a Moderna considerou apenas os primeiros oito participantes a receberem a imunização. Eles desenvolveram anticorpos que, estudados em laboratório, foram capazes de barrar a replicação do vírus causador da doença. Além disso, os anticorpos eram semelhantes aos encontrados em pacientes recuperados do novo coronavírus.

Os voluntários foram divididos em três grupos, que receberiam doses baixas (25 µg), médias (100 µg) ou altas (250 µg) da vacina. Os resultados apresentados são referentes aos testes de doses baixas e médias. Desses, apenas um voluntário teve efeitos adversos, que foram vermelhidão e dor no braço vacinado – sintomas comuns após a aplicação de vacinas. Naqueles testados com a dose mais alta, três apresentaram febre, dores musculares e dores de cabeça, mas Tal Zaks, diretor médico da Moderna, afirmou ao The New York Times que os sintomas passaram após um dia. De toda forma, as doses altas não estarão em testes futuros, já que as baixas e médias se mostraram mais seguras e suficientes para gerar a resposta imune no corpo. 

As vacinas da Moderna funcionam com tecnologia diferente da maioria das vacinas conhecidas. Ela não precisa do vírus em sua composição para produzir anticorpos. Mas como assim?

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Os coronavírus armazenam seus códigos genéticos no RNA mensageiro. Os pesquisadores pegaram o pedacinho desse RNA capaz de produzir proteínas causadoras da doença e usaram na vacina. Quando as células humanas codificam essa proteína, o corpo percebe que tem algo estranho por ali e começa a produzir anticorpos. Para entender de melhor como funciona essa e outras vacinas que estão sendo desenvolvidas para combater o novo coronavírus, clique aqui.

Por enquanto, os resultados são baseados apenas na experiência de oito voluntários, e a resposta imune foi testada só em laboratório – ninguém colocou as “cobaias” dentro de um hospital para se infectarem com o coronavírus. O número ainda é baixo para afirmar a efetividade da vacina, mas os resultados não deixam de ser promissores. No início de maio, a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA autorizou que a Moderna passasse para a segunda fase de testes, em que participarão cerca de 600 voluntários. Caso os resultados sejam positivos, eles pretendem testar milhares de pessoas em uma terceira e última fase, que aconteceria em julho. 

A empresa também realizou testes em camundongos, os quais foram vacinados e depois infectados. A vacina impediu a replicação do vírus nos pulmões dos animais. Além disso, eles tinham níveis de anticorpos neutralizantes compatíveis aos dos voluntários que receberam a vacina.

Existe um grande passo entre a testagem da vacina até que ela esteja disponível no posto de saúde do seu bairro. Se tudo correr como o esperado, ela pode chegar no mercado entre o final de 2020 e início de 2021. Tal Zaks não soube afirmar quantas vacinas serão produzidas, mas garantiu que os pesquisadores estão “fazendo o possível para chegar logo ao maior número de doses”.

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