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O papel da atividade física nos transtornos mentais e a promoção de uma longevidade mais saudável

Um pouco de exercício já pode ajudar a prevenir demência e depressão.

Por André de Oliveira Werneck
15 dez 2025, 14h00 •
  • Cerca de 14% da população global, mais de 1 bilhão de pessoas, vive com ao menos um transtorno mental, segundo a OMS. Transtornos mentais, em especial os depressivos, são uma das principais causas de incapacidade, afetando a longevidade saudável. Estudos vêm destacando o papel da prática de atividade física e a redução do comportamento sedentário como importantes estratégias neste contexto.

    A prática de atividade física está relacionada à prevenção de diversos transtornos mentais, como transtornos depressivos, de ansiedade, psicóticos e demência, bem como um importante instrumento para a redução do isolamento social e uma importante terapia complementar no tratamento dessas condições. A prática de qualquer atividade física no lazer é importante, independentemente da modalidade, e benefícios são atingidos mesmo em pequenas quantidades.

    Já um maior tempo em comportamento sedentário, principalmente aqueles que demandam uma baixa função cognitiva, denominados como mentalmente passivos, é um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais. Por outro lado, comportamentos mentalmente ativos, como ler ou fazer trabalho de escritório, podem até mesmo ser um fator de proteção contra o desenvolvimento de demência e transtornos depressivos.

    Assim, promover a prática de atividade física e limitar o tempo em comportamento sedentário mentalmente passivo são estratégias fundamentais para a prevenção de transtornos mentais e a proteção da saúde física em pessoas com problemas psicológicos, ampliando a longevidade saudável em pessoas idosas.

    Para que esses benefícios se concretizem em uma escala populacional, é de suma importância o desenvolvimento de políticas focadas no aumento da prática de atividade física e redução do comportamento sedentário passivo, assim como uma maior implantação dos programas já existentes, como a inclusão de profissionais de educação física no eMulti (Equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde) e no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e a ampliação do programa Academia da Saúde. Ainda, medidas focadas na redução das marcantes desigualdades sociais encontradas na prática de atividade física são necessárias para um acesso mais equitativo aos seus benefícios tanto para a saúde mental quanto física.

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    André de Oliveira Werneck é pesquisador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP.

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